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Celular é comparado a compulsão

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Úteis e divertidas, as tecnologias digitais, por si sós, não são vilãs. Porém, sem o entendimento sobre a necessidade de controle quanto ao uso de dispositivos como smartphones e tablets, o que era para trazer benefícios pode se transformar em um grande problema.

O uso excessivo das denominadas telas portáteis tem chamado a atenção da comunidade científica e termos como “intoxicação digital” já começam a aparecer nos estudos relacionados ao tema. Em algumas destas pesquisas, inclusive, o comportamento humano ao lidar com estes equipamentos tem sido comparado a compulsões, tal como o alcoolismo, a dependência química ou a jogatina.

“O nível médio de acesso a telas é bem intenso e isso leva ao aumento até mesmo ao risco de desenvolvimento de transtornos mentais, como a ansiedade, a depressão e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Sem o celular, estas pessoas se sentem desamparadas”, comenta a neuropsicóloga Maria de Lourdes Merighi Tabaquim, professora do curso de fonoaudiologia da FOB/USP e de pós-graduação do Centrinho.

Segundo ela, o ‘vício’ em celular afeta pessoas de todas as idades, mas crianças, cujos organismos ainda não estão plenamente desenvolvidos, podem sofrer prejuízos específicos, como atraso no desenvolvimento cognitivo e até alterações na atividade de algumas regiões cerebrais, por efeito de ondas eletromagnéticas. “Estas pesquisas sobre danos físicos não são totalmente conclusivas, mas nos dá a dimensão do risco da exposição excessiva a telas portáteis”, detalha.

1,5 MIL VEZES

Em 2014, por exemplo, a revista Ciência e Tecnologia realizou um levantamento com mais de 2 mil estudantes entre 14 e 16 anos. No estudo, quatro em cada 10 admitiram que se sentiam perdidos quando ficavam sem celular. E, em média, o grupo pesquisado acessava o celular por 1.500 vezes em uma semana, totalizando 3 horas 16 minutos de uso por dia - o que equivale a quase 24 horas a cada semana.

A professora também cita estudos que apontam que o nível de hospitalização de jovens por transtornos mentais tem crescido nos últimos anos - e uma das causas apontadas é a superexposição aos eletrônicos. Esta, também, tem sido elencada como fator de risco para a propensão ao suicídio entre os jovens.

“Além disso, o acesso fácil a um grande volume de informações pode comprometer a capacidade das pessoas, em geral, de exercitar a memória, o nível de atenção e concentração e a habilidade de pensar o mundo de maneira crítica. Há prejuízo, ainda, para as relações interpessoais e, quando o contato com as mídias chega a níveis extremos, até mesmo para a capacidade de exercitar a empatia”, detalha.

Como antídoto para não ser mais uma vítima do lado negativo das novas tecnologias, a neuropsicóloga orienta as pessoas a reorganizar hábitos e vigiar impulsos para, em um esforço consciente, conseguir retomar o controle sobre o uso destes dispositivos. “A tecnologia deve nos servir e não nos tornar dependente dela. É preciso começar a pensar na qualidade da nossa saúde mental”, completa.

LEIA A SEGUNDA PARTE DA REPORTAGEM EM: Até dormindo os efeitos são sentidos

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