A tecnologia 5G parece ter potencial para abranger tudo o que cabe dentro da imaginação humana. Porém, para dar conta não apenas da transmissão de uma enorme quantidade de dados, mas também de um número infinitamente superior de dispositivos conectados, a nova rede requer uma conexão de Internet mais veloz e, portanto, um espectro de frequência mais alto.
Mas, quanto maior a frequência, menor a área de cobertura, o que vai gerar a necessidade de um acréscimo significativo de antenas, que deverão ser menores e distribuídas no espaço urbano, como em laterais de edifícios, por exemplo. Na prática, isso trará como consequência um aspecto relevante: a necessidade de investimentos elevados por parte das operadoras de telefonia.
"Em um país como o Brasil, que nem conseguiu implantar o 4G plenamente até hoje, fica difícil pensar em como será possível distribuir o 5G no curto prazo", analisa o professor Eduardo Morgado, coordenador do Laboratório de Tecnologia da Informação Aplicada do Departamento de Computação da Unesp de Bauru.
Ele explica que a estrutura de antenas disponível atualmente poderá ser aproveitada, como historicamente sempre ocorreu, para a implantação de uma nova geração de Internet móvel. Porém, para a operação nas velocidades desejadas para o futuro, com maior precisão e menor tempo de resposta, o investimento nos equipamentos adequados será indispensável.
"Mas existe um receio quanto ao retorno financeiro, de o 5G não ter tanta adesão no País e gerar prejuízo às operadoras. Elas estão cautelosas, pois o 5G tem custo alto de implementação", acrescenta José Milagre, especialista em direito e tecnologia, sociedade e segurança digital.
CELULARES
Para o professor Eduardo Morgado, a tendência é de que as companhias de telecomunicações lancem tecnologias precedentes ao 5G, até o 4.9G, que podem ser abrigadas pela malha existente com resultados satisfatórios. "Agora, para oferecer todos os serviços prometidos para a rede 5G, precisaremos de uma nova faixa de frequência. E não sabemos quando ela estará disponível em todo o Brasil", aponta.
Além da renovação estrutural, os consumidores também terão de se atualizar, já que, hoje, são poucos os smartphones capazes de operar com esta tecnologia. "O celular que a maioria tem no bolso hoje não está preparado para o 5G. A expectativa é que os aparelhos comecem a chegar ao País em 2021", completa Milagre.