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Atletismo livra corredor de Guaiçara do vício em bebida e cigarro


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Fotos: Divulgação
Após 38 anos de dependência de bebida alcoólica e cigarro, José Cláudio mostrou superação e hoje participa de provas por todo o Brasil e dá aulas em projeto social

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Atleta ao lado da filha Ana Laura: reconciliação com a família

Quem vê hoje o corredor José Cláudio Filho, 60 anos, com suas passadas firmes e servindo de exemplo para as 50 crianças de um projeto de atletismo em Guaiçara não imagina a difícil jornada que o atleta trilhou. O funcionário público da Prefeitura de Guaiçara nasceu, em 1958, em Pernambuco, onde foi criado sem a presença do pai. Com uma infância difícil, chegou a pedir esmola para comer e trabalhou na roça. Aos 10 anos, conheceu a cachaça e o cigarro, vícios que o acompanharam por 38 anos.

Em 1981, foi para Guaiçara, onde casou-se, jogou futebol amador e praticou artes marciais. Porém, o alcoolismo e o tabagismo o impediam de manter uma rotina adequada de treinos e competições. José Cláudio acabou abandonando tudo e por 38 anos bebeu tanto que chegou a dormir nas ruas e perder contato com a família.

Mas, em 1999, a vida de José Cláudio começou a mudar. Foi quando ele viu um grupo de atletas passar correndo pela rua e tentou segui-lo. "Estava tão bêbado que não consegui. Mas eles me desafiaram e falaram que no dia seguinte iriam passar de novo e era para eu estar sóbrio e ir com eles", relembra o corredor.

A vontade de José Cláudio de estar em meio àqueles atletas foi tão forte que ele conseguiu, no dia seguinte, fazer parte do treino. "Eu que cheguei a tomar álcool puro, daquele momento em diante, decidi mudar de vida e nunca mais parei de correr", comemora.

Foi com o foco no atletismo que José Cláudio conseguiu abandonar os vícios e reconquistar tudo o que havia perdido, inclusive o respeito das pessoas e o contato com a família. "Tive muitas dificuldades, às vezes levantava à noite tremendo, chorando, com medo na fase da abstinência, mas a vontade de seguir no atletismo e ter de volta minha vida foi maior" conta o atleta.

CORRIDA

De lá para cá, José Cláudio já disputou inúmeras corridas. Só na São Silvestre, foram 17 participações. Em 2018, fez o percurso em 1h14, ficando na 26ª colocação entre 100 atletas na sua categoria 60-64 anos.

O atleta, que prefere provas mais longas, já correu pelo Brasil inteiro. Participou da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro em quatro anos seguidos, Meia Maratona Internacional de São Paulo, Corrida das Pontes no Recife, Corrida da Serra da Graciosa em Curitiba, onde conquistou o 3º lugar. A próxima prova no calendário de competições de José Cláudio é a ABDA Urban Run, em 3 de fevereiro, na av. Getúlio Vargas, em Bauru, corrida organizada pela Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA).

José Cláudio, que hoje dá aulas para crianças, se define como um "alcoólatra em recuperação". "Costumo dizer que a bebida está na distância do meu antebraço, cada dia que não bebo é maravilhoso, vivo sóbrio um dia de cada vez."

Livre dos vícios, o atleta retomou contato com a família e está feliz ao lado da filha Ana Laura, de 32 anos. Também teve sua história contada pela escritora Cyda Zola no livro Ponto de Partida, com patrocínio da AES Tietê. "Até hoje corro levando o nome da AES Tietê, pois sou muito grato, me ajudaram com o livro e todo material e vestimenta para as crianças do projeto."

Sobre os planos para o futuro, José Cláudio é humilde e diz que só pretende continuar ajudando as crianças. "Meu sonho é ver a pista de atletismo onde dou aulas pelo menos com pó de pedra", relata. Para quem luta contra o vício, ele deixa uma mensagem. "O melhor remédio é o ouvido, ouça o que as pessoas e a sua família falam. Tenha coragem e determinação, pois nós vivemos de 24 em 24 horas."

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