Nesta data festiva, ofereço este singelo texto, em acróstico, à minha querida cidade e aproveito para enviar o meu efusivo abraço a todos os galienses.
NOVENTA
No início, exatamente há 117 anos, em 1902, tivemos a primeira igreja de madeira às margens do Rio das Antas. Quatro anos depois, em 1906, o primeiro engenho de cana de açúcar e em 1917 foi fundado o Povoado das Antas, numa região até então habitada pelos índios Caingangues ou Kaingang (morador do mato), de "caa" (mato) e "ingang" (morador) pertencentes ao tronco linguístico macro-jê.
Ouro azul, nobre e caudaloso era o nosso Ribeirão das Antas com suas várzeas férteis, propícias ao plantio do arroz e outras variedades de leguminosas; habitat natural de marrecos, saracuras, frangos d'agua, garças e martins-pescadores, inofensivos mamíferos, a lendária anta (tapir), e maior roedor do mundo, a capivara ("kapi'wara" termo tupi - comedor de capim), entre outras espécies.
Veio anos depois o eminente Cel. Galdino Manoel Ribeiro, responsável pelo novo traçado do povoado, em 1925, que passou a chamar-se o Patrimônio de São José das Antas.
Em seguida, em 1926, o Patrimônio já abrigava mais de duzentas casas, ocasião em que foi elevado à categoria de Distrito ficando sob a dependência da cidade de Duartina.
No desenvolvimento do Distrito colaboraram os desbravadores Pedro Alves Pacheco e cel. Eduardo Porto, entre outros, vindos de São Manuel (SP) em 1898. Neste mesmo ano, Pedro A. Pacheco e sua esposa Maria Gertrudes foram morar em sua nova propriedade, a Fazenda Boa Ventura. Em 1926, o casal fixou residência no Distrito. Pedro Alves Pacheco era homem religioso, ilibado e caridoso.
Também em 1926, foi inaugurada a Igreja de São José e o Cine São José na avenida que até hoje leva o mesmo nome.
Assim, nesse mesmo ano foi criado o primeiro time de futebol o "Foot Ball Club de Antas" e no ano seguinte a primeira Escola Estadual.
E
Entre outros acontecimentos, houve a instalação de um comércio crescente com hotéis, alfaiatarias, oficinas, farmácias, empórios, açougues e padarias.
UM
Uma grande novidade foi a chegada da estrada de ferro Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF) com a inauguração da estação ferroviária em 1927 e seus armazéns
Município, não mais Distrito, muito bem vindo foi o decreto de 28/12/1927 desmembrando o Patrimônio do município de Duartina, com uma nova denominação: Gália, nome dado pela CPEF, e efetivada em 14/4/1928.
ANOS
Ainda em 1928 aconteceu a primeira sessão da Câmara dos Vereadores, com os senhores Edis empossados e eleitos para Prefeito e Presidente da Câmara, os senhores Jorge Fray Júnior e Cel. Manoel Galdino Ribeiro do recente município.
Novo ciclo econômico chegou durante os anos 30 e 40, com a Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá Fazenda dos Ingleses, como era conhecida com sua diversidade agrícola e negócios contando com mais de dois mil empregados que lá residiam.
Outro desencadear econômico, escolar e esportivo ocorreu nos anos 50 e 60, quando o município contava com aproximadamente 18 mil habitantes uma robusta indústria da seda, incentivada pelo ar. Luciano Rivaben; o meu amigo Luiz Diniz (Luizão) venceu o concurso pelo respeitável Ginásio Graciema criando o cognome "Gália, a Princesinha da Seda"; e o glorioso time de futebol Gália Esporte Clube (GEC) "Leão da Alta Paulista", criado em 1949, campeão em 1958 e 1961.
Sempre iremos reverenciar nossa Mãe Princesinha. Suas conquistas e glórias nos pertencem. Mais uma vez, parabéns, minha Gália!