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Igreja Católica perde a voz marcante das pregações em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan/JC Imagens
Almir José Cogiola atuou seis décadas pela Igreja Católica

Morreu, por volta das 6h desta sexta-feira (24), em Bauru, o monsenhor Almir José Cogiola, um dos padres fundadores da Diocese de Bauru. Conhecido por sua voz forte nas pregações, o religioso, que tinha 85 anos, estava internado há aproximadamente três semanas em um hospital particular da cidade, em virtude de inflamação na perna. Nos últimos dias, ele teve seu quadro de saúde agravado por complicações no intestino e pulmonares.

Cogiola completou, neste ano, seis décadas de atuação pela Igreja Católica e faria 86 anos de vida na próxima quarta-feira.

Seu corpo foi velado na Catedral do Divino Espírito Santo, onde houve missa de corpo presente celebrada pelo bispo dom Rubens Sevilha e pelo bispo emérito dom Caetano Ferrari. O sepultamento ocorreu no fim da tarde, no Cemitério Jardim do Ype.

"Ele era a voz forte da igreja em Bauru. Suas missas marcavam os fiéis. Foi um dos padres pilares da fundação da Diocese em 1964", lamentou dom Caetano, que discursou sobre o monsenhor durante a cerimônia. "Era um padre, um irmão que nunca negava ajuda, carinhoso e, também, enérgico quando precisava", completou o bispo emérito.

Há sete anos, Cogiola estava aposentado das missões como padre, mas ainda possuía tarefas no sacerdócio. Atualmente, ocupava o cargo de diretor Espiritual do Encontro de Casais com Cristo (ECC) no Estado e em Bauru.

"Ele trabalhou de forma incansável pela igreja. Era muito acolhedor com os padres", reforça Agnaldo Pereira, pároco da Igreja Santa Rita de Cássia, onde monsenhor Almir se aposentou.

Casal de fiéis admirador do religioso, os representantes de venda Elvio Furquim, 61 anos, e Tânia Cristina Genovez, 59 anos, participaram da despedida na Catedral. "O monsenhor era uma pessoa muito otimista, ele animava os lugares por onde passava. Deixará saudades", lembra Elvio. "A voz marcante dele nas missas ficará em nossas lembranças", completa Tânia.

EXTENSA TRAJETÓRIA

Único filho homem entre seis irmãs, Almir Cogiola nasceu em São Manuel e começou a frequentar o seminário aos 11 anos, em Botucatu.

Aos 25 anos, foi ordenado padre na Igreja Matriz de São Manuel, a mesma onde foi batizado, recebeu a 1.ª comunhão e a crisma. Em São Paulo, no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, ele cursou filosofia e teologia, tendo como colega dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal brasileiro e arcebispo-emérito da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, antigo Primaz do Brasil.

Atuou dois anos em Ourinhos antes de ser chamado para Bauru, onde ficaria por 15 dias para auxiliar um padre enfermo.

O que era provisório, no entanto, acabou permanente. O então padre acabou assumindo a paróquia São Benedito, na Vila Falcão, onde ficou durante 23 anos. Depois, foi designado para a Catedral do Divino Espírito Santo, onde trabalhou por 15 anos, sendo nomeado vigário-geral de Bauru. Em seguida, passou a dirigir a Paróquia de Santa Rita, onde encerrou sua trajetória como pároco.

Em 1992, recebeu o título de cidadão bauruense, mesmo ano em que obteve o título eclesiástico de monsenhor pela Santa Sé. Foi diretor espiritual do movimento de Cursilhos da Cristandade por mais de 20 anos e também atuou na Pastoral Carcerária do antigo IPA, atual CPP3.

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