Noites de domingo são pachorrentas - se você gosta de futebol, as arenas já fecharam os portões; nas televisões, especialistas se degladiam em discussões improdutivas, repetitivas e de uma chateza irritante; os torcedores desiludidos ou eufóricos com seus times se espremem nas fiilas dos ônibus e dos metrôs; o indicado será procurar um canal pago e estes, no mais das vezes, estão por meses inteiros repetindo os filmes com as tragédias do cotidiano nacional, exibidos à exaustão, ou seja, filmes que não interessam. Voltando aos canais abertos, aí a coisa pega!
Além do "cansástico", nada se aproveita no ítem qualidade. Exceções são poucas. Ele há pouco tempo havia instalado no muro externo da casa as câmeras vigilantes. Ficar olhando o movimento das ruas não era um programão até mesmo pela monotonia das imagens com os carros que sobem e descem em velocidade desafiando a legislação e notívagos em passos apressados na noite caminham sob postes de fraca iluminação. Na falta do melhor, que tal ficar olhando para os registros da câmera oculta? - Assim pensou e assim ficou conectado à telinha, afinal, 21 horas ainda era muito cedo para o sono reparador.
Não chegou a contar quantos passantes ou veículos modificaram a paisagem... afinal, não era estatístico nem havia recebido pedidos de gráficos comparativos. Pois é, para sua surpresa, aliás agradável surpresa, por volta de 22h30 imagem mostrava uma dessas sacolas, vazia, no meio da rua. Veículos faziam a sacola bailar de um lado para outro e até mesmo os pedestres não se preocuparam com ela. Os que paravam achavam engraçado aquela sacola sendo mandada de um lado para outro e teimando em permanecer no mesmo local onde foi atirada. Bem... em toda estória fabulosa há que tirar sempre ideias com as regras de conduta e comportamento e assim é que nessa noite um ciclista viu a sacola. Rodopiou em torno dela, desceu da bicicleta, apanhou a sacola e a colocou no aparador de lixo.
A cena só foi vista por quem estava sintonizado na câmera registradora das imagens da rua e que ele, por falta de opções teve o privilégio de testemunhar. Apenas lamenta não ter ido à rua cumprimentar e parabenizar o jovem ciclista por sua ação, e que, no pequeno gesto, lançou sua mensagem de consciente cidadania.