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Garota tenta causar curto-circuito em escola em provável desafio da Momo

Marcus Liborio e Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O provável primeiro registro do desafio da Boneca Momo em Bauru poderia ter terminado em tragédia. Uma aluna da Escola Estadual Professora Aparecida Sé Rosa, situada no Núcleo Isaura Pitta Garms, o Bauru 1, tentou provocar um curto-circuito ao introduzir um clipe na tomada da sala de aula. Faíscas chegaram a sair da parede, mas, por sorte, a ação não resultou em um acidente grave. O JC divulgou ampla reportagem sobre esse perigoso desafio no último domingo.

A relação do caso com o "jogo" da boneca Momo foi confirmada por funcionários da unidade escolar, que não quiseram se identificar. Acionada, a Secretaria de Educação do Estado não designou ninguém para dar entrevistas ontem e se limitou a dizer que está acompanhando e orientando os alunos.

Semelhante ao desafio da Baleia Azul, que levou vários jovens à morte em 2017, o "jogo" da Boneca Momo incentiva crianças e adolescentes a cometerem atos de violência, se mutilarem e até mesmo cometerem suicídio. Pelo WhatsApp, o criminoso se passa pela boneca - de olhos esbugalhados - e faz contato com a vítima. Após a conversa estabelecida, ele faz diversas exigências à pessoa (veja mais ao lado).

O episódio em Bauru ocorreu na semana passada. Segundo o JC apurou com funcionários da escola, a menina, que não apresentava sintomas de depressão, teria confirmado à direção da unidade que cumpriu um dos desafios da Boneca Momo. A ação, que se deu na troca de professores, foi presenciada por outros colegas, que, além de relatarem o caso aos docentes, registraram a cena e compartilharam o vídeo nas redes sociais e por aplicativos.

Em razão da atitude, a menina cumpriu suspensão de três dias, mas já retomou às atividades escolares. Ainda conforme a reportagem apurou com funcionários, a punição foi recebida de forma positiva pelos pais da aluna, que, de acordo com o relato de testemunhas, teriam ficados perplexos com a atitude da filha e apoiado a medida tomada pela direção da escola.

A aluna, inclusive, teria reconhecido o erro e demonstrado arrependimento. Nesta terça-feira, a diretoria e docentes da unidade voltaram a conversar com a estudante, que estaria bem. Ela foi descrita como uma menina boa, educada, de ótima família e que nunca levou problemas à escola.

CONSCIENTIZAÇÃO

Após o fato, a direção da unidade promoveu um trabalho de conscientização e alerta, de sala em sala, para enfatizar aos alunos sobre os perigos envolvendo os desafios da Boneca Momo.

A reportagem do JC solicitou junto à Secretaria de Educação do Estado, o dia todo de ontem, uma entrevista com a dirigente regional de ensino, Gina Sanchez. Entretanto, foi informada de que a dirigente estaria em consecutivas reuniões, não podendo atender a demanda.

Em nota curta, a pasta informa apenas que a Diretoria Regional de Ensino de Bauru está acompanhando e orientando todos os alunos quanto aos riscos e perigos de práticas como a realizada na escola citada.

"Caso os pais tenham dúvidas, a diretoria de ensino está à disposição. Quanto ao caso que aconteceu na semana passada, os responsáveis pela aluna foram chamados na escola e a aluna foi suspensa. A direção da unidade juntamente com a mediadora têm feito ações preventivas para todas as turmas", finaliza.

ACESSO AOS DADOS

Em reportagem publicada no último domingo pelo Jornal da Cidade, o professor da Unesp e especialista em Conteúdo para Web, Francisco Machado Filho, disse que a orientação é a melhor arma para afastar as crianças e adolescentes de ações criminosas na Internet, como é o caso do desafio da Momo.

Ele destaca que cabe aos pais explicar para os filhos que tomem cuidado com as mensagens que chegam pelo celular. O especialista detalha que, em termos específicos, tratam-se de algoritmos de programas de computador que enviam milhões de mensagens e, a partir do momento em que se responde, o criminoso cibernético tem acesso aos dados do usuário.

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