Geral

Depois de 12 anos, relógio voltará a funcionar no Lauro de Souza Lima

Rafael de Paula
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos: Jaime Prado
Após limpeza, engrenagem do aparelho ficou parecendo nova

O relógio da marca Michelini que está instalado na torre da igreja Nossa Senhora das Dores, no Instituto Lauro de Souza Lima, voltará em breve a funcionar. É o que garante Jaime Prado, que desenvolve trabalho voluntário para restaurar cada engrenagem do equipamento de 79 anos.

Prado é ex-funcionário da instituição e fez o mesmo trabalho em 2007, quando o relógio funcionou depois de quase 40 anos parado. Como o equipamento é inteiramente mecanizado e precisa de corda para que marque as horas, pouco tempo depois, na época, o relógio da torre voltou a ficar parado.

As engrenagens do relógio tinham até ninho de pássaro

Torre da igreja Nossa Senhora das Dores abriga o relógio de 79 anos

Prado se lembra, com a precisão de um relógio, o dia e a hora que fez o Michelini funcionar em 2007. "Era 7 de julho. Coloquei o relógio em funcionamento às 17h36, do alto da torre de 40 metros", conta.

A restauração foi possível com a autorização da diretoria do instituto da época.

Prado conheceu o relógio ainda menino em 1967. A beleza da torre e a precisão das horas estão gravadas na sua memória. Principalmente quando começou a trabalhar no instituto, em 1976.

"Quando eu comecei a trabalhar lá, o relógio já estava parado há muito tempo. Por anos ficou parado, com os ponteiros indicando 11h36", explica.

O trabalho de restauração começou no dia 7 deste mês e já está em fase final. A previsão é que o equipamento volte a funcionar nos próximos dias. Embora isso ocorra, não será possível ouvir as tradicionais badaladas. A torre não abriga mais o sino, que foi roubado em 1966. Prado busca, agora, doações para deixar o relógio completo.

ENGRENAGENS

Para conseguir desmontar as peças e fazer o serviço de restauração, Jaime Prado - também artesão e jornalista - contou com doações de alguns materiais. Foram utilizados dois cabos de aço de 36 metros, com quatro milímetros de espessura, além de tinta, lubrificantes, lixa e querosene.

O trabalho é feito nas engrenagens, que ficam na área interna da torre, e também na parte externa, onde ficam os ponteiros, à vista das pessoas. "Nunca fui relojoeiro. Considero isso como um dom divino", revela.

O relógio italiano da marca Michelini foi produzido por uma antiga fábrica na Capital, em meados de 1940. Para que funcione corretamente, pelo menos uma vez na semana é necessário que alguém dê corda ao maquinário.

ANTES

Prado também foi o responsável por fazer funcionar o relógio da mesma marca instalado na Paróquia Santa Teresinha, na Praça Rodrigues de Abreu, em 2018. O serviço foi concluído no mês de janeiro, depois de três meses sem funcionamento.

Na época, não mediu esforçou para subir os 134 degraus da torre e realizar a manutenção. Na paróquia, o relógio parou depois uma obra feita no prédio.

"Durante uma pintura, a corda do trabalhador enroscou nos ponteiros e ele parou. O vidro também quebrou", relatou ao JC na época.

Jaime Prado
Peças do tradicional equipamento do Instituto Lauro de Souza Lima

Comentários

Comentários