Política

Coleta seletiva: prejuízo de R$ 1,4 mi

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

A Prefeitura de Bauru mudou o contrato da coleta seletiva em 2017 e desde então vem gastando o dobro do que deveria para manter o serviço. O montante gasto é R$ 1,4 milhão maior do que o município precisaria desembolsar com o setor. No final daquele ano, o contrato com a Emdurb, que era por tonelada, passou a ser por equipe. Com arrecadação de material bem menor do que o previsto, as equipes ficaram ociosas e a empresa mudará o esquema de trabalho a partir da semana que vem.

Desde o ano passado, a Emdurb recebe R$ 40 mil mensais por equipe, composta por um caminhão, um motorista e quatro coletores cada. A Emdurb vinha mantendo seis equipes, portanto, recebia R$ 240 mil por mês.

O vereador Coronel Meira (PSB) fez pedido de informação pelo Artigo 18 da Lei Orgânica sobre o volume coletado, e agora, em novo pedido, espera obter informações detalhadas de cada equipe - percurso percorrido diariamente, volume coletado e tempo de trabalho de cada.

Entre janeiro e dezembro de 2017, foram coletadas 2.049.339 toneladas de material reciclável pela Emdurb, a R$ 549,00 por tonelada, totalizando R$ 1.125.070,64 no ano, quando o contrato ainda era por tonelada. Já no mesmo período de 2018, com o contrato por equipe, foram coletados 1.651.351 toneladas, uma redução de 20%, mas a Emdurb recebeu da prefeitura R$ 2.880.000,00 durante o ano. O custo da tonelada passou para R$ 1.744,00, um aumento de 150%. A redução do material coletado afetou diretamente as cooperativas, que tiveram drástica diminuição de faturamento.

Mesmo antes de receber formalmente os documentos, Meira já está sabendo de mais problemas com a coleta seletiva. "Como o contrato é por equipe, mesmo que a coleta seja mínima, o valor é pago por inteiro, e muitas vezes o caminhão saía e voltava em duas horas, sendo que a jornada dos coletores é de seis horas. Com duas horas de trabalho, já eram dispensados. Além de tudo, o município vem tendo uma despesa enorme com esse sistema", afirma.

REESTRUTURAÇÃO

O presidente da Emdurb, Elizeu Eclair, teve uma conversa com o parlamentar nesta semana e adiantou que mudará o esquema de trabalho, ressaltando que o problema não é com os coletores, mas com o sistema. A empresa municipal reduzirá de seis para três equipes na coleta seletiva, o que vai gerar, em um ano, economia de R$ 1,4 milhão para a prefeitura, correspondente a metade do valor anual.

Os caminhões continuarão percorrendo os mesmos trajetos e mantendo a coleta onde já acontece atualmente, em boa parte da área urbana. "Tem um acordo no Ministério do Trabalho de que se o coletor terminar a jornada antes das seis horas, ele deve ser dispensado naquele dia. Acontece que, com a crise, a coleta seletiva diminuiu, pois tem muita gente coletando reciclável, então, muitas vezes as equipes terminam o setor em duas ou três horas. Como a jornada é se seis horas, cada equipe pode fazer o dobro do que vinha fazendo. Os demais motoristas e coletores vão reforçar a coleta orgânica", comenta.

 

Comentários

Comentários