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Entrevista da Semana: Padre Leonildo Minutti e pastor Luiz Roberto Minutti

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

A fé e o sangue os unem

Malavolta Jr.
Padre Leonildo Minutti Junior e seu irmão pastor Luiz Roberto Minutti: lição de ecumenismo e de amor a um único Deus

Irmãos de sangue e irmãos de fé. Filhos de lavradores e nascidos em Mineiros do Tietê (65 quilômetros de Bauru), Leonildo Minutti Júnior e Luiz Roberto Minutti, hoje, respectivamente, padre e pastor, são um ótimo exemplo, neste domingo que antecede o Natal, de como o amor sempre deve se sobrepor às diferenças doutrinárias de cada crença.

Atual pároco do Santuário Sagrado Coração de Jesus, localizado no Jardim Panorama, o padre Leonildo contabiliza quase 30 anos de sacerdócio. É quase o mesmo tempo que seu irmão Luiz Roberto possui como pastor auxiliar da Igreja do Evangelho Quadrangular, na Vila Santista.

Juntos, inclusive, eles já protagonizaram celebrações ecumênicas e até celebraram um casamento da própria família.

Além da religiosidade, os irmãos dividem ainda um apreço pela cozinha, inspirados pela mãe Ilídia Minutti. Cozinheiro de mão cheia, o padre Leonildo trabalhou por anos com Luiz em uma padaria da família na cidade. O pastor, inclusive, se aposentou na função de panificador.

Malavolta Jr.
Entrevista da SEmana com o padre Leonildo Minutti Junior e o seu irmão o pastor Luiz Roberto Minutti

Jornal da Cidade - Como foi a infância de vocês e quando vieram morar em Bauru?

Pastor Luiz Roberto - Nossa infância foi em sítios. Meus pais eram lavradores e nós os ajudávamos, mas também tirávamos tempo para brincar, subir em árvores e nadar em represas. Eu passeava mais com os irmãos mais velhos, porque nossa diferença de idade era menor. Somos em oito irmãos. Eu sou o terceiro mais velho e o Leonildo é o quinto. Depois que meu avô vendeu o sítio, meu pai chegou a administrar uma fazenda em Jaú, mas acabamos vindo para Bauru, no final de 1965, para recomeçar a vida.

JC - Como era a vida antes do envolvimento com a vocação religiosa?

Padre Leonildo - Meu tio era dono de uma padaria que ficava entre as ruas Joaquim da Silva Martha e Antônio Alves. Todos os meus irmãos passaram a trabalhar na padaria. Trabalhei por 11 anos lá. Depois, fui para uma empresa que fabricava ceras, antes de entrar para o seminário de fato, aos 26 anos.

JC - E o senhor, pastor Luiz, ficou até se aposentar trabalhando em padaria?

Pastor Luiz Roberto - Sim, eu atuei como forneiro e padeiro em várias padarias de Bauru. Encerrei a carreira de fato em 2006, em uma padaria no Jardim América, mas, até hoje, tenho alguns trabalhos. 

JC - Como foi quando a religiosidade entrou, de fato, em suas vidas?

Padre Leonildo - Nossa família sempre foi religiosa. Minha mãe rezava muito e meu pai tinha primas religiosas (freiras). Meu avô sempre recebia padres e seminaristas no sítio também. Quando mudamos para Bauru, eu frequentava a Igreja São Cristóvão e, uma vez, depois de uma missa, o padre Caetano me chamou e perguntou se eu queria ser padre. Eu respondi que nunca tinha pensado nisso, devia ter uns 11 anos. Junto ao monsenhor Almir, o padre foi até minha casa e conversou com meus pais. Eu passei um ano no seminário. Depois, saí e fui estudar. Fiz colegial e um ano de Administração na ITE. Aos 26 anos, voltei para o seminário e fui estudar Filosofia e Teologia, em Marília. Minha ordenação presbiteral foi em março de 1991. Atuei na São Cristóvão, que era perto de casa. Depois, na igreja que leva o mesmo nome em Piratininga e em Duartina. Também fui padre na Catedral, na Paróquia Sagrada Família e, agora, estou no Santuário. O padre José Lorusso foi minha grande inspiração.

Pastor Luiz Roberto - Eu conheci minha atual esposa em uma festa de São Cristóvão e, quando começamos, a namorar, ela me contou que era evangélica e me convidou para ir a uma igreja, no Bela Vista. Eu fui e gostei. Algo mexeu comigo naquele dia. Mas fui entrar de cabeça mesmo na doutrina depois que casei, quando fiz o curso de obreiro, antes de o meu filho nascer. Minha grande inspiração foi a pastora Maria Helena, a quem eu auxilio até hoje na Quadrangular.  

