| Marcele Tonelli |
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| Participantes do Narcóticos Anônimos recebem chaveiros como forma de registrar o tempo e incentivar a evolução no tratamento |
| Malavolta Jr. |
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| Criado recentemente em Bauru, o grupo Comedores Compulsivos Anônimos se reúne todas às terças-feiras, das 13h30 às 15h, na sala de um imóvel na rua Bandeirantes, 12-43. Basta comparecer para participar. |
Só por hoje eu... não vou beber, não vou usar drogas, não vou fazer isso, não vou comer aquilo, não vou me descontrolar emocionalmente. Várias são as dependências, compulsões e obsessões que atormentam os chamados adictos, pessoas submissas a alguma espécie de ato ou vício. Adotada principalmente pelo Narcóticos Anônimos (NA), a filosofia "só por hoje" é utilizada também por outras irmandades, como forma de exaltar a luta e conquista diária contra o vício.
Em Bauru, vários grupos de apoio de ajuda mútua e 100% gratuitos estão espalhados pelos bairros da cidade, conforme o Jornal da Cidade publica todos os domingos (veja mais em Grupos de Apoio, na página 8 deste caderno).
Nesta edição, o JC Nos Bairros traz histórias de pessoas que convivem com o enfrentamento à adicção e aos problemas relacionados ao descontrole físico e psíquico, e mostra trabalho feito por algumas das entidades que ajudam os moradores nessa batalha no município.
Além dos já conhecidos Narcóticos Anônimos e Alcoólicos Anônimos, estão grupos como Comedores Compulsivos Anônimos (CCA), Neuróticos Anônimos, Como deixar de Fumar e o grupo Amor Exigente Renascer, que ajuda famílias inteiras a superarem dificuldades de convivência.
Em respeito ao ordenamento das entidades e para evitar constrangimentos aos participantes, os nomes dos entrevistados nesta reportagem não serão divulgados.
DO FUNDO DO POÇO
Fruto de um casamento desestruturado com pais alcoólatras, Carlos (nome fictício) conheceu aos 13 anos a droga. Viciado em álcool e, ele abandonou os estudos e se entregou para a vida na rua. Seus dias se resumiam em andar próximo à linha do trem em Bauru. Cola, chá de lírio, cocaína e crack. "Tudo o que me anestesiasse eu usava, mas acabei tendo surtos. Fui internado em clínicas de tratamento químico e psicótico", lembra.
Aos 24 anos, ele estava "limpo". Conseguiu emprego, iniciou faculdade e casou, mas não por muito tempo. Confiante de si, um deslize durante uma comemoração em um bar fez com que ele voltasse a beber e a usar drogas. Logo, o descontrole pairava e nem casamento, nem emprego e nem a faculdade resistiram.
"Cheguei ao meu fundo do poço pela segunda vez, após sentar em um barzinho e acreditar que e eu tinha controle de tudo. Foi só em 2011, depois de conhecer o NA que passei a me admitir como um adicto. Aprendi a dizer não", cita Carlos.
Ainda membro do NA, ele conta ter estabilizado sua vida novamente. Formou-se em jornalismo, passou em um concurso e se casou de novo. Hoje, aos 41 anos, morador do Jardim Godoy, ele possui dois filhos e ajuda outras pessoas a largarem o vício. "Ainda assim todo o dia mentalizo: só por hoje eu não posso dar nenhum gole", pontua. "Brinde com os amigos só se for de água, refrigerante ou café", acrescenta brincando.
