Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta segunda-feira (2) que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciada no Twitter mais cedo, de elevar tarifas de importação do aço brasileiro não preocupa e não vai tirar o país do trilho de uma relação mais profunda.
"É uma relação muito dinâmica, existem várias coisas que nós já conseguimos que não tínhamos conseguido antes, acabou de ser aprovado aí o acordo de salvaguardas tecnológicas, que nós queríamos há 20 anos e não tínhamos conseguido justamente uma posição americana favorável, finalmente conseguimos", disse.
O tuíte de Donald Trump anunciando a retomada das tarifas sobre o aço e alumínio do Brasil e da Argentina caiu como uma bomba no governo brasileiro. O Planalto e o Itamaraty foram pegos de surpresa, e preparam agora argumentos para provar ao presidente americano que a desvalorização do real não é proposital.
A estratégia é fazer contatos com autoridades americanas e tentar reverter a medida de forma discreta. No momento, o governo brasileiro não planeja impor tarifas retaliatórias.
OUTROS CASOS
A grande maioria dos países que foram alvejados na guerra comercial de Trump retaliaram.
União Europeia, China, Turquia, Rússia e Índia, além de Canadá e México, que têm acordo comercial com o vizinho, impuseram tarifas contra produtos dos Estados Unidos em retaliação às sobretaxas impostas pelo governo Trump.
REVERSÃO
Alguns no governo argumentam que o tuíte de Trump ainda pode ser revertido, uma vez que a medida ainda não foi oficializada pelo USTr (Escritório de Comércio dos EUA).
Para Trump, a medida tem um claro contexto eleitoral. A guerra comercial contra a China vem causando prejuízos a agricultores de estados que serão essenciais na eleição de 2020. As exportações agrícolas dos EUA para a China em 2017, antes de iniciar a guerra comercial, foram de US$ 21,8 bilhões (ano fiscal).
REELEIÇÃO
Trump iniciou a guerra comercial ao impor tarifas sobre produtos chineses em julho de 2018. No ano fiscal de 2018, vendas de produtos agrícolas americanos para os chineses já caíram para US$ 16,2 bilhões e no ano fiscal de 2019, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, ficaram em US$ 10 bilhões.
De quebra, Trump ainda faz um aceno ao chamado Cinturão da Ferrugem, estados como Michigan, Ohio, Pensilvânia, que têm concentração de siderúrgicas e sofrem com a concorrência chinesa - e também são estados-pêndulo, que decidem eleições.