Política

Coleta de lixo está com 100% das equipes na rua no 2.º dia de greve

Thiago Navarro e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 5 min

Bruno Freitas 
 
Servidores e Sinserm se reuniram com a presidência da Emdurb, hoje  

A coleta de lixo está trabalhado com 100% das equipes, na manhã desta quarta-feira, segundo a Emdurb que, ontem à noite, apresentou uma nova proposta aos servidores. Diante da nova oferta, os trabalhadores já tinham saído às ruas para recolher detritos, na noite de ontem.

Na manhã de terça-feira, no entanto, 78 servidores da empresa municipal aderiram ao movimento de greve e apenas cinco dos 14 setores da coleta de lixo orgânico tiveram os resíduos recolhidos. Na ocasião, a definição das regiões atendidas foi por meio de sorteio. No  período da tarde e à noite, foram contemplados três setores previstos e 11 setores, respectivamente.

Hoje, às 7h, os coletores que atuam no período da manhã decidiram retornar. Depois, uma comissão de cinco servidores, junto com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), iniciou uma reunião com a presidência da empresa municipal.

A entidade que representa a categoria cobra a proposta por escrito e entende que a política da Emdurb, negociando em separado, é uma forma de o governo desmobilizar a categoria. A nova oferta prevê abono de R$ 100,00, como na primeira oferta feita pela empresa, mas o vale-compra passa de R$ 451,00 para R$ 500,00. Antes, o aumento apresentado era para R$ 485,00.

"Esse reajuste fica acima da inflação para a maioria dos servidores", afirma o presidente da Emdurb, Elizeu Eclair, que participa da reunião acompanhado do diretor de Limpeza Pública, Márcio Teixeira.

"A proposta está dentro do nosso Orçamento, naquilo que a Emdurb tem como previsão de arrecadação e com os contratos da prefeitura, mais do que isso não conseguimos avançar", disse. Ainda assim, no encontro desta manhã, os servidores solicitam melhorias para a categoria.

PARALISAÇÃO

Bruno Freitas 
 
Passeata dos servidores paralisados parou em frente ao DAE para um protesto; depois, seguiram até o Palácio das Cerejeiras para novo ato  

Enquanto o encontro acontecia na Emdurb, os servidores se reuniram na sede do Sinserm e de lá seguiram em passeata até o DAE. Na sequência, foram ao Palácio das Cerejeiras, onde acontece um protesto. 

Bruno Freitas 
 
Ato realizado hoje pelos grevistas em frente à Prefeitura de Bauru  

Ontem, a paralisação contou com a adesão de cerca de 500 trabalhadores, de acordo com o Sinserm. Já a prefeitura estimou em 340 adesões, mas divulgou apenas uma parcial no período da manhã. A Emdurb e a Secretaria de Educação tiveram mais adesões, o que prejudicou a coleta de lixo na terça-feira. Algumas escolas tiveram paralisações parciais.

Nesta quarta-feira (27), no segundo dia de greve, de acordo com dados oficiais da prefeitura, 286 servidores aderiram ao movimento. A secretaria com mais adesões é a da Educação, com 162. Os dados do Sinserm, porém, ainda não foram divulgados. 

O diretor do Sinserm Moisés Cristo acredita em mais adesões a partir de hoje, no segundo dia de greve. "No primeiro dia é normal um movimento menor, crescendo depois, com mais pessoas aderindo. As propostas até agora ficaram longe do que a categoria pediu, e a tendência é de uma maior mobilização da categoria", afirma.

Ontem, a concentração dos servidores foi em frente ao sindicato, e depois uma passeata aconteceu até a Emdurb, onde foi realizado um protesto contra o presidente da Emdurb, Elizeu Eclair. Gazzetta, no entanto, confirma a permanência dele à frente da Emdurb.

Ao todo, são cerca de 7.500 servidores ativos, sendo aproximadamente 6.000 na prefeitura, mais de 700 no DAE, 800 na Emdurb e 45 na Funprev. O município conta ainda com cerca de 3.000 servidores inativos, entre aposentados e pensionistas. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) diz que espera uma contraproposta da categoria para apresentar outra oferta, mas que há pouca margem para mudar o que já foi apresentado. "Ainda estamos esperando uma posição dos servidores, dependendo é possível alterar dentro do que apresentamos, como ter um percentual menor e um abono maior, entre outros", comenta.

EDUCAÇÃO

Além da coleta de lixo, que ficou prejudicada ontem, aconteceram paralisações parciais em escolas de educação infantil também na terça-feira. De acordo com a prefeitura, 175 servidores da Educação aderiram ao movimento no período da manhã, comprometendo o atendimento em 19 das 65 unidades. Já no ensino fundamental, nenhum escola tinha parado.

Na Saúde, 33 servidores da rede básica aderiram. Também foram registradas adesões de 11 servidores da Secretaria de Bem Estar Social (Sebes), nove da Obras, três da Finanças, dois do Meio Ambiente (Semma), um da Cultura, e 40 do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Ainda segundo a prefeitura, não houve adesões de servidores das Secretarias de Administração, Administrações Regionais (Sear), Agricultura e Abastecimento (Sagra), Desenvolvimento Econômico, Esportes e Lazer (Semel), Gabinete, Negócios Jurídicos, Planejamento (Seplan), e na Funprev.

Pedido do sindicato e proposta do governo

Na campanha salarial, o Sinserm pediu a reposição da inflação, ganho real e reparação de perdas em anos anteriores. A prefeitura ofereceu reajuste de 2% a todos os servidores, incorporação como vantagem pessoal do abono de R$ 70,00 concedido ano passado, e mais uma vantagem pessoal de R$ 60,00 para quem recebe até R$ 2.600,00. O vale-compra subiria de R$ 451,00 para R$ 468,54, e o abono (antigo vale-refeição) de R$ 360,00 para R$ 374,00. O impacto estimado pela prefeitura caso todos os pedidos da categoria fossem atendidos era de R$ 90 milhões por ano, enquanto o da proposta apresentada é de R$ 8 milhões. O município fechou o ano passado com despesa de pessoal em 49,24% da Receita Corrente Líquida (RCL), e o limite prudencial é de 51,3% da RCL. O governo afirma que com o reajuste oferecido já ficará perto desse índice e, portanto, ficaria complicado avançar mais.

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