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Entrevista da semana: banda Acústicos & Calibrados

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Marcião, Xavier, Euler e Rica: postura roqueira... sem sisudez

Pode parecer mais uma daquelas lendas do rock, mas os quatro irreverentes amigos que formam a banda bauruense Acústicos & Calibrados também sabem falar sério. O bastante.

O humor robusto (brincadeira, caras) é mesmo o ingrediente mais presente, inclusive nas músicas autorais. Mais do que humor, ironia. Mais do que ironia, realidade. "Cantamos o que vivemos", resume o baterista Euler Silva.

O grupo fica completo com o baixista Marcio Lanzarini, o vocalista e guitarrista Thiago Xavier e o guitarrista Rica Nogueira. Como são quatro cabeças pensantes, melhor deixar que eles mesmos contem tudo e não escondam (quase) nada.

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Euler: "Banda deve ensaiar. Um bom ensaio é fundamental"

Jornal da Cidade - Afinal, correto é Calibrados ou Acústicos & Calibrados?

Xavier - Ambos estão certos, mas o nome registrado é mesmo "Acústicos & Calibrados". O que rola é que temos procurado enfatizar o "Calibrados".

Rica - Pode chamar de qualquer um dos nomes que a gente atende. É igual chegar perto da gente e gritar: 'Oh gordão!!!'. Todos vão imediatamente atender (até o Xavier que é magro).

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Xavier: "A gente se prepara e tenta ficar à vontade no palco"

Euler - Para além do nome em si temos vários formatos de show, plugados e acústicos, autorais e tributos. Começamos com apresentações exclusivamente acústicas com violões e uma percuteria [peculiar bateria desenvolvida por Euler]. 

Marcio - Ambos funcionam, mas o termo "Calibrados" realmente facilita em buscas, links e memorização.

JC - Quem batizou a banda e com qual inspiração?

Xavier - Nosso primeiro nome foi Triblues e combinamos de usá-lo até que a gente pudesse definir melhor. Como brincadeira e fazendo alusão/homenagem à banda gaúcha Acústicos & Valvulados, sugeri Acústicos & Calibrados, remetendo também à "veia etílica" do nosso grupo. Todos gostaram da sugestão e adotamos o nome definitivamente.

JC - Qual a importância da amizade para uma vida longa de uma banda?

Xavier - A amizade é mais importante que a técnica musical.

Rica - Faz as coisas acontecerem e os obstáculos serem superados.

Euler - Amizade é essencial, falo por mim, não sei ser "side" (músico freelancer), preciso de um elo de amizade para que me aguentem por 10 anos.

Marcio - Talvez bandas milionárias do "mainstream" sobrevivam sem, mas para seres normais como nós, com certeza a amizade é o primeiro item da receita para seguir em frente.

JC - Como deixar as diferenças de opinião e de personalidade de lado em nome do grupo?

Xavier - É preciso ter o mesmo objetivo para isso acontecer. Como um casamento, as partes fazem concessões recíprocas pro bem comum.

Euler - Muitos olham uma banda como um grande namoro entre vários integrantes. Cessões e concessões são feitas em prol de um objetivo comum, que é ser feliz e empreendedor fazendo o que gosta. Nos amamos. Por isso brigamos e também por isso seguimos convictos de que estamos com os caras certos. No melhor dos sentidos!

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Marcio: "Do primeiro show lembro... da ressaca. Foi forte"

Marcio - Tem que ter muita opinião e personalidade para deixar a opinião e personalidade de lado em prol da banda [rsss].

JC - Que situação mais insólita os Calibrados já encararam juntos?

Xavier - Aconteceu muito recentemente. Chegamos para passar o som em um estabelecimento e ficamos esperando o técnico chegar para entrarmos. Quando ele veio, nos disse que a dona havia falecido naquele mesmo dia e que ele não estava com as chaves do local. Tínhamos de passar o som naquela hora, pois o show estava contratado há bastante tempo e teríamos outras apresentações no dia. A solução não podia ser mais delicada e embaraçosa: tivemos de ir ao velório buscar as chaves. Pra piorar, quando estávamos, enfim, passando o som, coisas estranhíssimas aconteceram... portas abriam e fechavam... o som desregulava sozinho... Levamos um tempo absurdamente maior para terminar a passagem de som... tudo por conta desses "fenômenos". Esse dia foi louco.

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Em versão desenho (arte de Xavier) 

Marcio - Rolaram muitas coisas malucas, algumas até impublicáveis, mas concordo com o Xavier: esta foi a mais insólita.

JC - Qual a principal virtude da banda?

Xavier - Acho que a irreverência.

Rica - Acredito que seja a obesidade. Não chegaríamos a lugar algum sem nossas barrigas.

Euler - A honestidade de apresentar o que somos. Somos isso aí que propomos. Cantamos o que vivemos.

Marcio - Bem, a enorme força de vontade e resistência de nossos fígados.

JC - Onde o grupo ainda tem potencial de avançar mais?

Xavier - Acredito que no nosso trabalho autoral.

Rica - Sempre e muito. Tanto nos trabalhos que realizamos hoje quanto no nosso trabalho autoral. O céu é o limite.

Euler - Adoramos as nossas versões, somos loucos pelas nossas influências, como Creedence Clearwater Revival, mas sabemos que só a nossa música, a nossa poesia musicada, nos fará saltar alguns degraus nessa longa estrada!

Marcio - É preciso se reinventar o tempo todo e, para isso, precisamos estar sempre prontos para novas tentativas.

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