A pior epidemia de dengue da história de Bauru, tanto em letalidade quanto em número de casos, segue rompendo marcas trágicas. Nesta terça-feira (28), a Secretaria Municipal de Saúde confirmou mais quatro óbitos por conta da doença, totalizando 21 vítimas fatais somente neste ano. Para se ter uma ideia, é a mesma quantidade de óbitos do Distrito Federal (DF) inteiro. O número de casos também cresceu. Agora, são 19.471 registros oficiais (leia mais abaixo).
Antes de 2019, os anos que haviam registrado mortes pela doença foram 2011 (seis óbitos), 2013 (dois), 2015 (seis) e 2016 (um). Assim, todos os anos somados mataram 15 pessoas, ou seja, seis vítimas fatais a menos do que em 2019.
O número de óbitos também chama a atenção quando comparado a outros Estados. Boletim epidemiológico mais recente divulgado anteontem pelo Distrito Federal aponta que lá o total de mortes também está em 21 registros.
Bauru, inclusive, tem mais casos do que todo o Estado do Paraná, que contabiliza 16 mortes neste ano, de acordo com boletim epidemiológico publicado nesta terça-feira (28).
PERFIL DAS VÍTIMAS
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Todas as mortes confirmadas nesta terça-feira em Bauru são de mulheres. Três delas seguem o perfil das vítimas fatais anteriores: idosas e com doenças associadas.
Contudo, um dos casos chama a atenção. Trata-se de uma mulher, de apenas 37 anos, e sem comorbidades. Ela começou a ter os sintomas no dia 8 de abril e morreu quatro dias depois (confira o perfil das vítimas no quadro).
E o pior é que esse triste saldo de óbitos na cidade pode crescer ainda mais. Além das 21 mortes, outras suspeitas seguem sendo investigadas e aguardando resultado laboratorial pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) - São Paulo.
Há algumas semanas, porém, a pasta parou de especificar quantas mortes suspeitas seguem em investigação.
FAÇA A SUA PARTE
O poder público tem atuado em diferentes frentes para tentar conter a epidemia de dengue, com mutirões de limpeza (que já retiraram dezenas de toneladas de materiais que poderiam acumular água), visitas a casas e também multas, além de diversas outras ações.
Mesmo assim, a participação da população dentro de casa é fundamental no combate ao mosquito. Inclusive, uma das campanhas é a "10 minutos contra o Aedes". Desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), baseia-se em uma ronda semanal de 10 minutos observando vários pontos.
É possível baixar a lista da ronda pelo link https://www.ioc.fiocruz.br/dengue/textos/10minutos.html.
Município beira os 20 mil casos
Além das quatro mortes, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou ontem mais 1.443 casos autóctones de dengue. Agora, Bauru já conta com 19.471 registros, sendo 19.439 autóctones e 32 casos importados.
A pasta faz questão de ressaltar que os casos confirmados nesta terça tiveram início de sintomas ainda entre 1 de janeiro e 6 de abril deste ano. "Ressaltamos que os casos são referentes ao período de mais notificações e maior fase de transmissão da doença, sendo que, no mês de abril, os números de notificações tiveram redução de 66% em relação ao mês de março", destaca a Secretaria de Saúde, em nota.
Mesmo a prefeitura indicando a tendência de queda, o número total de casos segue alarmante. Para se ter ideia da intensidade desta epidemia, 2019 já tem mais que o dobro de registros oficiais de 2015, período com recorde anterior de casos da doença. Naquele ano, foram contabilizadas 8.482 pessoas com dengue.
Inseticida ainda não foi entregue e fumacê segue suspenso na cidade
Conforme o JC noticiou, a prefeitura anunciou, no fim de abril, que iria precisar suspender a nebulização porque o inseticida utilizado não seria entregue pelo Ministério da Saúde. E a situação ainda não foi resolvida.
Nessa terça-feira (28), novamente, a Secretaria de Saúde informou que o produto usado nas máquinas de Nebulização com Equipamento Acoplado a Veículo (NAV) para o fumacê, realizado em parceria com a Sucen, segue em falta no Brasil.
"O inseticida usado no fumacê tem ação temporária e pontual, matando somente o mosquito em fase adulta, por isso só ele não é suficiente para eliminar o Aedes aegypti. Atualmente, o fornecimento do produto Malathion é feito pelo Ministério da Saúde aos Estados, que repassam aos municípios. Sua venda é controlada para evitar o uso excessivo e assim fazer os mosquitos criarem resistência à fórmula do produto importado", destaca a Secretaria de Saúde.
A pasta, entretanto, ressalta que já fez um pedido ao Ministério da Saúde de mais inseticida e aguarda a entrega.
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