A Câmara Municipal de Bauru promoveu nessa quarta-feira (27) audiência pública que discutiu as ações de prevenção à dengue e combate ao mosquito Aedes aegypti. Parlamentares e munícipes apresentaram sugestões com o intuito de agregar ao planejamento da administração pública - medida necessária frente o surto da doença na cidade, onde já foram confirmados 3.510 casos e 12 óbitos estão em investigação.
Os trabalhos foram conduzidos pela presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente do Legislativo, Telma Gobbi (SD). Também participaram os vereadores Coronel Meira (PSB), Chiara Ranieri (DEM), Fábio Manfrinato (PP), José Roberto Segalla (DEM), Luiz Carlos Barbosa (PRB), Luiz Carlos Bastazini (PV), Mané Losila (PDT) e Maria Helena Catini (PDT).
Antes dos apontamentos, os secretários de governo presentes expuseram o que já vem sendo feito e quais os desafios para que o município se prepare efetivamente para o combate à dengue.
Titular da Saúde, José Eduardo Fogolin apresentou as ações da pasta - incluindo novas estratégias -, que já vinham sendo executadas em 2018, com o intuito de demonstrar que, sem elas, o quadro hoje estaria pior.
O secretário também minimizou o fato de Bauru figurar como a cidade paulista com mais casos de dengue em 2019. Segundo ele, o município tem viabilizado as notificações da doença com mais agilidade.
O gestou frisou que há outras cidades com maior taxa de casos por 100 mil habitantes.
Fogolin observou que as epidemias da dengue em Bauru são cíclicas: ocorreram em 2007, 2011, 2013, 2015 e, agora, em 2019. Dessa vez, no entanto, está em circulação, pela primeira vez, o tipo 2 do vírus causador da doença. "Quem já foi infectado por outros [tipos] tem sintomas mais severos".
Luiz Eduardo Borgo, da Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), e Sidnei Rodrigues, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), falaram, respectivamente, sobre as deficiências orçamentária e de estrutura nas pastas - que atuam na limpeza e conservação da cidade. Ainda assim, Borgo destacou que, no ano passado, foram viabilizados alguns investimentos em equipamentos. "É preciso usar a criatividade".
Sidnei, por sua vez, pedirá autorização do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comdema) para a aplicação de recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente na compra de caminhões. "São R$ 4 milhões parados lá".
Já a secretária de Educação, Isabel Miziara, explanou sobre os programas de conscientização da rede municipal de ensino.
Telma Gobbi pontuou que as iniciativas que visam promover a limpeza das vias públicas e terrenos não devem ser pontuais, apenas quando o número de casos de dengue começa a crescer. "Todos nós sabemos que é cíclico. E sabemos que o quadro tende a piorar, pois o pico sempre vem nos meses de março e abril".
A parlamentar reiterou a tese de que custa menos prevenir do que remediar. Levantamento aponta que os três últimos surtos da doença consumiram R$ 15 milhões das receitas municipais.