Em 1969, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, o Conselho Estadual de Educação e o governo estadual autorizavam o funcionamento da Faculdade de Ciências (FC) da então Fundação Educacional de Bauru. Passados 50 anos, a unidade, já encampada pela Unesp, deverá caminhar rumo ao ensino integrado. A direção do órgão visa fugir da divisão de disciplinas e promover um trabalho coletivo entre os alunos. No próximo dia 19, às 10h, haverá um evento comemorativo do Jubileu de Ouro, no Anfiteatro Guilhermão.
De acordo com o diretor da FC, Jair Lopes Júnior, as metas desde 1969 foram, de fato, cumpridas. "Queríamos a qualificação do corpo docente e a constituição de uma base sólida envolvendo a infraestrutura. Conseguimos atingir ambos os objetivos, apesar das restrições orçamentárias", reconhece.
A vice-diretora da unidade, Vera Lúcia M. Fialho Capellini, acredita na transformação da forma de ensinar, desde a Escola Básica até a Superior. "Ainda trabalhamos com as casas disciplinares, mas a base sólida construída pela ciência nos permitirá agir de forma integrada", acrescenta.
O professor Jair, por sua vez, afirma que a FC tem pela frente uma série de desafios. "Precisamos estabelecer uma sintonia com as inovações didáticas, que acompanham as mudanças da sociedade como um todo", observa.
Para ele, as práticas de inovação envolvendo a captação de verba de forma imediata, desde que dentro da legalidade, também deverão ser incentivadas. "A Unesp sempre primou pela formação de recursos humanos capazes de reverter uma crise em resultados efetivos".
Questionado sobre a possibilidade de expansão da FC, o seu diretor alega que o momento impõe cautela, sob o ponto de vista orçamentário da Unesp. Segundo ele, a universidade optou por priorizar a qualificação dos cursos já existentes antes de pensar na criação de novos.
NOVO CURRÍCULO
No primeiro semestre deste ano, a direção da FC organizou quatro encontros junto aos conselhos de todos os cursos ligados à faculdade. As reuniões contaram com a participação de professores de outras universidades, como a Federal do ABC e a USP. Vera explica que os docentes da FC começaram a olhar para o currículo dos cursos de outra forma, considerando a interdisciplinaridade.
Ainda sobre o tema, os professores enfrentarão outro desafio, imposto pelo Conselho Nacional de Educação: a creditação da extensão dentro do currículo universitário. "A partir de 2020, todos os estudantes terão de desenvolver alguma atividade voltada à comunidade, não apenas aqueles que podem fazê-lo", define a vice-diretora da FC.
Quanto à prestação de serviços, Vera esclarece que, além de colaborar para a fixação de mão de obra qualificada em Bauru, a FC internacionaliza as pesquisas, ao trabalhar em conjunto com universidades de diferentes partes do mundo.
EXTENSÃO
Os principais espaços de extensão da faculdade correspondem ao Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) e ao Observatório Didático de Astronomia. "Infelizmente, ninguém está imune à crise generalizada envolvendo o financiamento do ensino público brasileiro. Temos de tomar medidas, amparadas por lei, que permitam que estes locais gerem receita própria", argumenta Jair Lopes Júnior.
Em relação ao repasse de verba, a vice-diretora da FC também critica a falta de subsídio para manter 50% dos alunos da Unesp, que entraram pelo sistema de cotas.
De acordo com ela, o atual governo se demonstrou preocupado, afinal, ouviu tal demanda e até solicitou dados. Para Vera, se o repasse não for possível, o Estado precisa ampliar o número de refeições aos alunos, bem como a quantidade de vagas da moradia estudantil.