Cultura

Manu faz estreia em disco com 'Clarões'

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Do festival escolar, ainda aos 17 anos, a cantora e compositora que mergulhou em andanças sonoras dentro e fora do País lança álbum de estreia com direção musical de Ceumar. O disco "Clarões" (disponível a partir de hoje em todas as plataformas digitais) invoca a natureza, afaga a simplicidade de cantos e arredores e mergulha nos tons da alma de Manu Saggioro.

Para a autora, o disco é como revelação. "Revelação porque o álbum traz um traço, uma frase musical, um lugar onde eu percorri, uma experiência que tive ao longo da estrada. Clarões das paixões, que iluminam o breu, o escuro e as sombras".

Com 14 canções inéditas, a estreia em álbum de estúdio com sua assinatura traz a bagagem de Manu Saggioro pelos palcos do Brasil e do mundo desde os 19 anos.

"Em cada canto uma experiência ficou. São muitas andanças. E o álbum reúne todos esses caminhos".

Ela acrescenta: "Clarões traz a identidade a partir do que eu componho, com a reunião de parceiros queridos, amigos parceiros. Por exemplo, sou amiga e me encontro com Levi Ramiro há muitos anos e quero cantar Levi e outras coisas além das minhas músicas. E isso está no disco assim como Circuito Dandô, viagem como mochileira pelo Brasil, pelo mundo, nos metrôs, praças, pequenas vilas...".

Para a compositora, o disco se encaixa em diversos rótulos musicais. "São caminhos sonoros e de conteúdos. Mesmo as canções que eu mesmo faço são muito diferentes em relação a arranjos e conteúdos. Há uma concepção, mas eu tive que mostrar essa diversidade e não me prender a uma linha estética", diz. Assim, "'Clarões'" traz MPB, latino, regional, jazz, blues".

O certo, na visão da autora, é que "entre várias experiências, a liberdade a levou para a revelação de tudo o que eu não mostrei, tudo o que estava escondido. Revela, como um clarão mesmo", menciona.

O certo é que a natureza, a simplicidade dos pequenos povoados e a complexidade dos anseios da alma são os valores estéticos que dão o tom das obras escolhidas para o disco.

O álbum conta com composições de Tetê Espíndola, Tavinho Limma, Levi Ramiro, Osvaldo Borgez, Tata Fernandes, Déa Trancoso e da própria Manu (solo ou em parcerias com Manoel Carlos Rubira e Ceumar).

Entre os músicos que gravaram estão Ari Colares, Antonio Loureiro, Adriana Holtz, Guilherme Ribeiro, Daniel Coelho, Lelena Anhaia, Levi Ramiro e Webster Santos.

O trabalho explora lugares, sensações, alcança a "Asa de canção", de Manu, mas não deixa de fora sua vertente questionadora. Em "Bicho homem", de Manu e Manuel Carlos Rubira, isto está presente. Mas tanto quanto em "Um dedo de prosa", do talentoso violeiro Levi Ramiro.

Aliás, as prosas de Manu são bem mais presenciais, ao ar livre, de preferência. Ou não é fato que andamos tão plugados, tecnológicos, que não cuidamos de aquietar a alma, os ouvidos? 

Gravado no estúdio 185 em São Paulo entre novembro de 2017 e fevereiro de 2018 com André Magalhães (SP) na captação, edição e mixagem, "Clarões" tem masterização de Carlinhos Freitas e chega nas plataformas digitais e nas lojas com distribuição da Tratore.

"Precisei encontrar, diante de tudo o que já experimentei, do que vinha compondo, onde eu mais me reconheço em profundidade. É como se eu tivesse feito uma enorme andança e identificado o meu local de origem", conta Manu.

Contatos

Além do Facebook, Manu está no Instagram: @manu_saggioro e no twitter: @ManuSaggioro.

Site oficial da artista: https://www.manusaggioro.com

SOBRE ELA

Brasileira paulista da cidade de Jaú, Manu Saggioro, 36 anos, escolheu Bauru como sua cidade natal. Ainda menina, Manu foi apresentada à arte dos anos 70 e uma intensa paixão a arrebatou.

A admiração pelo movimento da contracultura germinou uma musicista que se apresentou pela primeira vez aos 17 anos em um festival escolar. Manu descobre, então, ser a música o caminho pelo qual construiria e afinaria a melhor forma de expressar sua existência.

Nessa construção diferentes estradas foram trilhadas. Algumas literais.

Em 2001, percorre 12 estados brasileiros, ao longo de quatro meses, de carona e com o violão nas costas. Viaja pelos sertões e litorais do Norte e Nordeste brasileiro, visita comunidades quilombolas, extrativistas, conhece a raiz do baião, da embolada, o côco, as serestas, as romarias, as folias, o pífano, a rabeca, a alfaia, os repentistas, os poetas e os improvisadores do sertão. E segue tocando e trocando.

Em 2006, visita nove países europeus com a intenção de experimentar outros sabores musicais. Dessa viagem surgiu um convite oficial para que retornasse a Europa dois anos depois e participasse do Jazzin'Albarracín - festival de Jazz na cidade histórica Albarracín, no centro da Espanha, onde tocou nos palcos ao lado de grandes nomes do jazz da África do Sul, da Bélgica, da Austrália, da França, da Holanda e da República Tcheca. Toda essa bagagem empírica é estruturada em uma formação acadêmica.

Em 2009, Manu conclui sua graduação em música no instrumento guitarra. Essas variadas experiências produziram uma artista capaz de transitar entre o mais clássico rock'n roll e o universo caipira da música raiz.

 

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