O leilão do ginásio Panela de Pressão acabou sem nenhuma proposta de compra, na tarde desta quarta-feira (11), na Justiça do Trabalho de Bauru. A venda do imóvel é para pagar dívidas trabalhistas do Noroeste, dono do ginásio, mas pode também afetar diretamente o Sendi/Bauru Basket e o Sesi Vôlei Bauru, dependendo da proposta dos credores, que ainda precisará de aprovação da Justiça.
Os advogados Thiago Rino e Filipe Rino, que representam 16 dos 23 credores, afirmaram logo após o leilão que pedirão a adjudicação do imóvel aos credores. A prática encontra respaldo na legislação trabalhista quando não há compradores na hasta pública, com os autores das ações que culminaram com o leilão assumindo o bem e seus custos, como despesas com água, energia e tributos com a prefeitura. Neste caso, como o valor da dívida trabalhista do clube ainda é menor do que o lance mínimo do leilão, os credores precisarão completar o montante para ficar com o ginásio.
A dívida do Noroeste em ações trabalhistas já em fase de execução supera R$ 1,4 milhão. Outros débitos estão em fase de julgamento ou homologação e o valor total do débito poderá passar de R$ 2 milhões. Já o lance mínimo do leilão foi de R$ 2,5 milhões, a metade do valor de avaliação do ginásio, que é de R$ 5 milhões. Portanto, os credores, através de algum investidor, precisarão pagar os R$ 500 mil restantes para ficar com a posse do imóvel. Os advogados avisaram que farão o pedido de adjudicação e que há investidor interessado. Esta hipótese resolveria a dívida noroestina, com o ginásio passando para os proponentes das ações. Outra situação possível é o Judiciário determinar um novo leilão, no ano que vem, com provável redução do valor de lance mínimo.
A solicitação precisará de aprovação da Justiça do Trabalho e não há previsão de prazo. "O pedido já vai ser feito, pois há um investidor que tem interesse em pagar o valor que falta para a adjudicação e com isso os credores passarão a ter o imóvel. Como já houve um leilão e não apareceu nenhum comprador, esse procedimento é possível e vamos solicitar, esperando que possa ocorrer ainda neste ano. O investidor que pretende entrar junto com os credores deve alugar o ginásio para uma empresa, e com isso não será mais possível o uso pelas equipes esportivas", detalhou Filipe Rino.
SEM ALTERNATIVA
O presidente do Noroeste, Rodrigo Gomes, o Mosca, acompanhou o leilão do ginásio, que acabou sem compradores. Para ele, a situação é difícil e o clube tem poucas opções para resolver o problema. "Eu vim para o leilão com o sentimento de tristeza, pois o Noroeste é um clube centenário e considero que é uma situação até humilhante ver um bem como este indo a leilão. Mas, infelizmente, não temos alternativas. Precisamos pagar as dívidas, porém não temos esse dinheiro. A venda nesse aspecto resolveria os débitos trabalhistas, mas lamentamos perder um patrimônio", comentou. Alguns torcedores estiveram no leilão da Justiça do Trabalho.