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67 estrangeiros enfrentam desafio da língua nas escolas estaduais de Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Juan Esteban Naranjo Diaz, Stephanie Tatei e Aimi Tatei estudam na Escola Estadual Luiz Zuiani

O estudante Juan Esteban Naranjo Diaz, de 18 anos, veio de Tuluá, na Colômbia, para Bauru aos 13. Logo que chegou à cidade começou a estudar na Escola Estadual Doutor Luiz Zuiani, no Parque Paulistano, mas, inicialmente, enfrentou dificuldade para se adaptar ao português. O jovem integra o grupo dos 67 estrangeiros que encararam a barreira da língua para estudar nas escolas estaduais do município.

Conforme informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, estes alunos estão distribuídos em 32 colégios da cidade e vieram de 16 países diferentes, principalmente pertencentes à América Latina, como é o caso de Juan.

Ainda de acordo com o rapaz, que está no 3.º ano do Ensino Médio, o seu pai chegou ao Brasil sozinho. "O objetivo era se instalar no novo País para, depois, trazer toda a família", descreve o estudante, em um português quase impecável.

Segundo Juan, o seu pai trabalhou em uma loja de roupas de São Paulo até montar a própria. Como o comerciante entregava os produtos na região de Bauru, optou por morar na cidade e trouxe toda a família. 

Assim que veio ao Brasil, Juan morou em São Paulo, de onde só guarda boas recordações, porque a Capital abrigava muitos estrangeiros. Logo, a língua só passou a ser um desafio quando chegou a Bauru. "Não falava nada em português, mas estudei bastante em casa e, hoje, converso normalmente", constata.

DIFICULDADE

Quem ainda sente um pouco de dificuldade com a língua é Stephanie Tatei, de 15 anos, que está no 1.º ano do Ensino Médio, também no Luiz Zuiani. Ela é de Lima, no Peru, e se mudou para Bauru com a família em março deste ano.

Embora seja filha de pai brasileiro e mãe peruana, a adolescente nunca havia falado português até então. "Mesmo assim, fui muito bem recebida pelos colegas da escola".

Ao contrário de Stephanie, a sua irmã mais nova, Aimi Tatei, de 11, que cursa o 6.º ano do Ensino Fundamental, na mesma escola, está quase adaptada. "Como o meu pai é brasileiro, eu tinha curiosidade pelo português e ele me ensinou algumas palavras".

Vice-diretora da Luiz Zuiani, Jussara Di Lolli acredita que a língua seja mesmo o maior desafio e conta que, dos 1,5 mil alunos do colégio, quatro são estrangeiros. "Toda sala tem líder e vice-líder, que são responsáveis por enturmar estes estudantes. Semanalmente, discutimos de que forma enfrentaremos as dificuldades, como é o caso da língua".

RECEPTIVIDADE

Além disso, a professora atribui a boa receptividade ao fato de a escola naturalizar a diversidade, principalmente, ao trabalhar com a inclusão de pessoas com deficiência.

O colégio, portanto, dá um bom exemplo diante de casos de xenofobia. No último dia 18, alguns moradores de Pacaraima, em Roraima, destruíram acampamentos de venezuelanos que vivem na cidade, situada na fronteira com a Venezuela. A revolta começou após o assalto a um dos moradores do município. O roubo teria sido praticado por quatro venezuelanos, no último dia 17.

Hoje, mais de 10 mil alunos nascidos ou vindos de outros países estudam nas unidades de ensino da Secretaria de Educação do Estado.

Adaptação do currículo

Além do idioma, a adaptação do currículo escolar é outro desafio, tanto aos professores quanto aos alunos estrangeiros. Inclusive, a Diretoria Regional de Ensino (DRE) recomenda o acompanhamento frequente destes estudantes. Dirigente regional de Ensino, Gina Sanchez informa que todo docente conta com a ajuda do professor coordenador, no sentido de desenvolver atividades com estes alunos dentro do horário das aulas. "Não é que o currículo deles esteja defasado, mas sempre há divergência".

Ainda de acordo com Gina, a diferença da língua costuma ser rapidamente superada, porque o professor é orientado a falar devagar e a evitar gírias.

Para os estrangeiros se matricularem nas escolas estaduais, basta apresentar o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE) ou o passaporte. Os estudantes são submetidos a uma prova, que, assim como a idade, determina a série. O recomendado é procurar o colégio mais próximo, afinal, todos os 52, em Bauru, estão aptos a recebê-los.

 

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