| Reuters |
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| Polícia solicitou bloqueio de bens de todos os envolvidos no caso, incluindo Michel Temer |
A Polícia Federal concluiu inquérito sobre propina no setor portuário e afirmou que o presidente Michel Temer e outras dez pessoas praticaram os crimes de corrupção passiva, ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O delegado Cleyber Malta Lopes pediu a prisão de quatro investigados, entre eles o coronel João Baptista Lima Filho, amigo do presidente.
A polícia ainda solicitou o bloqueio de bens dos indiciados, inclusive do presidente. O relatório foi entregue ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O Ministério Público Federal é quem tem competência para denunciar. Os indiciados pela PF são: Michel Temer, sua filha, Maristela Temer, Rodrigo Rocha Loures, seu ex-assessor, Antonio Greco, ex-diretor da Rodrimar, Ricardo Mesquista, também da Rodrimar, Gonçalo Torrealba, diretor do grupo Libra, o coronel João Baptista Lima Filho e sua mulher, Maria Rita Fratezi, amigos de Temer, Carlos Alberto Costa e seu filho, diretor da Argeplan, e Almir Ferreira, contador da Argeplan.
Em um despacho do ministro do Supremo, ele fala que o relatório da polícia diz que foram apurados fatos envolvendo "propinas em espécie, propinas dissimuladas em doações eleitorais, pagamentos de despesas pessoais por interpostas pessoas físicas e jurídicas, atuação de empresas de fachada e contratos fictícios de prestação de serviços". Aberto em 2017, o inquérito buscava esclarecer se Temer recebeu, por meio do militar aposentado, propina em troca da edição de um decreto que teria beneficiado companhias que atuam no porto de Santos.
A medida assinada por Temer permitiu ampliar de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessões e arrendamentos no porto firmados após 1993. Um dos pontos do relatório é uma reforma realizada na casa da filha do emedebista, entre 2013 e 2015.
O Ministério Público Federal ainda vai se manifestar sobre as solicitações da PF. Barroso fala ainda, em seu despacho, que o relatório da PF diz que foram produzidas provas diversas, que incluíram colaborações premiadas, depoimentos, informações bancárias, fiscais, telemáticas e extratos de telefone, laudos periciais, informações e pronunciamentos do Tribunal de Contas da União.
Os advogados de Temer e Torrealba disseram que ainda não tiveram acesso ao relatório da PF e, portanto, não vão se manifestar sobre o assunto. A reportagem entrou em contato com as defesas dos outros investigados, mas não obteve resposta até as 20h30.
