| Douglas Reis/JC Imagens |
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| Rodrigo Menegazzo Maluf esteve em Bauru para falar sobre o segmento de fusões e aquisições |
A economia nacional prepara o terreno para a fase pós-crise. Mas, enquanto o mercado analisa movimentos de investimentos ou atração de negócios com o Exterior e está de olho nas medidas anunciadas pelo ministro Paulo Guedes, alguns nichos não param. Um deles é o segmento de fusões e aquisições. Recentemente, Rodrigo Menegazzo Maluf, responsável pela área de M&A (Fusões e Aquisições) da Ernst & Young (EY), veio a Bauru para abordar sobre estratégias de crescimento empresarial nesta fase e debater o impacto de questões econômicas e políticas no cenário nacional, projetando-as também no mercado regional.
O encontro foi realizado pela Freitas Martinho Advogados, em parceria com a empresa EY. Depois de discutir cases de sucesso dos últimos anos, Rodrigo Maluf atendeu ao JC. Ele atua como especialista em consultoria para transações corporativas, auditoria e mercado.
Veja, a seguir, os principais pontos da entrevista:
Jornal da Cidade - Em fusões e aquisições, o que chama a atenção é negócio para grandes corporações. Mas há mercado efetivo em movimento para pequenas e médias?
Rodrigo Maluf - É natural que a visibilidade seja para as grandes fusões ou aquisições, porque isso é divulgado, mas, hoje, o que gira este setor é entre as chamadas pequenas. Os dados mostram que mais de 50% das transações são para negócios com até R$ 100 milhões de faturamento. São as pequenas empresas se juntando, se vendendo, se fundindo para conseguir virar algo maior no futuro.
JC - Há aumento de empresas e grupos setoriais lá fora querendo fechar negócios no Brasil? E até que ponto essa retomada é por saída do represamento prolongado?
Rodrigo - Sim. É uma movimentação que a gente vê, sente, está acontecendo. E esta movimentação está de acordo com a análise que temos feito. Existe, claro, represamento muito grande até porque você tinha, até o ano passado, uma indefinição de governo. Com a definição em função da eleição, o mercado entende que você tem norte para os próximos passos e o represamento para. Aqueles que estavam esperando, naturalmente, se movimentam para fazer negócios. Essa dinâmica é natural dentro de uma economia como a nossa. O cenário político-eleitoral somado à crise estendida da fase anterior geraram represamento que agora se desloca. Mas há também outra fatia dessa mesma economia que tem um ciclo de retomada pelo consumo, por exemplo. Nós estamos em um País de 200 milhões de habitantes em que, em algum momento, o consumo é retomado. E esse consumo atinge uma parte desse movimento e volta a girar a roda da economia.
JC - O mercado apostava em um governo reformista. Porém, o governo, com 100 dias, se mostra tímido em algumas intervenções. Ou seja, do ponto de vista de negócios, o mercado assustou quando ele falou com o Trump e pode prejudicar com os chineses. Ele foi nos árabes em detrimento a outros negócios. Como o mercado olha essas ações do governo Bolsonaro?
Rodrigo - O mercado está considerando que essas movimentações políticas trazem mais risco do que se via em um primeiro momento. Isto está nítido nas previsões de crescimento de PIB, nos comentários de empresários que investem no Brasil. Mas, por mais que exista isso, você também vê determinadas movimentações políticas para uma melhora da economia. Então, você tem a questão da Previdência, tem conversa já iniciada para simplificação de impostos. São pontos importantes também. Não defendo nenhuma linha política aqui. O que coloco é que, entre acertos e erros, também vemos algumas coisas que caminham para a melhoria.
JC - Como o mercado está vendo os obstáculos e dificuldades políticas para o caminho da reforma da Previdência?
Rodrigo - O mercado, obviamente, fica com receio. O mercado sempre tende a relacionar risco para avaliar o retorno de qualquer atividade ou decisão de investimento a ser tomada. E ele olha essas movimentações. Se você traz obstáculos para o que se espera, ele traz essa tendência. É natural que o mercado veja essa dificuldade com preocupação.
JC - Se o BNDES tem uma queda significativa na capacidade de financiar bons projetos e investimentos, quem vai financiar esses negócios?
Rodrigo - Pensando o grande objetivo e o grande obstáculo que existe hoje para o empresário, diria que a questão é conseguir tropicalizar a informação da empresa de modo que instituições internacionais que queiram investir em economias como o Brasil entendam aquilo como um bom negócio. Se preparar para apresentar aquilo de maneira correta é o desafio para esse empresário. É muito mais fácil você bater à porta de um banco brasileiro e utilizar seu produto de prateleira. Mas não é o mais rentável, onde se maximiza valor. Ao passo que, quando você vai conversar com investidor de fora, que está acostumado a uma rentabilidade mais baixa, por serem economias mais maduras, ele também está acostumado a ter robustez maior das informações. Então, o obstáculo hoje para acessar o financiamento de fora é se preparar e se embasar para que você consiga acessar players também mais robustos.
JC - Essa movimentação de fundos de fora interessados no País altera, em algum tempo, a concentração bancária?
Rodrigo - Hoje, o empresariado já está vivenciando essa mudança. Inclusive, empresas maiores já estão vendo um cenário de negócios fora dos bancos padrões daqui, desde os federais até os comerciais. Elas já estão indo para instituições mais focadas com o ambiente industrial. E há uma outra linha de bancos nesse mercado, que nem sempre estão na propaganda, mas que atuam com investimento. São voltadas para créditos de investimento. E isso está movimentando bancos aqui nesse segmento também.
JC - Por que o green bonds (título climático) pode ser um bom negócio, oportunidade?
Rodrigo - Tudo o que você atrela em benefício para a sociedade, você agrega um ponto a mais e além do retorno. E, por si, esse título já agrega porque está ligado a projetos sustentáveis. Mas, este é um negócio totalmente desestruturado no Brasil. Porém, já existem conversas com o governo, o Congresso, para regulamentar isso. Precisa de um norte do governo, da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para operar com o green bonds. Hoje, ainda não tem aqui e está indo muito bem lá fora.
