| Douglas Reis |
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| Engenheiro agrônomo Marcelo Laurino: "Tendência nacional" |
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| João Nabuco palestrou durante Simpósio de Agricultura Orgânica e Feira de Troca de Sementes |
Contra o uso de todo e qualquer produto químico sintético, a agricultura orgânica fez com que o interesse por sua prática dobrasse em Bauru e região, conforme estimativa do Sindicato Rural de Bauru. Tal demanda, segundo o órgão, é provocada pela exigência do consumidor quanto à qualidade dos alimentos que ingere. Na última quarta-feira, o tema foi discutido durante o 1.º Simpósio de Agricultura Orgânica e Feira de Troca de Sementes e Mudas do Centro-Oeste Paulista, no Recinto Mello Moraes.
Uma das organizadoras do evento, a coordenadora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em Bauru, pelo Sindicato Rural do município, Cleusa Evaristo, explica que a demanda por capacitações nesta área só cresce.
De acordo com ela, o consumidor está mais exigente quanto à qualidade dos alimentos. "É uma demanda mundial, afinal, as pessoas passaram a pensar nas próximas gerações, no uso racional do solo, enfim, em serem sustentáveis", justifica.
Logo, muitos produtores optam pela agricultura orgânica, que não permite o uso de produtos químicos sintéticos, prejudiciais à saúde humana e, também, ao meio ambiente.
Ainda segundo Cleusa, o produto da agricultura orgânica agrega maior valor. "A durabilidade é grande e, claro, além de vender frutas e hortaliças, o produtor comercializa qualidade de vida", argumenta.
TENDÊNCIA NACIONAL
Já o engenheiro agrônomo e auditor fiscal federal agropecuário, Marcelo Laurino, revela que esta tendência de crescimento do interesse pela agricultura orgânica também ocorre em nível nacional, principalmente, porque ninguém gosta de "usar veneno".
Para Marcelo, o controle de pragas pode ser feito de forma simples, por meio da investigação das suas causas. "As doenças são provocadas pela nutrição errada das plantas. Nós as sobrecarregamos de substâncias solúveis e elas absorvem alguns nutrientes em detrimento de outros. Como ficam desequilibradas, a natureza se encarrega de eliminá-las, através das pragas", informa.
Portanto, o engenheiro agrônomo esclarece que, na agricultura orgânica, via de regra, o produtor procura estruturar os sistemas desequilibrados - com adubação, diversidade de culturas e seleção genética -, fato que torna o uso da química desnecessário.
Quem descobriu esta prática e não mais a abandonou foi a produtora rural Eneida Muniz Carrasco, de 54 anos, cujo sítio está localizado entre Agudos e Bauru.
"Por falta de informação, era adepta à agricultura convencional, porém, há dez anos, tive acesso à orgânica. É mais do que plantar, é um modo de vida, já que aprendi a não desperdiçar alimentos, por exemplo", completa.
Eneida, inclusive, possui dois hectares de área orgânica, de onde saem 120 cestas - de 60 produtos diferentes, como frutas, legumes, hortaliças e Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) - por semana.
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