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A história do mestre da língua portuguesa tem seu ponto final.

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto/JC Imagens
Darvino era conhecido por seu amplo conhecimento na língua portuguesa e pela forma carismática com que ensinava

Morreu nesta terça-feira (2), aos 67 anos, o professor de português e palestrante Darvino Concer. Ele estava internado no Hospital da Unimed desde o início de setembro por complicações causadas pela metástase de um câncer de estômago diagnosticado há dois anos.

No último dia 13, o professor chegou a sofrer uma parada cardíaca e foi reanimado. Na tarde de ontem, contudo, acabou não resistindo e morreu por falência múltipla de órgãos.

Nascido em Urussanga (SC), Darvino mudou-se para Bauru em 1969 para estudar filosofia em um seminário rogacionista. Depois, formou-se em letras na Universidade do Sagrado Coração (USC). "Eu sou cidadão bauruense com muito orgulho. A terra me acolheu. Sou bauruense por opção", disse, em entrevista concedida ao JC em maio de 2007.

Darvino ficou conhecido na cidade por seu amplo conhecimento na língua portuguesa e pela forma carismática com que ensinava as regras de um idioma considerado difícil pela maioria dos estudantes.

"Ele inicialmente deu aulas de inglês e depois de português no Liceu Noroeste. Também foi diretor da unidade por muito tempo. Era apaixonado pelo ofício e ajudava muita gente, inclusive os alunos que tinham dificuldade de aprendizado. Ele dava aulas extras de graça para o pessoal conseguir passar de ano", relembra o filho, Thiago Concer.

Professor tinha coluna no JC há 13 anos; no último domingo (30), Darvino (na caricatura) explicou que não existe a forma “ascultoscópio”

O professor também mantinha a coluna "Diálogo do Português" há 13 anos no Jornal da Cidade e chegou a dar palestras aos jornalistas da Redação. "Era uma alegria muito grande para ele, que recortava e guardava todas as publicações semanais", revela.

'UM EXEMPLO'

Aos 44 anos de idade, Darvino teve o primeiro de quatro acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que acabaram trazendo algum comprometimento à memória e à fala. Depois do último AVC, Darvino se aposentou, mas ainda continuou dando aulas particulares. Costumava dizer que era um sobrevivente.

"Ele era um exemplo de trabalho, honestidade, retidão. Nestes últimos anos, mesmo com as dores e as restrições provocadas pelo câncer, ele nunca reclamava. Ele teve uma origem muito dura e foi muito grato à vida", acrescenta o filho.

'PIADISTA'

Amigo de mais de 40 anos, Carlos Neves era professor de matemática do Liceu na época em que Darvino lecionava no colégio. Ainda bastante emocionado com a perda, ele contou que a amizade com o colega de trabalho extrapolou os muros da unidade. "Os filhos dele foram meus alunos e as nossas esposas, que também eram professoras, se tornaram amigas. O contato era diário e se manteve quando eu e ele fomos dar aulas na USC. O Darvino sempre tinha uma piada, uma sacada no meio de uma conversa, que divertia a todos. A força que ele tinha no modo de se expressar e o seu jeito alegre vão ficar na nossa memória", completa.

Darvino deixa a esposa Jenny Concer, os filhos Alessandra Concer e Thiago Concer e o neto Theo. O corpo está sendo velado no Memorial Bauru, onde será sepultado às 10h desta quarta-feira (3).

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