O mercado mundial de veículos de propriedade individual está vivenciando a chegada de novo paradigma. Novas tecnologias veiculares a preços mais acessíveis aos consumidores devem acelerar popularização de veículos elétricos e híbridos Os carros movidos a gasolina e a diesel passarão a ser menos comuns nas ruas europeias nas próximas duas décadas. Não se pode ignorar o célere aumento no uso de transporte por aplicativos.
Muitos especialistas insistem que os automóveis elétricos são melhores do que os atuais movidos a gasolina e diesel, pois aceleram mais rapidamente, são silenciosos e emitem bem menos poluentes. No entanto, ainda há obstáculos a serem superados. As redes elétricas atuais não seriam capazes de garantir o abastecimento da frota mundial de um bilhão e duzentos mil carros. Situação ainda pior seria atender aos previstos 2 bilhões de carros, em 2035. Os problemas não param por aqui. Garagens de muitas casas e edifícios não dispõem de tomadas suficientes para assegurar oito horas no carregamento das baterias.
Para alguns especialistas, a sociedade americana está próxima de assistir e vivenciar a uma mudança ainda mais radical, mais significativa e relevante da história, em relação aos automóveis. Estima-se que, até a década de 2030, cerca de 95% do total das distâncias percorridas por passageiros americanos serão realizados por meio de veículos elétricos autônomos sob demanda, pertencentes a frotistas. Deixaria de existir a propriedade particular individual como é hoje, se transformando em um novo modelo de negócio, denominado de "transporte como serviço" (TaaS). Esta previsão faz parte do relatório "Rethinking Transportation 2020-2030", de autoria de J. Arbib e T. Seba, vaticinando uma quebra de paradigma nos transportes, com o colapso dos veículos de combustão interna e indústria do petróleo. Essa quebra de paradigma pelo TaaS terá implicações enormes nos setores de transporte e de petróleo, dizimando partes inteiras de suas cadeias de valor. Isto fará com que a demanda e os preços do petróleo caiam, destruindo trilhões de dólares em valor para os investidores destes setores. No entanto, prevê-se que serão gerados outros trilhões de dólares em novas oportunidades de negócios.
A mudança do novo modelo de transporte será impulsionada pela economia, pois, estima-se que usando o TaaS, uma família média americana economizaria mais de US$ 5.600/ano em custos com o transporte, o que equivaleria a um aumento salarial de 10%. Isso manteria mais US$ 1 trilhão/ano nos bolsos dos americanos, até 2030.
Enfim, qual será o cenário daqui a 15 ou 20 anos ainda não é possível afirmar com segurança. Que o mercado mundial de automóveis sofrerá profundas modificações, principalmente com relação ao tipo de motor e a forma de conduzir, parece não haver dúvidas. É só uma questão de tempo. Será o fim da relação passional entre homens e "suas maravilhosas máquinas".