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Férias: como dividir tempo dos filhos entre eletrônicos e outras atividades

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 7 min

Malavolta Jr. e Douglas Reis
Ellen Cristina Souza Silva e o filho, João Lucas, de 3 anos: "Só de vez em quando ele pega o meu celular para assistir vídeos"
Psicólogo Jeremias Eliseo de Mello: dê limites naturalmente

Quando as férias chegam trazem na mala uma preocupação e difícil missão para muitos pais. Como fazer com que os filhos, hoje plugados, intercalem atividades mais saudáveis com os games, aplicativos e demais estímulos do universo eletrônico? O psicólogo do Instituto de Neuropsicopedagogia de Bauru Jeremias Eliseo de Mello não recomenda que as crianças e adolescentes passem mais de uma hora direto, por dia, plugadoss em games ou aplicativos e alerta que o excesso e a não mediação dos pais neste processo pode acarretar problemas sérios no futuro dos pequenos. Brincadeiras simples e passeios de lazer ajudam a driblar eletrônicos (leia mais abaixo).

Quando Caic nasceu, Ellen Cristina Souza Silva, 34 anos, trabalhava 12 horas diárias. A falta de tempo fez com que a família recorresse aos games para manter o filho entretido e seguro dentro casa, principalmente nas férias. E deu certo, mas hoje, aos 14 anos, Caic continua tendo o game como sua principal atividade ao longo do dia, depois da escola, o que, por vezes, acaba gerando conflitos entre ele e a família.

"Nas férias, ele acorda, almoça e vai para o jogo online. Fica o dia todo no videogame, às vezes, vai até meia-noite e só pausa para comer. Ele se esquece das obrigações e tenho que ficar pedindo", comenta Ellen. "Mas, agora, que está namorando, conseguimos diminuir. Só que já deu até briga, porque nem a namorada aguenta ficar tanto tempo nos jogos", completa a mãe.

Como forma de driblar o vício aos games, Ellen diz que sempre o convida para ir aos shoppings, ao cinema ou para comer. "Busco dar o máximo de atenção. Porque quando ele nasceu era meu primeiro filho e não conseguíamos ser tão presentes. Se eu pudesse voltar no tempo faria tudo diferente", enfatiza.

Atuando como Uber, hoje, Ellen faz seu próprio horário e se permite folgar nas férias escolares para passar mais tempo com Caic e com João Lucas, seu caçula de 3 anos. "Procuro brincar de quebra-cabeça e de hominhos com o João todo dia. Nada de games. Só de vez em quando ele pega o meu celular para assistir vídeos. Mas não passa de duas horas por dia. Enquanto ele assiste, eu aproveito para limpar a casa".

ESTIMULAR

Segundo o neuropsicopedagogo Jeremias de Mello, crianças e adolescentes que passam horas em games, aplicativos ou eletrônicos costumam cansar mais rápido de atividades menos estimulantes. "Uma mesma brincadeira não pode passar de 40 minutos. E é preciso conversar com o filho para entender suas preferências antes de escolher o que fazer. Passeios em espaços livres e em contato com o meio ambiente são sempre boas opções", ensina o profissional.

"Os pais têm que pensar em locais que saiam da linha do consumismo. Ir a parques públicos, por exemplo, pode ser uma boa experiência, pois ajuda a criança a ter percepções do mundo e o pai pode aproveitar para ensinar várias coisas", completa de Mello.

Ele alerta, contudo, que a proibição do uso de eletrônicos é ineficaz e defende que o limite deve ocorrer de forma natural junto à criança ou adolescente.

"Os pais precisam mostrar que a presença deles é melhor do que o videogame ou celular. Toda criança gosta de passear ou de atividades lúdicas. É preciso ser ator, ser criativo. Jogar videogame com seu filho também pode ser bom, mas é uma atividade que deve durar pouco, porque força a vista e pode trazer outros problemas", fecha questão o profissional.

Onde ir em Bauru?

Confira algumas opções gratuitas de lazer em Bauru.Bosque da Comunidade - funciona das 8h às 18h, fica na rua Araújo Leite, quadra 29

Oferece: pista para caminhada, playground e exposição de locomotiva

Bosque do Geisel - funciona das 8h às 18h, fica na rua José Pires de Camargo, quadra 2

Oferece: quadra poliesportiva

Bosque Bauru 16 - o local é aberto, fica na rua Dulce Duarte Carrijo, quadra 3, no Núcleo Edson Francisco Silva

Oferece: bosque de eucaliptos, playground, campo de futebol

Bosque do Parque União - funciona das 8h às 18h, fica na rua Antonio Padilha, quadra 1

O local oferece pista de caminhada, academia ao ar livre, playground, quadra poliesportiva e ponto de hidratação

MAIS OPÇÕES

Parque Vitória Régia - aberto, fica na quadra 25 da avenida Nações Unidas

Oferece: playground, lago, pista de caminhada, área para piqueniques e descanso ao ar livre

Praças de bairros - algumas possuem playgrounds

Zoológico Municipal - funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30, e aos finais de semana até 17h30. Fica na rodovia Comandante João Barros, quilômetro 232. Crianças abaixo de 5 anos não pagam e pessoas acima de 60 pagam meia entrada, demais ingressos: R$ 4,00

Jardim Botânico - fica na mesma região, atrás do Zoo, funciona das 8h às 16h30 todos os dias. A entrada é gratuita 

Resgate brincadeiras antigas!