| Marcele Tonelli |
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| Colegas de NA brindam com café a superação diária da obsessão e compulsão às drogas |
| Marcele Tonelli |
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| Colegas de NA brindam com café a superação diária da obsessão e compulsão às drogas |
| Marcele Tonelli |
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| Bandeira do Narcóticos Anônimos do grupo Novo Mundo |
| Marcele Tonelli |
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| Sala do grupo Narcóticos Anônimos Novo Mundo, na quadra 9 da rua Quinze de Novembro, no Centro; independentemente das reuniões, há mesa sempre montada e orientações na lousa |
| Marcele Tonelli |
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| Ao lado de relógio, quadro na sala do NA no Centro destaca a filosofia do "Só por hoje", que exalta e incentiva a luta diária contra a adicção |
| Fotos: Marcele Tonelli |
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| Sala utilizada pelo grupo Narcóticos Anônimos Novo Mundo, na quadra 9 da rua Quinze de Novembro, no Centro, foi personalizada por participantes |
| Marcele Tonelli |
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| Pôster também pregado na sala do NA traz os 12 passos da luta contra o consumo de droga |
| Marcele Tonelli |
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| Membro do NA de 42 anos conta que abandonou de vez o vício em bebida e drogas após aplicar a filosofia "só por hoje" em seus dias |
| Marcele Tonelli |
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| Membro do NA de 42 anos conta que abandonou de vez o vício em bebida e drogas após aplicar a filosofia "só por hoje" em seus dias |
Chaveiros da evolução
| Malavolta Jr. |
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| Criado recentemente em Bauru, o grupo Comedores Compulsivos Anônimos se reúne todas às terças-feiras, das 13h30 às 15h, na sala de um imóvel na rua Bandeirantes, 12-43. Basta comparecer para participar. |
| Marcele Tonelli |
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| Colegas de NA brindam com café a superação diária da obsessão e compulsão às drogas |
| Fotos: Marcele Tonelli |
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| Sala utilizada pelo grupo Narcóticos Anônimos Novo Mundo, na quadra 9 da rua Quinze de Novembro, no Centro, foi personalizada por participantes |
| Marcele Tonelli |
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| Bandeira do Narcóticos Anônimos do grupo Novo Mundo |
| Marcele Tonelli |
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| Membro do NA de 42 anos conta que abandonou de vez o vício em bebida e drogas após aplicar a filosofia "só por hoje" em seus dias |
Só por hoje eu... não vou beber, não vou usar drogas, não vou fazer isso, não vou comer aquilo, não vou me descontrolar emocionalmente. Várias são as dependências, compulsões e obsessões que atormentam os chamados adictos, pessoas submissas a alguma espécie de ato ou vício. Adotada principalmente pelo Narcóticos Anônimos (NA), a filosofia "só por hoje" é utilizada também por outras irmandades, como forma de exaltar a luta e conquista diária contra o vício.
Em Bauru, vários grupos de apoio de ajuda mútua e 100% gratuitos estão espalhados pelos bairros da cidade, conforme o Jornal da Cidade publica todos os domingos (veja mais em Grupos de Apoio, na página 8 deste caderno).
Nesta edição, o JC nos Bairros traz histórias de pessoas que convivem com o enfrentamento à adicção e aos problemas relacionados ao descontrole físico e psíquico, e mostra trabalho feito por algumas das entidades que ajudam os moradores nessa batalha no município.
Além dos já conhecidos Narcóticos Anônimos e Alcoólicos Anônimos, estão grupos como Comedores Compulsivos Anônimos (CCA), Neuróticos Anônimos, Como deixar de Fumar e o grupo Amor Exigente Renascer, que ajuda famílias inteiras a superarem dificuldades de convivência.
Em respeito ao ordenamento das entidades e para evitar constrangimentos aos participantes, os nomes dos entrevistados nesta reportagem não serão divulgados.
DO FUNDO DO POÇO
Fruto de um casamento desestruturado com pais alcoólatras, Carlos (nome fictício) conheceu aos 13 anos a droga. Viciado em álcool, ele abandonou os estudos e se entregou para a vida na rua. Seus dias se resumiam em andar próximo à linha do trem em Bauru. Cola, chá de lírio, cocaína e crack. "Tudo o que me anestesiasse eu usava, mas acabei tendo surtos. Fui internado em clínicas de tratamento químico e psicótico", lembra.
Aos 24 anos, ele estava "limpo". Conseguiu emprego, iniciou faculdade e casou, mas não por muito tempo. Confiante de si, um deslize durante uma comemoração em um bar fez com que ele voltasse a beber e a usar drogas. Logo, o descontrole pairava e nem casamento, nem emprego e nem a faculdade resistiram.
"Cheguei ao meu fundo do poço pela segunda vez, após sentar em um barzinho e acreditar que e eu tinha controle de tudo. Foi só em 2011, depois de conhecer o NA, que passei a me admitir como um adicto. Aprendi a dizer não", cita Carlos.
Ainda membro do NA, ele conta ter estabilizado sua vida novamente. Formou-se em jornalismo, passou em um concurso e se casou de novo. Hoje, aos 41 anos, morador do Jardim Godoy, ele possui dois filhos e ajuda outras pessoas a largarem o vício. "Ainda assim, todo o dia mentalizo: só por hoje eu não posso dar nenhum gole", pontua. "Brinde com os amigos só se for de água, refrigerante ou café", acrescenta brincando.










