Gastronomia

Entrevista da semana: Marcos Wanderley Ferreira

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Divulgação
Marcos Wanderley Ferreira é presidente da Associação dos Engenheiros da Noroeste do Brasil, da Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários e vice-presidente da regional Bauru do Sindicato dos Engenheiros de SP

Marcos Wanderley Ferreira descobriu desde cedo o significado da palavra liderança. Bisneto do pioneiro italiano Antônio Quaggio, um dos fundadores de Bauru, ele seguiu os passos dos antepassados, cravando sua vida com trajetória de destaque no município. Aos 69 anos, o engenheiro civil, pós-graduado em engenharia de segurança do trabalho pela USP, acumula histórico de cargos na presidência de importantes entidades do município, como a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag), Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a delegacia de Bauru do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEESP), a Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários (FAEF), entre outras.

Esteve à frente de discussões que permearam um dos momentos mais emblemáticos da história da cidade, quando a malha ferroviária passou a ser desativada.

Funções importantes, mas que para ele não tornaram impossível a missão de conciliar  vida e família. Casado, pai de três filhos e avô, Markito, como é carinhosamente chamado por familiares e amigos, é cozinheiro de mão cheia nas horas vagas e tem até livro de receitas publicado.

A arte também ocupa parte da rotina do engenheiro, que desde a juventude desenha e produz telas com tinta óleo.

JC - Em que região de Bauru você passou sua infância? De onde surgiu o apelido Markito?

Marcos Wnaderley - Fui criado no Centro, perto da alfaiataria do meu pai, que era na Ezequiel Ramos. Sou filho único de Waldemar Ferreira (em memória) e Elza Maria Rodrigues Ferreira. Meu pai chegava a trabalhar 12 horas por dia e a minha mãe o ajudava nas costuras, mas nunca trabalhei com eles. Sempre me deixaram brincar e estudar. Meu apelido surgiu na primeira série no Colégio Guedes de Azevedo. Eu estudava com o João Bidu e ele ajudou a colocar esse apelido, que acabou pegando ao longo da vida.

JC - Foi nessa época que você se interessou por arte? Qual foi sua influência?

Marcos - Eu sempre gostei de pintura e me lembro que havia um artista no antigo Cine Bauru, o Peres Filho. Ele reproduzia as cenas dos filmes com desenhos para fazer a propaganda lá na frente. Quando tinha 12 anos, eu participei de um curso com ele para desenhar com carvão e tinta óleo. A partir daí, meu interesse aumentou. Aos 17 anos, eu fiz outro curso, no Antigo Belas Artes, que acontecia na Fundação, atual Unesp.

JC - E a engenharia surgiu quando? Houve alguma inspiração para seguir a área?

Marcos - Ainda no colegial, por volta de 1965, o colégio direcionava os alunos por áreas. A minha era exatas. Na época, começaram a surgir prédios e viadutos em Bauru. Ver aquelas construções me inspirou demais e a Unesp havia acabado de criar o curso. Eu ingressei na segunda turma de engenharia e me formei em 1972.

JC - Você é membro do PTB desde 2010 e também foi filiado ao PMDB (atual MDB), em que momento a política te cativou? 

Marcos - No colegial, eu já participava de diretório, fui da comissão de formatura também, promovíamos churrascos e festas. E, quando entrei na faculdade, foi automático, me envolvi com o movimento estudantil. Organizamos a primeira greve da Unesp e lembro que teve até intervenção policial, discordávamos do ensino de algumas matérias. Nossa turma era muito unida, nós que criamos a Ciente, a única boate que Bauru tinha na época. No último ano da faculdade, me envolvi com a Assenag e, depois, com outras várias entidades. Esse engajamento todo me aproximou da política.

JC - Você tem pretensão futura de assumir ou concorrer a algum cargo político? 

Marcos - Não. Sou membro porque gosto de estar por dentro de tudo o que acontece na cidade, para discutir e poder ajudar apontando soluções. O Tidei até quis me lançar como vereador, mas eu pulei fora (risos). Gosto do bastidor.

JC - Além de presidente da Assenag, que outras funções de destaque você assumiu em outros órgãos?

Marcos - De 1975 a 1990, eu ocupei o cargo de assessor da diretoria da Indústria Madeireira Freudenberg S.A. Em 1976, eu ingressei nos quadros da Rede Ferroviária Federal S.A.,ocupando vários cargos até 2001, quando me aposentei. De 2008 a 2011, fui superintendente de planejamento do CREA SP, e sou conselheiro. Assumi a vice-presidência da Assenag em 1974 e fui presidente de 2004 a 2008. Em 1976, ingressei na Associação dos Engenheiros e fui presidente em vários mandatos, inclusive, sou até hoje. No Sindicato dos Engenheiros,ocupei a presidência da delegacia sindical de Bauru por três mandatos e atualmente sou vice-presidente. Na Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários sou presidente até hoje.

JC - Quais principais bandeiras e assuntos defendidos por você ao longo desta jornada de liderança nessas entidades?

Marcos - A luta contra a concessão das ferrovias. Foi um momento difícil. Quando houve a entrega tivemos que lidar com a demissão em massa. É um assunto que me fez viajar diversas vezes para Brasília e até hoje tentamos reverter a situação. À frente da Assenag, também travamos uma luta contra o aumento do IPTU pela prefeitura sem a correção da planta genérica. Reunimos várias entidades para postergar isso.

JC - Você lidera um levantamento sobre a história dos 52 anos da Assenag, o que mais tem chamado sua atenção na pesquisa?

Marcos - A Assenag não tinha sede própria até os anos 90 e a história se perdeu. Na nossa pesquisa, entrevistamos todos os ex-presidentes e o que mais me chama atenção é que muitos choram emocionados ao relembrarem sua história. É algo que me comove.

JC - De que forma a engenharia pode contribuir para melhorar Bauru?

Bauru - A engenharia contribui em tudo, porque a falta de infraestrutura cria problemas na Saúde. É a engenharia que resolve o abastecimento de água e esgoto e o problema do lixo, por exemplo. Temos um grande problema na rede pluvial. Ela é pequena demais, porque não houve investimento em engenharia. Como é algo que não aparece muito, os governantes deixaram de lado. 

JC - Além de ter um livro de receitas publicado, você participou de um programa na TV Bandeirantes?

Marcos - Sim. Foi em 1986, no programa TV Mulher da TV Bandeirantes. Fiquei no ar por oito meses preparando pratos com receitas minhas. O programa era gravado uma vez por semana e ia ao ar de segunda a sexta. Era uma festa, eu reunia os amigos em casa para comer. Hoje, cozinho para a família e amigos. E em eventos da Assenag.

JC - Planos futuros?

Marcos - Continuar cozinhando, pintando e participando da vida política e das entidades de Bauru, mas só nos bastidores e fora dos cargos de presidência.

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