Tribuna do Leitor

O Balão Vermelho (Jadir Albino)

Roseli Franzé Pinelli
| Tempo de leitura: 2 min

Beni tinha 70 anos quando morreu de câncer. Nos últimos dez anos, havia recebido o amor de alguém muito especial, sua neta, Rachel. E o amor de avô para a neta, assim como o de neta para avô, é desses sentimentos que nunca se esquece e nunca perece.

Infelizmente, Rachel não teve a chance de dizer adeus ao seu avô e, por isso, chorou durante vários dias. Seu pranto apenas cessou quando teve uma ideia, certo dia, após receber um grande balão vermelho numa festa de aniversário. E a ideia era de escrever uma carta para o vovô Beni, e enviá-la ao céu em seu balão vermelho. A mãe de Rachel não teve coragem de dizer não, e observou com lágrimas nos olhos o frágil balão subir por entre as árvores que cercavam o jardim, e desaparecer.

Dois meses depois, Rachel recebeu uma carta, com carimbo do correio de uma cidade a 900 km de distância, que dizia: querida Rachel, vovô Beni recebeu sua carta. Ele realmente adorou. Por favor, entenda que coisas materiais não podem ficar no céu, por isso tiveram que mandar o balão de volta para a terra. Lá eles só guardam os pensamentos, as lembranças, o amor e coisas desse tipo. Rachel, sempre que você pensar no vovô Beni ele saberá e estará muito perto, com um amor enorme por você. Sinceramente, Anderson (também vovô).

A singeleza desta passagem faz nos pensar sobre a morte, sobre a separação, e sobre o amor, de uma forma sublime de um bondoso e inspirado avô, deve conduzir-nos a uma reflexão profunda sobre a vida e sobre como continuarmos a estar próximo daqueles que partiram.

"Eles só guardam os pensamentos, as lembranças, o amor e coisas desse tipo". Esta é a maior homenagem que podemos fazer a eles, ou seja, faze-los sentir o amor que carregamos em nosso coração.

Sigamos o exemplo da neta, e enviemos constantemente "balões vermelhos" ao céu com nossas mensagens de amor e saudades a eles.

Os balões serão nossas orações, que somente ganharão altura suficiente para ser ouvidas, se guardarem em seu intimo a simplicidade, a sinceridade e o coração. O som das palavras voltará a terra, pois, como disse o avô da história "coisas materiais não podem ficar no céu", mas tenhamos plena certeza de que os sentimentos chegarão ao seu destino e inundarão de alegria nossos entes queridos que partiram.

"Rachel, sempre que você pensar no vovô Beni, ele saberá e estará muito, com um amor enorme por você".

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