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A expectativa de que a retomada de investimentos fará Bauru reviver um passado recente de economia aquecida e se tornar um verdadeiro "canteiro de obras" anima setores locais da construção civil e do poder público. Atualmente, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) contabiliza 44 grandes empreendimentos em processo de licenciamento ou já em fase de construção na cidade. Ao todo, somam 24.407 unidades habitacionais, sendo mais de 70% delas localizadas nas zonas norte e oeste do município. "São empreendimentos em diferentes fases de implantação. O número é, no mínimo, cinco vezes maior do que há 18 meses. É algo que não se via em Bauru há muitos anos", pontua a titular da pasta, Letícia Kirchner.
Um dos fatores que favoreceram o otimismo do setor foi a definição do cenário político federal, com a promessa de manutenção da austeridade fiscal no País e consecutivo controle das taxas de inflação e de juros para financiamentos imobiliários.
Em âmbito local, outro motivo foi a recente aprovação da expansão do perímetro urbano da Área de Proteção Ambiental (APA) Água Parada, que ampliou as possibilidades de ocupação imobiliária para estes empreendimentos.
Segundo Letícia, há, entre os 44 projetos, tanto edificações verticais quanto loteamentos e conjuntos habitacionais localizados em áreas mais afastadas do espaço urbano mais adensado de Bauru.
| Samantha Ciuffa |
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| Diretor regional do Sinduscon-SP, em Bauru, Ricardo Aragão |
Eles deverão atender populações com perfis variados, incluindo famílias com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 4 mil, que poderão recorrer ao Programa Minha Casa Minha Vida.
"A expectativa é de que, em 2019, muitos empreendimentos que estão em processo de aprovação na Seplan iniciem as construções, o que irá gerar empregos na área e movimentar o comércio de materiais de construção na cidade. É toda uma cadeia que vai fazer Bauru voltar a ser um canteiro de obras", analisa a secretária de Planejamento.
EQUIPE DOBRADA
| Samantha Ciuffa |
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| Letícia Rocco Kirchner, Secretária Municipal de Planejamento |
Devido ao sensível crescimento da demanda, ela conta que dobrou a equipe de funcionários atuando na divisão responsável pela aprovação de grandes empreendimentos, que possuem número superior a 100 unidades habitacionais.
"Fizemos alguns remanejamentos internos e também contratamos servidores. Agora, são em torno de dez profissionais", pontua, destacando que o tempo médio para conclusão do processo de aprovação de cada projeto é de cerca de um ano.
OTIMISMO
Diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) em Bauru, Ricardo Aragão, aponta que a onda de otimismo é reforçada pelo comportamento das instituições bancárias, que já estão procurando as construtoras para oferecer financiamentos que viabilizem os empreendimentos.
Ele avalia, no entanto, que os projetos só se transformarão em tijolo, ferro e concreto se o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, conseguir, de fato, manter as contas públicas controladas, favorecendo a manutenção das taxas de juros para financiamentos em níveis baixos.
"Se ele fizer a parte dele e tudo correr bem, no segundo semestre do ano que vem, talvez até um pouco antes, deveremos ter uma série de lançamentos na cidade", frisa.
A continuidade da recuperação das vagas de emprego perdidas durante a crise, mesmo que em ritmo lento, também é considerada importante neste processo, visando não abalar a confiança dos potenciais compradores, para que se sintam seguros em assumir dívidas de longo prazo.
Empreendimentos populares devem liderar os pedidos de aprovação
| Samantha Ciuffa |
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| Pegorin é um dos diretores do Sindicato da Habitação em Bauru |
Os 44 empreendimentos com pedidos de aprovação na Seplan atendem a um perfil variado de público, mas o alvo de boa parte deles são as famílias de classe média e média baixa, que ganham até R$ 7 mil e podem obter financiamento por meio do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). "O comprador tem uma taxa de juros mais baixa, o que facilita o acesso da população", comenta Ricardo Aragão, do SindusCon-SP.
Segundo Bruno Pegorin, um dos diretores do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em Bauru, a maior parte dos empreendimentos deve privilegiar apartamentos de dois dormitórios para atender tanto o MCMV quanto o mercado tradicional. Para este último, porém, a expectativa é de que os apartamentos tenham área construída um pouco maior do que a dos anos anteriores.
"Não havia muita demanda para isso. Agora, os bancos devem garantir uma maior oferta de crédito para incentivar este público, que depende mais da própria renda, já que precisa dar uma entrada maior e paga taxa de juros maior por não se enquadrar no programa federal", detalha.



