Pela terceira vez as mudanças no trabalho passam a ser uma preocupação geral. A primeira ocorreu nos anos de 1700, quando as primeiras fábricas tiraram o trabalho dos artesãos, principalmente dos flandeiros e tecelões. A invenção da máquina a vapor, entretanto, além de impulsionar esse tipo de indústria serviu para criar a indústria metalúrgica para a fabricação de máquinas, trens e vapores marítimos. Em vez do desemprego o que aconteceu foi o aumento de emprego e o surgimento de ocupações mais valorizadas: operários qualificados, técnicos e engenheiros. Foi a 1ª Revolução Industrial, assinalando uma nova fase no progresso da humanidade.
Esse período prolongou-se até o final dos anos de 1800, entrando nos anos de 1900 em plena economia capitalista, com grandes inovações na fabricação, com a produção em massa, as linhas de montagem e a introdução de máquinas automáticas. Ao mesmo tempo iniciava-se o movimento de melhoria na administração, com a racionalização do trabalho e adoção de princípios de organização e gestão. As diferenças verificadas no trabalho foram tão grandes que caracterizaram o período como a 2ª Revolução Industrial, que deu um novo avanço no progresso da humanidade. Nesse período, também, a pesquisa científica sistematizou-se e as descobertas foram se sucedendo em desenvolvimento e ampliação das áreas de estudo.
A introdução do computador e controle eletrônico em máquinas automáticas, entre as décadas de 1950/60, estendeu a automatização a unidades completas de fabricação, o que reduziu bastante o custo da produção em termos de "homens-hora". Essa inovação foi batizada de 'automação' e despertou o segundo grande temor de desemprego. Tanto assim que o Congresso Americano nomeou uma Subcomissão Parlamentar para cuidar do assunto. O esforço para reconstrução após o término da 2ª Guerra, entretanto, absorveu bem a mão de obra e criou novas qualificações. Esse período representa a 3ª Revolução Industrial. À medida que o conhecimento científico se ampliava e aprofundava, a sua aplicação, que é a tecnologia, também foi se desenvolvendo, cada uma com seus objetivos. A pesquisa científica não visava a prática e a tecnologia era descritiva, preocupando-se só com a prática. Atendendo a uma carta enviada por Einstein em 1939 ao presidente Roosevelt, o governo americano criou o "Projeto Manhattan", que produziu as duas bombas atômicas lançadas no Japão. Imaginamos que foi essa a primeira decisão de fazer pesquisa científica com objetivo prático e daí para a frente "Pesquisa & Tecnologia" andam juntas.
As descobertas sobre eletricidade e campo magnético se desdobraram em Eletromecânica e Eletrônica, a primeira representada pelo motor elétrico e a segunda pela Válvula Eletrônica. Ambas se desenvolveram bastante, o motor que hoje chega ao tamanho de um milímetro e a válvula que foi substituída pelo transistor e depois pelo chip, para atender às novas tecnologias. Duas novas áreas de pesquisa se juntaram a elas, a Física de Partículas, que esmiúça o átomo e a Neurociência, que esmiúça o cérebro. O resultado dessa convergência de Ciência e Tecnologia são os robôs mecânicos e os robôs inteligentes, que hoje ameaçam os empregos, criando o medo do desemprego em massa pela terceira vez. É a 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0 ou Inteligência Artificial.
Parafraseando Neil Armstrong, esse é um grande passo para a humanidade e impacta o trabalho com uma 'revolução de competências'. Veja algumas das competências exigidas: - pensamento crítico; excelente capacidade de comunicação; capacidade analítica; saber trabalhar com pessoas muito diferentes de você; excelente conhecimento em ferramentas digitais etc. Essas competências não estão exigindo formação técnica prolongada ou superior, como estão prometendo os candidatos, mas uma formação básica boa, consistente, para saber ler, interpretar e escrever com proficiência em português e pelo menos em inglês, como outra língua, e bom desempenho de matemática no nível de 3º ano do ensino médio.
O grande pensador da Administração do século XX, Peter Drucker, disse que o mundo deve aos Estados Unidos duas grandes invenções: o treinamento e a gerência. O treinamento é que desenvolverá essas competências, como fez no Japão e na Coreia do Sul, mas para isso é necessária uma boa formação básica, como nesses países. Essa é a arma para vencer a guerra com os monstros virtuais.
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.