Pular corda

Para crianças abaixo de 5 anos os pais podem usar manobras com a corda no solo

Habilidades envolvidas: coordenação motora, ritmo, lateralidade, equilíbrio, foco e atenção 

Estátua

Habilidades envolvidas: equilíbrio, controle de impulso, atenção e foco

Bola de gude

Habilidades envolvidas: coordenação motora, orientação espacial, atenção, foco, controle de impulsos; habilidade com as mãos e raciocínio lógico

Cabaninha

Habilidades envolvidas: habilidades sociais, orientação espacial, imaginação e criatividade

Esconde-esconde

Habilidades envolvidas: orientação espacial, controle de impulsos e habilidades sociais

Casinha

Habilidades envolvidas: controle de impulsos, raciocínio lógico, habilidades sociais, criatividade, estimula noções de responsabilidade

Piquenique

Habilidades envolvidas: estimula a interação social, valorização do meio ambiente e de programas ao ar livre

Games não devem substituir presença dos pais

O neuropsicopedagogo diz que os pais não devem usar os games como forma de substituir a presença e a convivência, sob a pena de causarem danos ao futuro dos filhos.

"Atendo muita gente assim. A criança precisa do calor humano. Sem isso, ela desenvolve pouco a habilidade social, o que contribui para transtornos de humor e déficit de atenção. Os transtornos de personalidade estão ligados à infância, dos 4 aos 6 anos. É a fase eles mais precisam de atenção", aponta o psicólogo.

Há estudos que dizem que a síndrome de Borderline, por exemplo, é desencadeada no início da infância, quando as crianças são ignoradas e crescem frias e com problemas de sentimento.

7 em cada 10 acrianças adolescentes vê celular ao levantar

Que o celular se transformou na tela mais presente no cotidiano dos jovens em todo o mundo ninguém duvida. Mas parece haver exagero no uso do smartphone. Uma pesquisa online realizada pela Motorola, em março do ano passado, mostrou que 7 em cada 10 pessoas, de 10 a 19 anos, checam seu celular pela manhã, mesmo antes de sair da cama. O levantamento faz parte de uma campanha da empresa para aumentar a conscientização sobre o uso equilibrado do smartphone. 7 mil brasileiros responderam o questionário.

Este, no entanto, não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Nos Estados Unidos, 8 em cada 10 adolescentes se conectam a um dispositivo menos de cinco minutos depois de acordar. Eles enviam uma média de 100 textos por dia, 80% dormem com seus celulares e 45% nunca se desconecta.

Os números podem espantar, mas não surpreendem. Olhar o celular é, possivelmente, também  a última atividade dos adolescentes antes de irem para a cama.

Estudos internacionais em todo o mundo dizem que os mais jovens têm TV, telefone celular, computador, aparelhos de MP3 e videogame em seus quartos. Nesse contexto, parece natural que a primeira coisa que eles fazem ao acordar, seja olhar o celular.

"A presença da tecnologia no quarto gerou uma relação mais íntima entre os adolescentes e as telas ", explica Roxana Morduchowicz, doutora em comunicação pela Universidade de Paris, consultora de mídia e educação da Unesco e autora do livro "Ruídos na web". "O uso hoje é mais individual e está longe da tradicional imagem da família do século XX reunida na sala de jantar em frente à única TV da casa para compartilhar o mesmo programa. No novo milênio, as telas se multiplicaram, estão em cada cômodo e promovem uma prática mais pessoal e mais longa: ter tecnologia no quarto, significa passar mais tempo com as telas ", acrescenta a doutora.

EVITAR TELAS

Por isso, especialistas em todo o mundo sugerem que se deve evitar equipar o quarto da criança com idade escolar escola primária com tecnologia. "É melhor que as telas estejam localizadas em espaços compartilhados da casa, como uma sala, sala de jantar ou cozinha. Pesquisas mostram que, desta forma, as horas que as crianças passam com a tecnologia são reduzidas e, acima de tudo, evita-se que as usem em momentos de solidão, já que seus quartos tendem a ser territórios aos quais muitos adultos não entram", diz Morduchowicz.

Se os pais querem evitar que os adolescentes olhem para o celular antes de sair da cama, porque dormem com o celular no quarto, há uma alternativa que é fácil de implementar, conclui Morduchowicz: "À noite, deixe todos os telefones celulares na sala de jantar. Não só evitará que os jovens chequem o celular na cama ao acordar pela manhã, mas os impede de dormir com o telefone ao lado durante à noite e que estejam conectados à tela 24 horas por dia".

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