Gritaria, corre-corre e até chamadas ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Tal cena ocorreu no Poupatempo, em Bauru, nesta semana, quando um funcionário do órgão e um morador de rua se desentenderam dentro do banheiro masculino. O caso, que já chegou à Polícia Civil, reforça a reclamação de alguns trabalhadores envolvendo a falta de segurança dentro do posto, conforme o Jornal da Cidade noticiou no início deste mês.
De acordo com a denúncia dos servidores, um dos auxiliares de limpeza teria flagrado, nesta segunda-feira (18), um cidadão fazendo as suas necessidades no ralo do sanitário e o advertiu. Neste momento, ambos começaram a se agredir. Na porta do banheiro, inclusive, ainda havia marcas de sangue.
Segundo os funcionários, o trabalhador teria sido orientado, pela gestão do Poupatempo, a não registrar boletim de ocorrência (BO), mas a outra parte o fez. No documento, consta que o cidadão, na verdade, vive na rua. À polícia, ele disse que sofreu agressões só por utilizar o sanitário.
A Prodesp, responsável pela gestão do Poupatempo, nega que a administração tenha interferido na decisão do servidor em não protocolar BO (leia mais ao lado).
OUTRA CONFUSÃO
No mesmo dia, a reportagem tomou conhecimento de mais uma briga. Uma das versões é de que dois munícipes se desentenderam dentro do posto e o mais exaltado bateu no outro com um capacete de motocicleta. Há quem informe que a mesma desavença se deu entre um servidor e um cidadão, que o agrediu com a própria cabeça.
O Poupatempo, por sua vez, alega que a confusão, realmente, ocorreu entre dois munícipes, sem envolvimento de funcionários do órgão.
SEM VIGILÂNCIA
Em matéria publicada no dia 7 de novembro, o JC mostrou que o advogado do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), José Francisco Martins, visitou o espaço. Na época, constatou que a empresa responsável pela vigilância saiu há um ano e, por enquanto, ninguém assumiu a função.
Ele ficou de oficiar a direção do Poupatempo, assim como os chefes de todas as secretarias municipais que atendem por lá.
Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru esclarece que o município está por dentro dos problemas enfrentados pelo órgão local, afinal, o secretário de Finanças, Everson Demarchi, conversou com a administração do posto na semana anterior.
O titular da pasta apurou que "a empresa que fazia os serviços de segurança, copa e entrega de uniformes não quis prorrogar a licitação e outra foi aberta".
MAIS PROBLEMAS
A mesma reportagem do início do mês mostrou que o ar-condicionado do Poupatempo estava danificado. Tanto que os funcionários reclamaram de trabalhar em um ambiente com forte calor e elevada circulação de pessoas.
Após a veiculação da notícia, a Prodesp enviou uma equipe de fiscalização. Segundo os trabalhadores, o equipamento, que não tinha previsão de conserto, voltou a funcionar logo no dia seguinte à visita.
Vez ou outra, ainda de acordo com os funcionários, também faltaria papel higiênico nos banheiros. Outra reclamação diz respeito à alimentação. A antiga gestora do posto local fornecia tickets. Já a atual dá a opção de pedirem marmita ou comerem em um único restaurante. Segundo a avaliação deles, tal estabelecimento não respeitaria os critérios básicos de higiene.