| Reprodução/Facebook |
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| Felipe da Silva Rocha, de 26 anos, chegou a coordenar o Projeto Sorrir, mas a rotina atribulada o fez desistir do posto |
O físico Felipe da Silva Rocha, de 26 anos, corre contra o tempo. O rapaz, que se formou no ano anterior, tem dois empregos de meio período e, simultaneamente, tenta encaixar a prática de alguma atividade física, algo essencial para cuidar da própria saúde. Mesmo assim, ele e outros tantos jovens, em Bauru, fazem questão de se dedicar ao trabalho voluntário, porém, as ações costumam ser curtas e pontuais.
Felipe, que já foi coordenador do Projeto Sorrir, criado em agosto de 2008 com o propósito de levar carinho, amor e solidariedade a quem mais precisa, optou por ajudar somente de vez em quando, devido à rotina tumultuada.
"Pretendo, ainda, dar continuidade aos projetos que comecei enquanto estava na graduação, mas não quero ficar longe do voluntariado", confessa.
| Arquivo Pessoal |
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| Isabella Caraça e Rose Lopes durante a entrega de ovos de chocolate, na última Páscoa |
Em vista disso, o físico intenciona dar aula em um cursinho gratuito, situado na Casa do Hip Hop.
"No ano anterior, era professor de física por lá, mas acabei desistindo. Agora, a ideia é organizar a minha agenda e retomar tal atividade, uma vez que ajudar o próximo nos transforma em pessoas melhores", defende.
A falta de sequência deste tipo de ação, principalmente, por parte dos jovens, preocupa a coordenadora da Casa da Sopa da Vila Dutra, Rose Lopes. Segundo ela, os voluntários mais antigos não têm a mesma disposição de outrora e, de certa forma, o atendimento fica comprometido.
Para se ter ideia, recentemente, a Casa da Sopa desenvolveu uma parceria junto à União das Instituições Educacionais de São Paulo (Uniesp), em Bauru, e o único trabalho voluntário que os estudantes se dispuseram a fazer consistiu na arrecadação de alimentos e roupas.
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| Gabi Oliveira, Helton Rodelli Dangio e Felipe Rocha em uma das ações do Projeto Sorrir, em 2016 |
Em 2016, outra parceria, desta vez, entre a entidade e a Universidade Paulista (Unip), na qual os alunos em recuperação foram incumbidos de fazer algum trabalho voluntário dentro da Casa da Sopa.
"Eles queriam doar alimentos e eu dizia para levá-los a quem precisava, momento em que apresentavam bastante resistência", revela.
Ainda de acordo com Rose, este cenário envolvendo os jovens afeta o serviço prestado pela instituição.
"Hoje, a maioria das entidades tem muita procura e dificuldade de manter a folha de pagamento. Logo, voluntários dispostos a alimentar os idosos, caminhar ao lado deles ou, até mesmo, ouvir as suas histórias, por exemplo, são mais do que necessários", argumenta.
JÁ OS MAIS VELHOS...
No total, as três Casas da Sopa - da Vila Dutra, do Santa Edwirges e do Fortunato Rocha Lima - possuem 35 voluntários engajados há, pelo menos, cinco anos. Todos têm mais de 40 anos de idade.
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| Toninho Carrenho, Darci Hernandes, Maria Adélia, Maria Rosa, Rose Lopes, Maria Laurídia Antonelli Vieira e Sebastião Ribeiro durante o Natal Encantado 2018; nenhum dos 35 voluntários da Casa da Sopa tem menos de 40 anos de idade |
Este é o caso da aposentada Maria Laurídia Antoneli Vieira, de 69 anos. Quando jovem, a então auxiliar de enfermagem também não tinha tanto tempo livre para se dedicar ao voluntariado. Contudo, o fez logo que parou de trabalhar, há três décadas, sendo duas dedicadas somente à Casa da Sopa da Vila Dutra.
Laurídia vive com a mãe, a aposentada Aurora Ninin, de 95 anos, outra voluntária da instituição. "Eu recebo e separo as doações. Já a minha mãe conserta os brinquedos e confecciona roupas para as bonecas", descreve.
SEM TEMPO
Idealizadora do Esquadrão do Bem - Somos Unidos no Amor, Maria Inês Faneco ratifica a preocupação de Rose Lopes. "Nós conseguimos as doações, mas faltam carros e gente para levá-las até a favela", pontua.
Para Faneco, os jovens são bem-intencionados, mas trabalham muito e, assim que conseguem folga, preferem ficar com a família ou os amigos. "Às vezes, até aparecem voluntários mais novos, que não dão sequência ao serviço", frisa.
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| Maria Inês Faneco afirma que a distribuição de donativos é desgastante, mas necessária |
Mesmo diante de algo desgastante, afinal, a falta de pessoal a deixa sobrecarregada, a idealizadora do projeto não pensa em desistir. O intuito, segundo ela, é dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela sua mãe, que doava até o que a família não tinha.
Engajamento
Embora os jovens só tenham tempo para ações curtas e pontuais, o 1.º tesoureiro do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), Uriel de Almeida, acredita que este público esteja engajado em ajudar o próximo. De acordo com ele, resta às entidades entender o aspecto psicológico de cada pessoa. "Tem gente que consegue conviver com a dor e a miséria, mas outros não têm tamanha estrutura. Neste sentido, as instituições devem identificar o perfil dos voluntários e aproveitá-los da melhor forma possível", reforça. Ainda segundo Uriel, os jovens têm bastante interesse em ajudar, porém, esbarram na rotina tumultuada, que, muitas vezes, envolve trabalho e estudo. "Temos de respeitar os limites e, ao mesmo tempo, despertar o interesse deste público, que, futuramente, estará na dirigência filantrópica da cidade", conclui.
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Como faço para me voluntariar?
Se você, jovem, adulto ou idoso, tiver interesse em ajudar o próximo, a dica é procurar pela entidade assistencial que mais se encaixe no seu perfil. Em seguida, basta preencher uma declaração, assumindo o compromisso do trabalho voluntário. Então, a própria entidade escolhida o direcionará para a tarefa que preferir executar. Se necessário, a instituição fará com que passe por algum processo de aprendizagem.
Não é preciso cumprir horário diariamente, mas o voluntário deve se comprometer em realizar a ação atribuída a ele. Caso contrário, afetará e muito o atendimento prestado pela instituição.
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