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Homem pega 14 anos por arquitetar morte da esposa e simular latrocínio

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Trio condenado: José Carlos Vieira Silva (da esq. para dir.), Zenaldo Leite da Silva e Otacílio Godoy

Arquivo Pessoal
Otacílio e Cleide em foto em formato de coração do arquivo da família

Após mais de 13 horas de julgamento, três homens foram condenados pela morte de Cleide Aparecida Gallindo Godoy, 55 anos, assassinada a tiros em junho do ano passado em uma estrada de terra entre a Vila São Paulo e o Núcleo Gasparini. Um dos autores do crime é o próprio marido da vítima, Otacílio Godoy, 56 anos, que arquitetou o homicídio e contratou dois homens para executar a esposa, simulando um latrocínio (roubo seguido de morte).

O motivo, conforme reconheceu o júri, foi torpe. A promotoria sustentou que Otacílio queria ter acesso a um seguro de vida, no valor de R$ 60 mil, que Cleide havia contratado apenas três meses antes de sua morte. Familiares também revelaram que, além do dinheiro, o réu tinha planos de se separar da esposa para assumir um relacionamento com uma mulher bem mais jovem, que seria sua amante.

Otacílio foi condenado a 14 anos de prisão em regime inicialmente fechado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e uso de emboscada, já que Cleide foi levada por ele ao local do crime, sem saber que sua morte havia sido planejada. A mesma pena foi aplicada a Zenaldo Leite da Silva, 37 anos, um dos comparsas contratados por Otacílio e apontado por ele como autor dos três disparos que mataram Cleide ainda dentro do carro em troca de recompensa financeira.

Já o terceiro réu, José Carlos Vieira da Silva, 26 anos, teve a pena atenuada porque os jurados entenderam que ele teve participação de menor importância no homicídio. Ele foi condenado a nove anos e dois meses de prisão.

Conforme revelaram as investigações, em tese acolhida pelo júri, foi José Carlos quem colocou Zenaldo em contato com Otacílio e teria levado o comparsa de moto até Bauru, a 150 quilômetros de distância de Ibaté (SP), cidade de origem de ambos.

'QUE ELES PAGUEM'

Após o longo e desgastante julgamento de horas, familiares da vítima se mostraram descontentes com as penas e alguns até clamaram por justiça divina.

"Com tanta dor que foi causada, a família quer que eles paguem pelo que fizeram. Minha mãe não vai voltar mais, mas eles precisam ficar bastante tempo na cadeia para nunca mais pensar em tirar a vida de ninguém", argumentou a filha de Cleide e Otacílio, Adriana Godoy. Desde a morte da mãe, ela deixou de chamar o acusado de pai e nunca o visitou na prisão.

Um dos aspectos que contribuiu para o resultado foi o fato de nenhum dos réus ter antecedentes criminais. Casado há mais de 30 anos com Cleide, Otacílio sustentou que encomendou o crime porque a esposa havia revelado, cerca de 15 dias antes, que o caçula do casal era filho do irmão do réu e que, por isso, teria "perdido a cabeça".

Sustentou, também, que não tinha conhecimento sobre o seguro de vida feito por Cleide. Porém, segundo a filha Adriana, a família sabia da medida de precaução, porque a mãe passaria por uma cirurgia no coração e queria proteger financeiramente os filhos.

Ainda de acordo com familiares da vítima, era Otacílio quem traía a esposa ao longo de todo o relacionamento. Eles dizem, inclusive, que ele foi localizado pela Polícia Civil um mês após o crime na companhia da suposta amante, por quem havia se apaixonado.

O CRIME

Cleide Godoy foi morta em 10 de junho de 2017, após realizar um saque de R$ 1 mil na região da Vila São Paulo. Ela carregava mais R$ 5 mil em uma bolsa, que foi levada pelos criminosos, na tentativa de convencer a polícia de que se tratava de latrocínio.

Vindos de Ibaté, Zenaldo e José Carlos abordaram o veículo em que ela e o marido estavam em uma estrada de terra, por volta das 21h15. Cleide foi morta com três tiros ainda dentro do carro.

Durante o julgamento, Zenaldo sustentou que Otacílio fez os disparos. Já o marido da vítima e José Carlos disseram que foi Zenaldo quem apertou o gatilho. Nessa terça-feira (9), eles mudaram a versão apresentada inicialmente à polícia, de que haviam sido contratados para matar "um desafeto" de Otacílio.

Ao júri, disseram que foram acionados pelo morador de Bauru para realizar "um serviço" e que não receberiam recompensa para tanto - apenas R$ 1 mil para gastos com combustível e alimentação. Inicialmente, ainda de acordo com estas versões, quando chegaram na cidade, Otacílio teria dito que se tratava de um assalto e dado uma arma descarregada nas mãos de Zenaldo. Somente depois teria revelado que a intenção era matar a própria mulher.

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