Economia & Negócios

Comércio prevê crescimento no 2.º semestre se reformas avançarem

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Marco Bertaiolli, Patrícia Rossi, Alfredo Cotait, Reinaldo Cafeo, Clodoaldo Gazzetta, Natanael Miranda dos Anjos e Luiz Rabi participaram do Encontro da Facesp, nessa sexta-feira (28), em Bauru

Os economistas já deram a receita: para o País crescer, precisa retomar a confiança e, consequentemente, o nível de investimentos. Diante da expectativa de aprovação das reformas do governo, o setor terciário, que abrange o comércio e os serviços, se diz otimista em relação ao segundo semestre deste ano, com aposta de ampliação para 2020. Nessa sexta-feira (28), a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) sediou o Encontro da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), que também abordou o assunto.

Samantha Ciuffa
Presidente da Facesp, Alfredo Cotait Neto, destaca que o Cadastro Positivo também irá estimular o consumo no País

Presidente da entidade estadual, Alfredo Cotait Neto argumenta que o Brasil tem de resgatar a própria credibilidade, atraindo, assim, a atenção dos grandes investidores.

De acordo com ele, a confiabilidade do País só será recuperada após a aprovação da Reforma da Previdência. "Não quer dizer que mudará, imediatamente. Porém, garanto que melhorará o nível de investimentos. É um processo, logo, não podemos resolver o problema da noite para o dia", acrescenta.

Já o presidente da Acib, o economista Reinaldo Cafeo, alega que o Estado está estrangulado. "Quando olhamos a matriz macroeconômica, temos o consumo agregado, os investimentos, os gastos do governo e o setor externo. Então, de onde pode vir o crescimento, neste segundo semestre?", questiona.

De imediato, ele mesmo responde: em primeiro lugar, está a renovação do ambiente de negócios, decorrente das ações ligadas à liberdade econômica. Em segundo, o incremento no consumo, com a liberação do compulsório (dinheiro parado no Banco Central) e o Cadastro Positivo.

Contudo, ainda segundo o economista, a sustentação do crescimento sairá dos investimentos. "Os gastos do governo têm de ser controlados e o setor externo não possui nada contundente", justifica.

Para Cafeo, quem olha a macroeconomia brasileira, hoje, tem quase certeza de que investir no País não é seguro. "Estamos endividados, com déficit progressivo, além de dívida pública na casa dos 80%. Para alterar o cenário, precisamos aprovar as reformas da Previdência e Tributária".

O presidente da Acib esperava que, com o novo governo, tal visão mudaria de maneira mais rápida. Porém, assume que houve falta de habilidade nas negociações junto ao Congresso Nacional. Ainda assim, em tempos de receio de estagnação, espera que o comércio tenha 1% de crescimento no País, neste segundo semestre.

Com a macroeconomia caminhando, o economista aposta que, em 2020, o índice será maior, de 2%. "A redução dos juros básicos também deverá ajudar. Você desestimula quem tem dinheiro guardado a antecipar o consumo", reforça.

NO MUNICÍPIO

Ainda de acordo com Reinaldo Cafeo, Bauru tem um diferencial. Em primeiro lugar, o setor terciário abocanha mais de 70% do PIB local. O município também abriga as principais recuperadoras de crédito do País.

Logo, conforme observa o economista, não existe uma extensa fileira de desempregados. Além disso, ele acredita que a construção civil esteja colocando a sua cara para fora.

Embora a cidade tenha sofrido o reflexo sistêmico de todo o País, Cafeo afirma que o fez com certo alívio, devido às características da sua matriz econômica. "Entendo que Bauru pode continuar à margem de uma penúria maior", pontua.

CADASTRO POSITIVO

Uma das principais temáticas do Encontro da Facesp, em Bauru, girou em torno do Cadastro Positivo. Hoje, o comércio trabalha em cima do chamado Cadastro Negativo, no qual o devedor não consegue crédito, independente se for contumaz ou não.

Segundo o presidente da entidade estadual, Alfredo Cotait Neto, tal informação é muito simples. "Vamos supor que você se esqueceu de pagar uma única conta e, mesmo assim, não tem direito ao crédito", diz.

O Cadastro Positivo, cujo início está previsto para o dia 9 de julho deste ano, surgiu para resolver o problema. Nele, o comerciante acessará um ranking de consumo. "Se não pagou uma única conta, a sua pontuação será de 9,5, de 0 a 10. Logo, dificilmente, terá o crédito negado", explica.

Para Alfredo, o número de negativados, em todo o País, deverá cair de 60 milhões para 10 milhões, fato que incentivará o consumo e o crescimento de diversos setores da economia, incluindo o comércio.

Além do presidente da Facesp, o deputado federal Marco Bertaiolli, que palestrou durante o evento da entidade, em Bauru, também afirma que o Cadastro Positivo mudará a relação de consumo.

De acordo com o parlamentar, o novo procedimento permitirá que os sistemas de informação de crédito tenham um banco de dados mais rico. "Não registrará apenas aquele momento ruim, mas todo o histórico do comportamento de crédito. Um infortúnio momentâneo não será analisado como hoje, de forma isolada", frisa.

Também participaram do evento da Facesp o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), a titular da Sedecon, Aline Fogolin, bem como representantes da Acib, da CDL, do Sebrae e do Sincomércio.

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