Xangai impressiona mais do que Pequim. Se a capital tem algo de opressor, pela mescla de heranças imperial e comunista, além da poluição, a cidade portuária no delta do Yangtze constitui uma ponte entre o período colonial que enche a China de vergonha e o capitalismo mais desbragado do pós-comunismo.
A região conhecida como Bund dá um panorama arquitetônico revelador dessa superposição de passado e presente - melhor dizendo, futuro. Na margem do rio Huangpu que leva o nome de Bund, prédios históricos imponentes preservam a memória da parte de Xangai que já teve administração internacional.
Milhares de pessoas caminham pelo passeio elevado do Bund para admirar os arranha-céus da margem oposta, em Pudong. Prédios, alguns com mais de cem andares, foram transformados em telas ciclópicas de LED. Mais do que produtos, o que se vende ali é a supremacia chinesa.
É a cidade mais cosmopolita da China, mas também um dos raros destinos no país em que se vê quantidade apreciável de turistas ocidentais e de catadores remexendo lixeiras.
A rua Nanjing, calçadão com megalojas de grifes globais, tem um pouco de tudo isso.