| Douglas Reis |
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| Marcelo Eduardo Pexe pesquisou o excesso de formol em 23 salões de beleza do município |
Bauruense de coração, Marcelo Eduardo Pexe pesquisou o excesso de formol em 23 salões de beleza do município. A dissertação, desenvolvida por meio de uma parceria entre a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), concluiu que 100% destes estabelecimentos possuem produtos, cujos níveis de tal substância ultrapassam o limite permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 0,2%.
| Fotos: Arquivo |
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| Formol é perigoso e pode causar problemas de saúde |
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O pesquisador, que nasceu em Iacanga, mas vive em Bauru desde os 5 anos, explica que a ideia de estudar a exposição dos profissionais ao formol começou a sair do papel em 2012, quando Marcelo cursou a Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Paulista (Unip).
Nesta época, ele comprovou que, de fato, existe exposição inadequada ao produto, considerado cancerígeno. Em 2015, o pesquisador terminou outra pós-graduação, desta vez, em Sistema de Gestão Integrada pelo Senac.
Na ocasião, ele concluiu que, além da exposição inadequada dos profissionais, a estrutura física dos salões contribui para o agravamento do problema.
Recentemente, Marcelo foi além, ao finalizar a sua dissertação de mestrado pela Faculdade de Saúde Pública da USP, em São Paulo.
Formado em Engenharia Ambiental pela Unilins e Engenharia de Segurança do Trabalho pela Unip, o profissional revela que optou por estudar os salões do município, porque já estava mergulhado neste universo.
A partir daí, levantou todos os estabelecimentos do tipo junto à Divisão de Vigilância Sanitária e fez um sorteio. Ao todo, 23 salões aceitaram participar do estudo.
Inicialmente, Marcelo acreditava que os estabelecimentos situados em locais menos abastados da cidade apresentariam maior risco, por trabalharem com produtos de baixo custo.
Entretanto, o pesquisador se surpreendeu, aos constatar que o problema independe desta questão.
ANÁLISE DOS DADOS
As amostras coletadas nos 23 estabelecimentos comerciais foram levadas para o Laboratório de Análises Químicas do IPT.
Segundo a responsável pelas análises do órgão, Amanda Marcante, o método desenvolvido pelo IPT é bastante preciso, porque separa o formol de outros tipos de aldeído.
A instituição averiguou amostras de 18 marcas de creme e todas superaram o limite aceitável. Tanto que a concentração de formol variou entre 3,64% e 10,96% - até 54 vezes mais do que é permitido pela Anvisa.
Além de constatar o excesso da substância nos produtos, a pesquisa mostrou que 39% dos salões avaliados ultrapassaram o limite de concentração de formol no ar.
E DAÍ?
Respirar formol e manter contato com o produto trazem consequências graves ao trabalhador deste segmento, afinal, a substância é tóxica - inclusive, está proibida para este tipo de procedimento, no Brasil, desde 2001.
De acordo com o pesquisador, cerca de 65% das cabeleireiras reclamaram de doenças ocupacionais, como irritação ocular, lesões na pele, dor de cabeça e no corpo, bem como problemas respiratórios. "Fora o risco de desenvolver câncer de faringe, linfoma, carcinoma etc", alerta.
E AGORA?
Diante de tal realidade, Marcelo aconselha os profissionais da área a usarem os chamados Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas, máscaras para gases e óculos. Lavar o cabelo antes de secá-lo e pranchá-lo também ajuda a retirar parte do produto.
O ambiente é outro ponto fundamental. O salão, portanto, deve ter exaustor, ventilação adequada, além de manter as portas e janelas abertas.
| Aceituno Jr. |
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| Há 10 anos, Sabrina Ariane Evangelista Mendonça faz progressiva a cada 6 meses: "se parasse, afetaria minha autoestima" |
'Não abro mão da progressiva', diz auxiliar odontológica
Embora os profissionais da beleza estejam mais expostos ao formol, o produto também afeta os clientes. A auxiliar odontológica Sabrina Ariane Evangelista Mendonça, 35 anos, faz progressiva desde os 20. "Não abro mão", confessa a mulher, mesmo sendo informada sobre a pesquisa de Marcelo Eduardo Pexe.
Sabrina diz saber que o formol é uma substância tóxica, mas, como nunca apresentou qualquer sintoma, só vê benefícios. "Faço progressiva de seis em seis meses e, se parasse, afetaria a minha autoestima", argumenta.
O procedimento é relativamente barato e proporciona brilho aos fios. É, também, um método efetivo contra o frizz e o volume.
A auxiliar administrativa Thiery Zanferrari, 27, é outra defensora da progressiva. "Eu sei que o formol não faz bem, mas a gente acaba fazendo, por uma questão de estética", pontua.



