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| Daniel Coutinho é líder de uma equipe de animação gráfica |
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| Imagem do site oficial do estúdio Buck em Los Angeles |
O sonho de quase todo profissional de design e animação gráfica é trabalhar em um dos famosos estúdios de Los Angeles - o Buck. Esse também era o de Daniel Coutinho, hoje líder lá de uma equipe de animação gráfica 2D desde 2013. Eles acabam de ter um vídeo lançado pela Apple para a campanha do novo iMac Pro. Seu portfólio inclui trabalhos para Facebook, Google, IBM, Nike, entre outras grandes marcas globais.
Daniel é formado em desenho industrial, com habilitação em programação visual, pela Unesp de Bauru, em 2007. E sentiu que iria evoluir ainda mais ao conhecer a animação gráfica. A paixão pela atividade o fez estudar, pesquisar e desenvolver-se cada vez mais em suas técnicas. Chegou a morar em São Paulo, onde trabalhou no jornalismo da Rede Globo, Record TV e Band.
Daniel conta um pouco sobre a trajetória iniciada a partir de teste vocacional e sobre como conseguiu alcançar um dos mais aclamados cargos na empresa e país que sempre sonhou.
JC: Você fez um teste vocacional para descobrir o que queria fazer? Como foi?
Daniel: Eu fiz um teste vocacional, sim. Sou nascido em Batatais e fazia o colegial em Ribeirão Preto, na época em uma escola de ótima qualidade. O assunto dos vestibulares estava presente o tempo todo e, num clima como esse, às vezes os alunos se sentem pressionados e ansiosos. Eu estava me preparando muito para passar em vestibulares de faculdades públicas e acho que não sobrava tempo nem para pensar na escolha do curso! Então acabei confiando em uma terapeuta e o resultado do teste apontou para áreas que envolvessem escrita ou desenho, coisas ligadas à criação.
JC: Foi a partir deste teste que você descobriu paixão por escrever e desenhar?
Daniel: Bom, eram coisas que eu já sabia que gostava. Desde criança sempre curti desenhar e escrever também foi algo que me interessou muito quando comecei a ter aulas de redação e literatura na escola. O teste vocacional me ajudou a enxergar essas paixões como aptidões, coisas que eu pudesse desenvolver profissionalmente. O teste também afunilou minhas opções e tornou mais fácil uma decisão que estava me estressando bastante.
JC: Como foi vir a Bauru? Quais recordações guarda da cidade no período que aqui morou?
Daniel: Tenho muitas recordações boas de Bauru, segunda cidade onde morei após Batatais. Fui a alguns shows de bandas brasileiras que sempre gostei, em lugares como o Sesc e Teatro Municipal. Tive também muitos momentos bons com os amigos de faculdade, passeávamos pela cidade em lugares como a Praça da Paz e o Parque Vitória Régia, além irmos a festas em repúblicas. Desses amigos, mantive contato com alguns que são pessoas queridas até hoje.
JC: O que representou Bauru e a Unesp na sua vida?
Daniel: Claro que, acima de tudo, foi aquela experiência importante de sair de casa, morar sozinho, longe da família pela primeira vez. Lidar com colegas de quarto e com contas a pagar. A Unesp foi uma experiência enriquecedora também. Existe sempre aquela idealização da universidade pública, ainda mais sendo os vestibulares tão exigentes e concorridos. Para mim, eu fui de uma escola onde os professores ficavam em cima o tempo todo, como um treinamento intensivo para aprovação no vestibular, para uma escola onde o aprendizado passou a depender muito mais de mim mesmo. Acho que isso me ensinou disciplina, a também buscar por conta própria minha formação.
JC: O que é a animação gráfica na sua vida?
Daniel: Sou pessoa de sorte. Não me considero do tipo que daria certo em qualquer carreira. Descobrir o campo da animação gráfica significou algo que eu pudesse fazer todos os dias sem cair no tédio, algo que não parecesse trabalho e que eu pudesse fazer com certa competência. Quando ainda por cima passei a receber um salário para fazer isso, foi como um presente de Natal! Não posso deixar de mencionar as pessoas que me colocaram em contato com essa disciplina do design, meus colegas de classes e veteranos de faculdade. É uma disciplina apaixonante porque é muito jovem e toma proveito da combinação de tecnologia com criatividade artística.
JC: Você também trabalhou na redação de jornalismo de algumas emissoras de TV. Como foi a experiência?
