A pergunta "o que é libido?" foi uma das mais feitas por internautas ao Google em 2019, de acordo com uma lista divulgada pela empresa. A dúvida foi a campeã nas pesquisas que começam com o questionamento "o que é?". Esta palavrinha se refere, em suma, ao desejo sexual que sentimos a partir de algum estímulo, seja visual, auditivo ou olfativo. O que gera grande curiosidade é como este desejo se manifesta de forma diferente em homens e mulheres.
Para Nathalie Raibolt, ginecologista especialista em sexualidade, o aumento pela procura do assunto pode ser indicação de que as pessoas estão dando mais atenção aos seus desejos sexuais. A libido não está atrelada apenas à questão hormonal - a testosterona é um dos hormônios que influenciam seu aumento e diminuição -, mas também à psicossocial, principalmente nas mulheres. "O estímulo biológico (causado por hormônios) não é o suficiente para provocar na mulher o desejo sexual. Além disso, a libido será impactada principalmente pela função que o sexo ocupa na vida dela", diz Raibolt.
Mas é um erro pensar que aumentar a produção de testosterona — presente em maior quantidade no organismo masculino — seja a única solução para resolver a baixa na libido. "Hoje vivemos uma prescrição excessiva de testosterona para mulheres. Mas antes de prescrever, é preciso fazer uma pesquisa mais abrangente sobre a causa da libido baixa", comenta Francisco Tostes, endocrinologista.
Quando a queda no desejo sexual é motivada por uso de remédio, vale a pena analisar a possibilidade de trocar o medicamento por outro que não cause o mesmo efeito adverso. "(A indicação é) tentar trocar este medicamento por outro, em vez de somar mais um", explica Francisco.
A idade também impacta na sensação de libido de homens e mulheres. Com o passar dos anos, principalmente após os 40, há queda na produção de testosterona, o que pode influenciar no desejo sexual de cada um. Nestes casos, a reposição hormonal pode ser indicada. Mas quando a causa está relacionada a algum sofrimento emocional ou relacional, não há nada que um medicamento possa fazer. "Se o problema estiver relacionado a algum fator emocional, é preciso trabalhá-lo. Nestes casos, sempre indico um terapeuta", finaliza Carlos.