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Jornalismo, volver!

Luís Victorelli
| Tempo de leitura: 2 min

Numa guerra, a primeira das vítimas é a verdade. Não por acaso, essa afirmação é creditada ao Pai da Tragédia. Desde que o verbo se fez mundo, atritos e conflitos são partes intrínsecas da evolução. Caóticos, instintivos ou por mero capricho, uma jabuticaba do comportamento humano, os confrontos são a regra. Aristóteles lembrava que Ésquilo, em sua dramaturgia trágica, aumentava a quantidade de personagens em suas obras para... gerar conflitos! É claro que não precisamos de uma legião para barbarizar, em muitos dos casos basta um único de nós para construir na própria cabeça um campo minado. Com os fantasmas da dúvida e os monstros da certeza, como latentes aliados, ficamos a apenas um clique desse belicismo solo migrar para a turba.

E se na Grécia Antiga ampliar o número de pessoas era a senha para o circo pegar fogo, o que esperar, então, dos tempos de hoje com rebanhos digitais ao sabor dos algoritmos. Queimamos a Amazônia!? A verdade, rapidinho, vira fumaça logo no 1º Ato. Num palco onde cada vez mais se fundem a realidade e o falso, excitando uma plateia de extremos, é fundamental estabelecer uma mediação que jogue luz nesta coxia. Muitos são os candidatos a farol, dos tribunais aos templos, da caserna ao mercado, da política à academia, que, mesmo quando carregados de boas intenções, não iluminam muito além da própria selfie.

Mas e a imprensa, cabe nessa foto? Na grande angular da sociedade todos são parte do mesmo retrato. Porém, nunca é demais lembrar que, em sua mais profunda essência, a verdade é a matéria-prima do jornalismo. E se a deixarmos tombar, por que (nós, jornalistas) haveríamos de existir? Entrar em cena carregando-a nos braços com as vestes de Aletheia não é o suficiente para reanimá-la.

Um mesmo fato jamais será igual entre o vivido, o dito e o repetido. Por isso, o jornalismo fará jus à sua missão maior de nos manter fortes, críticos e éticos, nesta grande peça chamada vida, não por alardear uma idealizada verdade, e sim por revelar as melhores, imparciais e mais honestas versões possíveis dela. A escolha, por mais difícil, desconfortável ou arriscada que seja, será sempre nossa.

 

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