Daniel: Existe diferença sim. Basicamente as áreas que eu experimentei foram a área de animação gráfica para jornalismo televisivo e a área de animação gráfica para comerciais de TV e Internet, que é onde atuo até hoje. No jornalismo televisivo, o ritmo de trabalho é muito intenso: as notícias chegam ao longo do dia, e junto com elas, as demandas para o departamento de arte. Muitos jornalistas, repórteres e editores trabalham no mesmo jornal, de forma que nós designers temos de lidar com diversos "clientes" ao mesmo tempo. As entregas então são quase sempre para o mesmo dia, muitas vezes o trabalho tem que ser feito em poucas horas. Já na área de comerciais, uma equipe de designers e animadores tem normalmente algumas semanas para trabalhar em um projeto.
JC: Você está no EUA, mas vem sempre ao Brasil?
Daniel: Minha intenção em ir para os Estados Unidos era eventualmente trabalhar em estúdios de animação gráfica para me aprimorar e para entender o funcionamento dessa arte que me apaixona tanto. A forma como vim para cá foi como estudante, inicialmente. Depois disso, tive a oportunidade de trabalhar como freelancer em diversas empresas até conseguir emprego fixo. Vim para cá no ano de 2011, já se passaram sete anos! Eu visitei o Brasil várias vezes desde então. Los Angeles, que é a cidade onde moro, é um polo importante na indústria de animação gráfica, então considero que tive a chance de construir algo no lugar certo.
JC: Qual a emoção de trabalhar com o que sempre sonhou e no lugar que desejava?
Daniel: Eu sou verdadeiramente grato por isso. Nunca perco de vista o fato de que é um privilégio ser recompensado por fazer aquilo que gosto. Quando falo de sorte é claro que não ignoro toda a dedicação e persistência que me trouxeram aqui. Tive que abrir mão de muitas coisas, fazer escolhas difíceis e me adaptar a situações inéditas e desafiadoras.
JC: De que forma você chegou ao cargo que tem hoje?
Daniel: Fui contratado na empresa como animador no ano de 2013. De lá pra cá, o estúdio evoluiu muito - hoje somos duas vezes maiores. Nesse processo, vários profissionais saíram e entraram, como é natural. Diante desse crescimento, surgiu a necessidade de se criar cargos de gestão e um deles foi oferecido a mim em setembro do ano passado. Passei a ser o gerente do departamento de animação 2D, que hoje consiste em 16 artistas. Considero que meu nome foi escolhido porque sempre fui muito comprometido com cada trabalho à minha frente.
JC: Você já sofreu preconceito por ser brasileiro?
Daniel: Felizmente, não tive más experiências quanto a ser brasileiro. De forma geral é o contrário que acontece: as pessoas demonstram muita curiosidade sobre nossa cultura! Em particular, Los Angeles é uma cidade diversa por natureza, um polo das indústrias tecnológica e do entretenimento. E o estúdio onde estou não é diferente: trabalhando comigo estão pessoas dos quatro cantos do mundo, China, Europa, Turquia! Considero isso saudável contra atitudes de preconceito e discriminação.
JC: Qualquer um pode alcançar seus objetivos?
Daniel: Minha resposta é sim, eu acho possível qualquer pessoa alcançar seus objetivos. O esporte é uma empreitada humana que tem muito a nos ensinar nesse aspecto: quantas histórias de superação e de realização, quantas pessoas que conquistaram, através de muito suor, o que parecia impossível. A tenista japonesa Naomi Osaka se tornou recentemente campeã do US Open, derrotando, na final, ninguém menos que Serena Williams. É realmente inspirador. Na política também não faltam exemplos: Gandhi, Mandela, Martin Luther King, Obama. As lições são sempre semelhantes: perseverança, dedicação. Em um país com mais igualdade, as pessoas têm suporte para trabalhar na direção de seus objetivos. Repito, acho possível que qualquer pessoa tenha sucesso, mas o possível nem sempre é o provável. Principalmente nesse importante ano da política brasileira é necessário lembrar que cabe aos nossos líderes proporcionar as condições mínimas para que todos possam lutar e trabalhar não só pela sobrevivência, mas pelo sucesso.
Perfil
Nome: Daniel Coutinho Ferreira
Idade: 34
Time: Palmeiras
Filmes preferido: "O Poderoso Chefão"
Livro preferido: "O Velho e o Mar" (Ernest Hemingway)
Signo: Aquário
Ídolo: Maira, minha irmã
Cor preferida: amarelo
Palavra preferida: estandarte
Hobby: assistir televisão (comédias stand up e documentários de natureza, de preferência)
Para quem dá nota 0: Um rapaz que me fez de bobo uma vez. Vocês não conhecem... mas eu não esqueço!
Para quem dá nota 10: Minha esposa Natália, uma pessoa muito bondosa, paciente e engajada!
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