Esportes

Esportes temem fim de atividades

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Vinicius Bomfim
Elton Carvalho, Claudio Massad, Delfino Del Rey Junior, Fabiano Teixeira, Tiago Ildefonso, Richard Leutz, Sérgio Clavero, Marcos Pantaleão e Maria Amélia Theodoro se reuniram para discutir o futuro das modalidades de acordo com novo cenário municipal

As mudanças propostas pelo novo organograma da Prefeitura de Bauru, apresentada nesta semana na Câmara Municipal, afetarão diretamente o esporte caso o projeto de lei seja aprovado da forma como está. A Secretaria Municipal de Esportes terá oito cargos comissionados de livre nomeação entrando em processo de extinção se houver a aprovação, e os coordenadores que atualmente ocupam estas vagas afirmam que, sem este apoio, as modalidades podem acabar no município.

O Artigo 24 do projeto coloca em extinção os cargos de coordenador de modalidade esportiva do taekwondo, ginástica artística, handebol, caratê, kung fu, judô, tênis de mesa e boxe. Outras modalidades também temem o encerramento futuro das vagas. Cada coordenador recebe pouco mais de R$ 1.300,00 para um jornada de 40 horas semanais - oito horas por dia. "O esporte em Bauru praticamente vai acabar se perdemos esse apoio, que é um dos poucos que temos. As equipes fazem um trabalho sério, diante de todas as dificuldades", comenta Richard Leutz, do kung fu.

Além dele, estiveram ontem no JC os coordenadores do tênis de mesa, Cláudio Massad; do handebol, Maria Amélia Theodoro; do caratê, Fabiano Teixeira; do boxe, Tiago Ildefonso; do futebol feminino, Elton Carvalho; do futebol masculino, Sérgio Clavero; e da malha, Delfino Del Rey Jr. Também compareceu Marcos Pantaleão, que atua no boxe com Ildefonso. A preocupação de todos é a mesma. "Todas as modalidades aqui disputam os Jogos Regionais e os Jogos Abertos por Bauru, e trazem bons resultados. E mais do que isso, competem em torneios estaduais, nacionais e internacionais levando o nome da cidade. Mas precisamos ter o respaldo mínimo do poder público", afirma Massad.

Os coordenadores lamentaram ainda problemas crônicos do esporte de Bauru, como a falta de estrutura - citaram lâmpadas queimadas em ginásios e problemas de manutenção - e a demora para o repasse da verba do Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo, que costuma sair apenas em meados de julho, quando o ideal seria a liberação antes de março. De acordo com Maria Amélia, do handebol, municípios como Piracicaba destinam R$ 4 milhões anuais ao Fundo. Já Bauru tem atualmente R$ 800 mil.

São 2.700 atletas de alto rendimento ou alunos presentes nessas modalidades, sendo 80 no tênis de mesa, 60 na malha, 300 no caratê, 150 no boxe, 200 no kung fu, 600 no futebol masculino, 60 no futebol feminino e 1.250 no handebol. Se considerados ainda outros esportes como ginástica artística, bocha e xadrez, o número passa de 3 mil pessoas. Os coordenadores são unânimes em afirmam que, sem esse apoio da prefeitura, ficará praticamente impossível manter o esporte de alto rendimento e também voltado ao social.

NA CÂMARA

O vereador Roger Barude (Cidadania) foi nomeado como relator do projeto de lei do novo organograma na Comissão de Justiça da Câmara Municipal, e pediu prazo antes de emitir parecer. Ele já se posicionou favoravelmente aos coordenadores e contra a extinção dos cargos. A criação dessas vagas foi discutida com o Ministério Público (MP) em 2015, mas agora a prefeitura afirma que precisa colocar os cargos em extinção por determinação do Conselho Superior do MP. "Entendo que é possível um diálogo com o Ministério Público e a prefeitura, uma vez que sem esses cargos teremos muita dificuldade para manter o esporte de Bauru como o desempenho atual e fazendo o trabalho social", afirmou Barude na tribuna da Câmara.

A vereadora Chiara Ranieri (DEM) também já recebeu contato de alguns coordenadores e demonstra preocupação com o risco para o esporte caso essa parte do projeto passe. Os coordenadores também estão mantendo contato com mais parlamentares em busca de apoio. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) reiterou ao JC que colocou os cargos em extinção no organograma por conta de determinação do Ministério Público, e que em seguida pretende abrir concurso público para essas vagas. Já os coordenadores entendem que como as vagas são muito específicas, haverá dificuldade para a seleção, o que motivou há quatro anos a criação dos cargos de livre nomeação. Eles ainda lembram que os cargos comissionados recebem salário menor do que os servidores concursados.

PROJETO ORGANOGRAMA

O projeto de lei do novo organograma foi apresentado pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) na Câmara, nesta semana, e pretende criar duas novas pastas, no caso a Secretaria de Governo e a Secretaria de Fiscalização e Licenciamentos. Esta última substituirá a atual Seplan, cujas atividades serão distribuídas entre a nova secretaria, o Instituto de Planejamento, também sendo criado no projeto, e a Secretaria de Obras. A proposta ainda cria sete subprefeituras, coordenadorias e muda o nome de secretarias atuais. A Câmara começou a analisar o projeto na Comissão de Justiça e não há prazo para ir a plenário e ser votado pelos vereadores.

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