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Dos três médicos cubanos, dois decidem ficar na cidade de Avaí

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução/Facebook

Prefeitura de Avaí/Divulgação
Na foto, a médica Maudlys está ao lado do médico Niolexi Marrero Rodriguez, que voltou para Cuba, e de German; médicos cubanos trabalhavam no Programa Saúde da Família (PSF) de Avaí

Avaí - Dos três profissionais cubanos que atuavam em Avaí (39 quilômetros de Bauru) pelo "Mais Médicos para o Brasil", dois decidiram permanecer no Brasil após decisão de Cuba de deixar o programa. Durante três meses, eles contarão com ajuda financeira de empresários para se manterem. Os médicos apostam no Revalida para poderem continuar exercendo a medicina no país, mas revelam que, até que o exame seja realizado, tentarão uma vaga de emprego em qualquer área.

Os médicos cubanos que continuam morando em Avaí são German Fernandez Rosabal e Maudlys Ramirez Olivares. Na semana passada, eles deixaram de atender no Programa Saúde da Família (PSF) do município por força do fim do acordo de cooperação entre Cuba e Brasil para o programa federal. Porém, com família constituída na cidade, e em razão do vínculo criado com a comunidade, decidiram continuar vivendo em Avaí.

German, que deixou pai, irmão e um filho em Cuba e está na cidade desde março de 2014, acredita que não sofrerá nenhuma represália do governo cubano pelo fato de possuir família no Brasil. "Sou casado e tenho uma filha de nove meses", diz. "Eu não estou obrigado a voltar para lá. Como tenho família aqui, tenho residência permanente, não sou obrigado a voltar. Não é o caso de outros médicos, que pediram refúgio".

O médico revela que despedir-se dos seus pacientes não foi uma tarefa fácil. "Aqui a gente se sente muito querido pela população, muito respeitado. Todo mundo quer a gente. Teve gente que até chorou pensando que a gente estava indo embora. Eles não queriam que a gente saísse daqui. Acabam se acostumando com o atendimento que a gente dá para eles e com o carinho na consulta", declara.

Para ele, a ajuda financeira que receberá de alguns empresários locais pelos próximos três meses será importante para que consiga sustentar sua família. "A gente está procurando trabalho agora", conta. "Como médico a gente não pode porque, como nosso país saiu do programa, automaticamente, o CRM (registro no Conselho Regional de Medicina) expirou. E, sem o CRM, a gente não pode trabalhar como médico".

Apesar da necessidade imediata de atuar em qualquer ramo, German revela que não pretende abandonar a medicina e que irá fazer o Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira), obrigatório para que médicos formados em outros países possam exercer a profissão no Brasil. "Só que a gente não sabe se vai sair agora em janeiro, como tinha prometido o presidente, ou se será em junho, julho, agosto, como costumava sair", afirma.

A médica Maudlys, que é casada com um cubano residente permanente no Brasil e está em Avaí desde 2017, relata que, com a saída do Mais Médicos e a decisão de continuar no país, teme mais as eventuais dificuldades financeiras que sua família poderá enfrentar do que uma suposta represália política. "A gente aqui tem mais oportunidade de crescer financeiramente. Eu ajudava minha mãe, minha irmã, minha família que ficou em Cuba. Agora estou sem trabalho, sem nada", diz.

Ela também anuncia que fará o Revalida no ano que vem. "Por enquanto, a gente tem que trabalhar em qualquer outra coisa para poder viver", declara. A médica definiu como uma grande perda a saída do Mais Médicos. "A população da cidade estava bem acostumada com a gente. A gente trabalhou muito bem. Nunca tivemos uma queixa de nenhum paciente. Está sendo bem difícil para a gente porque, do nada, perdemos todos os sonhos que a gente tem", desabafa.

Ajuda de custo

O prefeito de Avaí, André do Neto (PSD), conta que os médicos cubanos recebiam do município ajuda de custo no valor de R$ 3,5 mil para despesas com moradia e alimentação. "Fica aberta uma lacuna imensa no coração de todos nós, avaienses. Eles são muito mais do que 'simples médicos cubanos'. Na verdade, eles fazem parte de nossas famílias. São seres realmente iluminados que só fizeram o bem à comunidade avaiense. Só temos a agradecer por tudo", diz. A cidade irá receber, em breve, três novos médicos brasileiros do Programa Mais Médicos.

 

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