| Samantha Ciuffa |
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| José Eduardo Fogolin, secretário municipal de Saúde, fala sobre ações que estão sendo tomadas |
A dengue não para de avançar em Bauru com números assustadores. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde, através do Departamento de Saúde Coletiva, confirmou mais 397 casos autóctones da doença e um importado, inserindo a cidade de vez em uma epidemia. Agora, em 2019, o município já contabiliza 612 registros, uma média de quase 25 novos casos por dia. Diante do quadro, a principal meta da prefeitura é acompanhar os pacientes para evitar que haja vítimas fatais.
Para se ter uma ideia, em todo o ano passado, Bauru teve 241 pessoas doentes com dengue. Só nos primeiros 25 dias deste ano, o número já é mais do que o dobro do contabilizado em 2018 inteiro. Um dos aspectos que mais preocupam é a entrada do vírus tipo 2 na cidade, que não circulava há sete anos no município.
O secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, lembra que os números já colocam a cidade em quadro de epidemia, um alerta que o JC antecipou ainda no ano passado. De acordo com ele, o crescimento é característico de epidemia. "O acompanhamento mostra que começamos a ter casos mais cedo do que em anos anteriores. E o aumento caracteriza epidemia. Ainda devemos ter um crescimento do número de casos, pois estamos em uma época de calor. A partir do momento em que a cidade entra nessa fase de epidemia, a prioridade é evitar mortes. A rede de atendimento está preparada para diagnosticar os casos e acompanhar as pessoas que chegarem com dengue a se atentar a sintomas graves, como os sangramentos. Esse acompanhamento é importante para evitar casos mais graves que podem levar a óbito. E a preocupação agora é essa", destaca.
AÇÕES
Com a epidemia já confirmada, algumas medidas vão ser tomadas. A UPA do Jardim Bela Vista é que está atendendo o maior número de casos, pois a região Noroeste ainda concentra os registros. A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bela Vista, que fica ao lado da UPA, passará a atender das 17h às 23h. "O primeiro atendimento continuará na UPA, mas os casos menos graves serão encaminhados para a UBS, onde ficará uma equipe médica. Desta maneira, o atendimento ficará mais ágil", cita.
Na região Noroeste, o Parque Jaraguá, Santa Edwirges e Fortunato Rocha Lima são os que mais apresentam casos. Depois, a área Sudeste da cidade, na região do Jardim Redentor, vem tendo confirmações.
"Os casos estão principalmente na região Noroeste e, depois, na Sudeste. Porém, há registros em outras regiões, o que preocupa, pois os mosquitos estão na cidade inteira, o que é um risco", aponta. "Vamos manter as ações de combate que estão em andamento, com a nebulização feita nas ruas (leia mais abaixo), a nebulização nas casas e a eliminação de criadouros, com a aplicação de larvicida e orientação aos moradores. Vale destacar que outras cidades da região enfrentam situação de epidemia. A população precisa muito colaborar", lembra.
HISTÓRICO
Com esse quadro alarmante ainda no primeiro mês, 2019 caminha para milhares de registros. A primeira grande epidemia na cidade foi em 2007, seguido de 2011, ano em que o município registrou a primeira ocorrência de óbitos pela doença, quando seis pessoas morreram.
As pesquisas realizadas pela Secretaria de Saúde, que analisou o quadro envolvendo a dengue de 2000 até 2018, constatam que o aumento de casos se manifesta em períodos cíclicos, em anos ímpares.
Em 2013, o município apresentou 7.434 casos e dois óbitos. Em 2015, foram 8.482 ocorrências e seis óbitos. 2016 apresentou um número menor de registros, porém, houve um óbito.
Secretário de Saúde afirma que só a vacina será a solução definitiva?
Em entrevista ao JC nessa sexta-feira (25), o secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, frisa que apenas a criação de uma vacina resolverá o problema. "A eliminação de criadouros é fundamental, mas o mosquito se adaptou muito bem ao clima. Para reduzir o número de casos, o controle do mosquito é necessário, mas o que vai acabar de vez é a vacina. O governo federal deve encarar isso como uma prioridade. A febre amarela tem vacina. O controle é bem mais fácil. A partir do momento em que você consegue vacinar a maior parte da população, tem uma redução drástica de casos. A poliomielite é a mesma coisa, o que permite controlar é a vacina", afirma.
Já há uma vacina contra a dengue produzida por laboratório particular, mas que não chega a ter um percentual de imunização completo em alguns sorotipos da doença. O Instituto Butantã trabalha para desenvolver uma vacina que seja eficiente contra todos os tipos.
O secretário lembra, contudo, que, mesmo que uma vacina seja criada, o controle do mosquito continuará, pois transmite o zika vírus e a chikungunya, que não possuem vacinas em estado avançado de estudo. "Neste ano, não registramos essas duas doenças na cidade", conclui Fogolin.
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Nebulização
Uma das ações que tem sido realizada é a nebulização na região Noroeste da cidade. Ela, que ocorre sempre no período noturno, passará pelos seguintes bairros até o início de fevereiro: Fortunato Rocha Lima, Parque Primavera, Parque Roosevelt, Santa Fé, Jardim Andorfato, Parque Jaraguá, Santa Edwirges, Jardim Vânia Maria, Núcleo Residencial Alto Alegre, Jardim Progresso, Jardim Coral, Cidade Jardim, Vila Marajoara e Jardim Petrópolis (veja o cronograma completo no site https://www.bauru.sp.gov.br).
Durante a nebulização, a população deve adotar algumas medidas: manter abertas portas, janelas e cortinas para facilitar a entrada do inseticida na casa; cobrir alimentos, filtros de água, utensílios de cozinha e roupas; guardar em lugares fechados bebedouros de animais, gaiolas de passarinhos e aquários; manter crianças, idosos e pessoas alérgicas em um cômodo com porta e janelas fechadas, assim permanecendo por 30 minutos após a aplicação; e ficar dentro de suas residências no momento da aplicação do inseticida. Vale lembrar ainda que o inseticida mata somente o mosquito adulto que estiver dentro e fora da casa no momento da aplicação. Por isso, a participação da população em eliminar criadouros é essencial.
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