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Vocação para ser grande

Rafael Moia Filho
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de sua enorme extensão territorial, sua população acima de 200 milhões de pessoas, sendo assim o maior país da América do Sul, o Brasil não tem vocação para ser grande. A culpa em boa parte é dos políticos, sim, com toda certeza estes em todas as três esferas de poder legislam em causa própria ou em busca de interesses menores para a sociedade e maiores para suas contas bancárias em paraísos fiscais ou quem sabe buscando visibilidade para poder se reeleger.

Porém, não podemos deixar de dividir um pouco esta culpa com a sociedade. Começo pelo povo que não leva a sério o ato da democracia, na maioria das vezes imaginando que votar a cada dois anos possa ser considerado como pleno exercício de cidadania, com isso não fiscaliza, não cobra, não acompanha sequer os trabalhos dos vereadores e prefeito de suas cidades. Vota sem pesquisar seus candidatos e ultimamente prefere votar em branco, nulo ou se abster das votações. Dá aos políticos um cheque em branco para que estes em quatro anos façam o que bem entenderem.

Na última eleição, apenas e tão somente 38% (trinta e oito por cento) dos eleitores votaram no candidato que venceu a eleição para presidente da República. Com isso, 62% dos eleitores brasileiros, mesmo sendo maioria, não participaram de forma efetiva do processo eleitoral. Preferiram anular, votar em branco ou simplesmente se abster de votar. É um processo legal, mas preocupante porque estes números vêm crescendo a cada nova eleição. Precisamos avaliar o comportamento do nosso alto empresariado, que embora reclame muito de alguns governos disponibiliza recursos para financiar campanhas eleitorais, com a finalidade de cobrar estes políticos para ajudá-los em questões que normalmente prejudicam os próprios trabalhadores.

Sem contar os carteis e a pressão para redução ou perdão de dívidas de impostos devidos ao próprio governo. Busca de subsídios para em alguns casos fazer frente à própria incapacidade de crescimento e modernização de seus negócios. Empresários que mantêm salários baixos, procuram cortar benefícios sempre que podem, alguns sonegam impostos e, mesmo assim, vivem viajando, comprando iates, constituindo verdadeiras fortunas. Basta consultar a lista do BNDES para ver quem adquiriu jatos modernos com financiamentos a juros de pai para filho.

Por último, ressalto a nosso ineficiente sistema judiciário, que colabora com a corrupção doentia no país. Sua omissão e demora para efetuar os julgamentos dos envolvidos nestes crimes possibilita que centenas de casos prescrevam sem que os réus sejam condenados.

O país, para ser grande, além de corrigir estas coisas citadas acima, precisa investir e apoiar a Educação, como base para qualquer mudança que possa ajudar na formação de uma geração vencedora.

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