| Fotos: Jaime Prado |
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| Após limpeza, engrenagem do aparelho ficou parecendo nova |
O relógio da marca Michelini que está instalado na torre da igreja Nossa Senhora das Dores, no Instituto Lauro de Souza Lima, voltará em breve a funcionar. É o que garante Jaime Prado, que desenvolve trabalho voluntário para restaurar cada engrenagem do equipamento de 79 anos.
Prado é ex-funcionário da instituição e fez o mesmo trabalho em 2007, quando o relógio funcionou depois de quase 40 anos parado. Como o equipamento é inteiramente mecanizado e precisa de corda para que marque as horas, pouco tempo depois, na época, o relógio da torre voltou a ficar parado.
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| As engrenagens do relógio tinham até ninho de pássaro |
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| Torre da igreja Nossa Senhora das Dores abriga o relógio de 79 anos |
Prado se lembra, com a precisão de um relógio, o dia e a hora que fez o Michelini funcionar em 2007. "Era 7 de julho. Coloquei o relógio em funcionamento às 17h36, do alto da torre de 40 metros", conta.
A restauração foi possível com a autorização da diretoria do instituto da época.
Prado conheceu o relógio ainda menino em 1967. A beleza da torre e a precisão das horas estão gravadas na sua memória. Principalmente quando começou a trabalhar no instituto, em 1976.
"Quando eu comecei a trabalhar lá, o relógio já estava parado há muito tempo. Por anos ficou parado, com os ponteiros indicando 11h36", explica.
O trabalho de restauração começou no dia 7 deste mês e já está em fase final. A previsão é que o equipamento volte a funcionar nos próximos dias. Embora isso ocorra, não será possível ouvir as tradicionais badaladas. A torre não abriga mais o sino, que foi roubado em 1966. Prado busca, agora, doações para deixar o relógio completo.
ENGRENAGENS
Para conseguir desmontar as peças e fazer o serviço de restauração, Jaime Prado - também artesão e jornalista - contou com doações de alguns materiais. Foram utilizados dois cabos de aço de 36 metros, com quatro milímetros de espessura, além de tinta, lubrificantes, lixa e querosene.
O trabalho é feito nas engrenagens, que ficam na área interna da torre, e também na parte externa, onde ficam os ponteiros, à vista das pessoas. "Nunca fui relojoeiro. Considero isso como um dom divino", revela.
O relógio italiano da marca Michelini foi produzido por uma antiga fábrica na Capital, em meados de 1940. Para que funcione corretamente, pelo menos uma vez na semana é necessário que alguém dê corda ao maquinário.
ANTES
Prado também foi o responsável por fazer funcionar o relógio da mesma marca instalado na Paróquia Santa Teresinha, na Praça Rodrigues de Abreu, em 2018. O serviço foi concluído no mês de janeiro, depois de três meses sem funcionamento.
Na época, não mediu esforçou para subir os 134 degraus da torre e realizar a manutenção. Na paróquia, o relógio parou depois uma obra feita no prédio.
"Durante uma pintura, a corda do trabalhador enroscou nos ponteiros e ele parou. O vidro também quebrou", relatou ao JC na época.
| Jaime Prado |
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| Peças do tradicional equipamento do Instituto Lauro de Souza Lima |



