Se muitos acham que a marca destas eleições foi a polarização esquerda/direita, acho que em São Paulo tivemos outra característica própria: a contradição. São Paulo elege o PSDB há 24 anos e acaba de reeleger o PSDB para mais 4 anos - ou seja - achamos ótimo o PSDB para nosso estado, mas não votamos no Alckmin para a Presidência. Vale dizer que Alckmin, que foi nosso governador, teve uma votação pífia por aqui.
Bauru finalmente elegeu Rodrigo Agostinho como Deputado Federal (pelo PSB), mas na hora de escolher o governador, ao invés de votar no Márcio França, candidato do mesmo partido, o que ajudaria muito nossa cidade, optamos por votar em Doria, do partido contrário.
Nós, paulistas, temos o péssimo hábito de criticar e fazer chacota com os nordestinos, dizendo que eles não sabem votar, mas elegemos Alexandre Frota, Tiririca e outras pérolas da política. Falamos em moralidade e elegemos um governador condenado em primeira instância, com um vice investigado na Lava-Jato.
A maioria dos eleitores, que elegeu Bolsonaro, não votou em Márcio França, apesar dele estar sendo apoiado pelo senador eleito pelo PSL Major Olímpio e da quase totalidade da bancada de deputados estaduais e federais do partido de Bolsonaro (PSL).
Assistimos durante anos os funcionários públicos estaduais reclamarem do sucateamento dos serviços públicos, do achatamento de salário etc etc etc... Inclusive com greves históricas em que gritavam "PSDB nunca mais!"... Entretanto, muitos deles apoiaram Doria, dando um verdadeiro "tiro no pé".
E para fechar com chave de ouro, nestas eleições foram destruídas amizades de décadas e laços familiares fortes, em defesa de políticos que sequer conhecíamos há seis meses atrás... O tempo dirá se, em nossas convicçõescontraditórias, acertamos ou erramos... Dirá se iremos rir ou chorar... O lamentável é que, certamente, não faremos isso juntos.