| Bernadett Szabo/Reuters |
![]() |
| Holanda foi a surpresa do Mundial e busca o título hoje em sua segunda participação |
O troféu de carisma da torcida já está há semanas nas mãos da Holanda. A "maré laranja" que invade cada cidade em que a seleção feminina joga, com direito a coreografia, é uma das imagens mais divertidas da Copa do Mundo da França. Dito isso, ninguém se atrevia, até alguns dias atrás, a incluir as holandesas no pelotão das favoritas à taça de campeãs do mundo. Adversárias da favorita seleção dos EUA na final de hoje, às 12h (de Brasília), em Lyon, elas tentarão mostrar que não despacharam equipes mais tradicionais, como Canadá, Japão e Suécia, só por sorte de (quase) principiante.
A Holanda faz sua segunda participação em um Mundial. Na primeira aparição, em 2015, alcançou as oitavas de final. Já em Olimpíadas, aparecerão pela primeira vez no ano que vem, em Tóquio. O ponto de virada foi o título da Eurocopa de 2017, jogando em casa. O público holandês "descobriu" sua seleção feminina, compareceu em peso aos estádios e seguiu prestigiando as atletas após o término do campeonato.
A trajetória ascendente também turbinou a prática do esporte. Existem hoje 160 mil jogadoras registradas na federação holandesa. Muito disso se deve também à treinadora Sarina Wiegman. Jogadora entre 1994 e 2003, ela foi a primeira mulher a vestir a camisa laranja mais de 100 vezes. Após se aposentar, tornou-se treinadora e, no começo de 2017, assumiu o posto de técnica da seleção principal. Seis meses depois, conquistaria a Euro.
| Gonzalo Fuentes/Reuters |
![]() |
| Maior potência feminina, EUA buscam ratificar favoritismo e faturar o tetra |
"Eu acho que o potencial estava na Holanda havia muito tempo. Mas as condições não estavam até 2007, quando a Eredivisie [liga nacional] começou [para as mulheres]", disse a técnica. "É o desenvolvimento interno na Holanda e individual que permite grandes passos", completou. Segundo Vissers, hoje cada cidadezinha tem seu clube. Apesar disso, 17 das 23 jogadoras da seleção (74%) atuam no Exterior, o que faz o campeonato nacional não ter um nível tão forte.
Hoje, as holandesas terão a chance de fazer o que nem Cruyff nem outro holandês jamais conseguiu: vencer uma Copa do Mundo. A seleção masculina bateu na trave três vezes: em 1974, 1978 (com o time comandado pelo camisa 14 e apelidado de Laranja Mecânica) e em 2010. Em 1988, a seleção comandada por Van Basten, Gullit e Rijkaard conquistou a Euro, mas, na Copa de dois anos depois, foi eliminada nas oitavas de final.
Entre a Holanda e o feito inédito, porém, está a seleção dos Estados Unidos, tricampeã do mundo e que busca ampliar sua hegemonia. A potência passeou em campo na fase de grupos. Marcou 18 vezes em três jogos (saldo que inclui a goleada de 13 a 0 sobre a Tailândia, a maior já vista em Copas).
O mata-mata, porém, tem se mostrado mais desafiador para as americanas, com três vitórias por 2 a 1 sobre Espanha, França e Inglaterra. Agora caberá a outra equipe europeia tentar parar as favoritas.
Caso a partida de hoje termine empatada no tempo regulamentar, acontecerá uma prorrogação de trinta minutos. Persistindo a igualdade no tempo extra, o campeão será conhecido nas cobranças de pênaltis.
Cautela e ousadia
Atual campeã, a seleção dos Estados Unidos é apontada como a favorita, porém, sua treinadora, Jill Ellis, adota um discurso cauteloso. Afinal de contas, do outro lado do gramado estará a campeã da Eurocopa. “A Holanda não é um time qualquer e com certeza é quem vai exigir mais de nós, ainda mais em se tratando de uma grande decisão. Respeitamos demais o nosso oponente, pois entendemos que ele chega com as mesmas chances que as nossas. Detalhes vão definir quem vai levar a melhor e espero que a gente esteja com o mesmo poder de decisão apresentado nos jogos anteriores”, analisou a treinadora dos Estados Unidos. Já Sarina Wiegman, treinadora da Holanda, promete uma postura ofensiva. “A Holanda não pode ficar o jogo todo esperando os Estados Unidos em seu campo pois este tipo de postura é a mesma coisa que implorar levar gols. O adversário tem muita qualidade e não pode ficar à vontade. Temos que pressionar desde os primeiros minutos, procurando manter a posse de bola, como nos acostumamos a fazer ao longo de todo este torneio. Tudo pode acontecer”, afirmou Sarina.
|
Com bom início, Suécia vence Inglaterra e fica com 3º lugar
Com um início avassalador, a seleção da Suécia derrotou a Inglaterra por 2 a 1 ontem, no Stade de Nice, e ficou com o terceiro lugar do Mundial Feminino. A equipe escandinava contou com um bom início para abrir 2 a 0 em 21 minutos e se defendeu com eficiência.
As suecas, que têm como melhor resultado em Mundiais um vice-campeonato em 2003 - perderam a final para a Alemanha, na ocasião - ficam com o terceiro lugar pela terceira vez na história do torneio, repetindo 1991 e 2011.
As inglesas, que ocupam o terceiro lugar no ranking, repetem o desempenho do time masculino na última Copa do Mundo da Rússia, em 2018, e se despedem do torneio no quarto lugar. A melhor colocação da Inglaterra em Copas foi o terceiro posto conquistado na última edição do torneio, no Canadá, em 2015.
O duelo foi equilibrado e teve seus melhores momentos na primeira etapa. Fez diferença a favor das suecas o fato de elas terem começado o jogo mais ligadas. Fizeram dois gols em 21 minutos e ficaram confortáveis para administrar a vantagem.
Asllani abriu o placar aos 11 minutos. Ela aproveitou a falha da defesa rival, que afastou mal a bola dentro da área. Aos 21, Jakobsson invadiu a área e mandou a bola com curva, que morreu no canto esquerdo da goleira Telford.
Depois de ser sufocada nos primeiros minutos, a equipe do técnico Gary Neville acordou e reagiu. O gol veio aos 31, com Kirby. A camisa 10 driblou a marcadora e bateu com categoria.
No segundo tempo, a Inglaterra pressionou. Tentou de todas as formas, mas não foi capaz de superar a forte defesa da Suécia.