Fotos: Arquivo Pessoal
Leonildo Minutti Junior e Luiz Roberto Minutti com os irmãos Maria Terezinha Minutti, Antonio Carlos Minutti, João Carlos Minutti, Alice Helena Minutti, Sebastião Renato Minutti e José Carlos Minutti e a mãe Ilídia Chiquito Minutti

JC - Porque o padre Leonildo ficou conhecido como o 'padre bombeiro'?

Padre Leonildo - Porque, quando atuei na Paróquia Sagrada Família, fiquei responsável por outras três paróquias de outros bairros. Faz parte do ofício. Nós nos dividimos o quanto conseguimos para ajudar todos.

JC - Algo mudou na relação de vocês ou da família quando o Luiz Roberto passou a ser pastor, seguindo caminhos diferentes da religião que a maior parte da família era adepta?

Amor materno: Leonildo e Luiz Roberto com a mãe Ilídia Minutti

Pastor Luiz Roberto - Não! O Leonildo é um dos irmãos que eu mais converso e mais tenho intimidade. Sobre a família, eles sempre aceitaram bem, minha esposa é quem cuida da minha mãe, hoje, inclusive. Acho que até aumentamos os nossos laços. Nunca existiu esse preconceito e nem vai existir, porque há respeito e amor. Não somos uma família perfeita. Temos nossos entraves como todo mundo, mas estamos sempre juntos e nos respeitamos muito acima de tudo.

JC - E nos almoços e encontros de família, quem puxa a reza?

Padre Leonildo - Nós dois fazemos nossas orações e, depois, rezamos todos juntos um "Pai Nosso". Mas, quem cozinha nos almoços, geralmente, sou eu (risos).

Claudemir Pedrozo/Divulgação
Pastor Luiz realiza casamento de seu filho em culto ecumênico junto com seu irmão padre Leonildo

JC - E, nesse caso, o senhor leva a sobremesa, pastor?

Pastor Luiz Roberto - Às vezes, até porque o bolo do Leonildo é muito bom mesmo. Eu sou o padeiro e arrisco como boleiro, mas ele já fez bolos bem melhores, confesso. Outros três irmãos nossos cozinham bem também.

JC - Vocês já celebraram eventos ecumênicos juntos?

Fotos: Malavolta Jr.
Pastor há mais de três décadas Luiz Roberto Minutti

Pastor Luiz Roberto - Sim, há dois anos nos reunimos no Santuário para uma celebração no Dia de Ação de Graças. Em 2017, voltamos a nos reunir. E, em setembro deste ano, meu filho se casou em uma celebração ecumênica realizada por nós dois em um chácara aqui em Bauru. Inclusive, recentemente, meu irmão foi convidado para ministrar uma palestra na Congregação Cristã.

JC - Em um mundo cada dia mais intolerante, no qual as próprias religiões não se entendem, por muitas vezes, como vocês fazem para manter tanta amizade e cumplicidade? Qual mensagem deixariam, nas vésperas do Natal, nesse sentido?

Padre Leonildo - O que nos separa são as doutrinas. Cada igreja tem a sua e não conversamos sobre isso. O Luiz sempre respeitou as imagens santas em casa também. Tem muita gente que pergunta sobre isso, mas, para nós, não é um problema. Há muito respeito e amor. Isso é o fundamental. Vejo que o Papa Francisco tem caminhado nesse sentido.

O padre Leonildo Minutti Junior

Pastor Luiz Roberto - Procuramos nos unir naquilo que é o essencial: o amor, a vida, o perdão, a misericórdia. Se houvesse entre as famílias esse respeito, tolerância e acolhimento ao que é diferente, o mundo estaria bem melhor.

Perfil

Nome: Luiz Roberto Minutti

Idade: 68

Signo: câncer

Esposa: Sidnez dos Santos

Filhos: Davi e Filipe

Filme: Os 10 mandamentos

Livro de cabeceira: Bíblia

Música: gospel e sertanejo

Ídolo: mãe Ilídia Minutti

Cor: Prata

Palavra preferida: respeito 

Hobby: fazer bolos

Para quem dá nota 0: políticos atuais

Para quem dá nota 10: Ilídia Minutti

Contato: (14) 99768-2423

Perfil

Nome: Leonildo Minutti Júnior

Idade: 63 anos

Signo: gêmeos

Filme: Love Story e Os 10 Mandamentos

Livro de cabeceira: Bíblia

Música: Clássica e MPB

Ídolo: São Francisco de Assis

Cor: azul

Palavra preferida: amor

Hobby: cozinhar

Para quem dá nota 0: para a intolerância

Para quem dá nota 10: Ilídia Minutti

Contato: peleojr@terra.com.br

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