| Samantha Ciuffa |
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| Pediatras começaram a atender na UPA do Bela Vista em março deste ano |
A crise econômica e a expansão do projeto de descentralização da pediatria por meio das UPAs impulsionaram o número de atendimentos realizados pelas unidades de urgência e emergência de Bauru em 2018. No primeiro semestre deste ano, foram 273.808 atendimentos realizados, 33.603 a mais do que os 240.205 contabilizados no primeiro semestre de 2017.
Diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) de Bauru, Rafael Arruda atribui a alta à crise econômica, que deixou muitos trabalhadores desempregados e, por consequência, levou famílias a cancelar planos privados de saúde. "Com isso, muita gente migrou para a rede pública".
Outro ponto destacado pelo médico é a consolidação do funcionamento 24 horas das quatro UPAs da cidade, que, até poucos anos atrás, ainda enfrentavam dificuldades para manter as portas abertas em período integral, especialmente aos finais de semana, devido à falta de médicos para cumprir plantões.
"Desde o início da nossa gestão, todas as unidades de pronto atendimento têm se mantido abertas 24 horas. Como não tem falhado, a população, cada vez mais, procura as unidades, porque tem a confiança de que, a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana, o serviço estará funcionando", argumenta.
A descentralização da pediatria, antes concentrada no Pronto Atendimento Infantil (PAI), também gerou impacto no volume de pacientes atendidos, segundo Arruda. O projeto foi iniciado em julho do ano passado, quando a UPA Geisel/Redentor passou a ter dois pediatras de plantão durante as 24 horas do dia.
Em março de 2018, os serviços realizados no PAI foram transferidos para a UPA da Bela Vista em razão das obras que estão sendo realizadas na unidade do Centro e a previsão é de que, em 2019, esta se torne a terceira porta de entrada de urgência em Bauru para pacientes infantis.
"Ao contrário do que se pensava no passado, de que o atendimento seria distribuído, o que vemos é que, quanto mais portas se abrem, mais demanda se tem, devido à proximidade, à facilidade de acesso. Então, com a reabertura da pediatria no Centro, o atendimento infantil tende a crescer", diz o diretor do Duupa.
PEDIATRIA
Dos 273.808 atendimentos realizados no primeiro semestre deste ano, 53.367 prestaram assistência a crianças. O número é 33% maior do que os 39.975 pacientes infantis atendidos no mesmo período do ano passado.
| Samantha Ciuffa |
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| Juliana Ribeiro levou a pequena Luara até a UPA da Bela Vista |
A balconista Juliana Aparecida Ribeiro, 42 anos, foi uma das usuárias que recorreu à UPA da Bela Vista para o tratamento da sua filha Luara, 1 ano, diagnosticada com pneumonia. Há pouco tempo, a mulher encerrou o contrato com seu convênio médico e afirma que, se eventualmente também ficar doente, passará a recorrer aos serviços da rede municipal.
"Graças a Deus, ainda não precisei, mas minha filha, pelo menos, foi muito bem atendida. Ela ficou internada um dia e passou por reavaliação. Já está bem melhor", conta.
Com o crescimento expressivo da demanda, Arruda reconhece que, em alguns horários do dia, o tempo de espera para atendimento e para liberação da unidade pode aumentar, principalmente às segundas-feiras e sábados, dias em que, historicamente, o número de pacientes nas unidades de urgência e emergência é maior.
A expectativa é de que o problema seja minimizado com a contratação de enfermeiros e técnicos de enfermagem - cujo pedido depende de aprovação de projeto de lei - e com a conclusão do processo de chamamento de dois clínicos gerais para atuarem no PSC, além de médicos cirurgiões e ortopedistas, com o objetivo de suprir o déficit atual de profissionais.
| Samantha Ciuffa |
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| Amanda Caroline dos Santos e Maria Alice |
Para a dona de casa Amanda Caroline dos Santos, 22 anos, moradora do Ouro Verde, a ida até a uma UPA acaba sendo mais prática. Ela levou à unidade do Bela Vista a filha Maria Alice, de nove meses, que estava com dor de garganta. "Esta é foi a primeira vez que trouxe ela, mas eu venho sempre aqui e no Mary Dota, principalmente quando tenho gripe. Às vezes demora, mas resolve. No posto, é mais difícil conseguir consulta", diz.
Divisória na sala de espera
Desde que o PAI mudou para a UPA da Bela Vista, em março deste ano, há muitas reclamações da falta de uma separação entre adultos e crianças. Em junho, a Secretaria Municipal de Saúde já havia prometido que iria separar a sala de espera dos pacientes em dois setores (adulto e infantil), mas isso não ocorreu até agora.
Segundo Rafael Arruda, o ambiente será separado, provavelmente, por uma parede de vidro, com abertura de uma segunda entrada na fachada da UPA. Ele, contudo, também não deu prazo para a ação.
'Urgencialização'
Segundo Rafael Arruda, 90% dos atendimentos realizados pela rede de urgência e emergência de Bauru se referem a casos simples, como gripe ou resfriado. Ele explica que o percentual elevado é reflexo da "urgencialização" da saúde, em que os usuários, em sua maioria, optam por recorrer às unidades de pronto atendimento em vez de aguardar agendamento nas UBSs.


