Tribuna do Leitor

AI-5, uma lição para não esquecer

Márcio M. Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

No JC do último domingo, os 50 anos do AI-5 foram lembrados com tristeza pelo sr Darcy Rodrigues, ex-sargento do Exército, que depois fugiu do quartel de Quitaúna com o capitão Lamarca.

Darcy tornou-se membro do VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Movimento terrorista que cometeu atentados terroristas nos anos de 1968 e 1969. Preso no Ribeira na guerrilha e exilado, voltou ao Brasil com a Lei da Anistia e foi ainda indenizado pela comissão da verdade, recebendo após a patente de capitão.

O fato deve ser lembrado, como fez o sr Darcy, por ser uma página negra da história brasileira. Acredito que junto com a escravidão é nossa pior página histórica. O que não foi explicado e a meu juízo deveria é que o AI 5 que suspendeu todos os direitos e garantias individuais e durou por dez anos foi provocado pela equivocada opção de jovens esquerdistas da época, como o próprio sr Darcy, pela chamada "luta armada" que incluiu atentados e assalta a bancos, inclusive com a morte de inocentes.

Como a explosão, meses antes do AI-5, de um carro bomba no quartel de Quitaúna matando de forma cruel e covarde o soldado Mario Kozel Filho, tivemos o estopim, que levou a linha dura do exército a prevalecer e a editar o AI-5. Generais como Costa e Silva, Médici, Orlando Geisel, Almirante Rademaker e o Brigadeiro Brunier, de linha dura, contra a linha mais "Sorbone" mais soft de Castelo Branco, que queria devolver o poder aos civis, junto com a democracia.

A vontade da VPR não era restaurar uma democracia, como hoje quer nos fazer crer o sr Darcy ou a sra. Dilma Rousseff, e praticamente toda esquerda. Mas sim uma ditadura de esquerda (do proletariado) aos moldes mal sucedidos de Cuba ou da antiga URSS. Queriam, isto sim, substituir uma ditadura de direita por outra de esquerda.

O AI-5 é um remédio muito amargo, sem dúvida, e sua aplicação totalmente lamentável, mas deve em grande parte ser debitado na conta da irresponsabilidade, de pessoas como Dilma, Darcy e outros e líderes como Lamarca e Marighela, que acreditaram que conseguiriam com as armas conquistar seus intentos "revolucionários".

A lição que tiramos deste episódio passados mais de 50 anos é que com todos seus defeitos a "democracia" dos homens livres é, e sempre será, apesar de suas falhas, o melhor regime para combater o autoritarismo e que a violência só leva a mais violência. Neste episódio ficou provado que a luta foi ganha pela resistência pacífica do povo e de políticos moderados como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Fernando Henrique, Brizola, Arraes, Juscelino. Nunca por um grupo radical que caminhou para o terrorismo, achando que os fins justificam o meio e só levando a radicalismo da outra parte.

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