Chavantes - O lavrador Aguinaldo Guilherme Assunção, 49 anos, assassino confesso de Emanuelle Pestana de Castro, 8 anos, encontrada morta a facadas em Chavantes após quatro de desaparecimento (leia mais nesta página), foi achado morto, na manhã desta quarta-feira (15), em uma cela do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cerqueira César. O caso foi registrado como suicídio. À tarde, populares fizeram um protesto em frente ao Cemitério de Chavantes para tentar impedir que ele fosse enterrado no local.
Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) detalhou que o corpo de Agnaldo foi encontrado por funcionário do CDP por volta das 5h. Ele estava preso na unidade desde terça-feira (14), quando teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva em audiência de custódia. "Ao realizar a contagem de praxe para a passagem do plantão, foi constatado que o preso Aguinaldo Guilherme Assunção realizou um atentado contra sua própria vida utilizando um lençol que lhe foi entregue junto com seus pertences pela Unidade e consequentemente vindo à óbito", informa.
"A Secretaria ressalta que o detento estava sozinho em sua cela devido à grande repercussão do delito realizado pelo mesmo. Nesta data, a cela permanecerá isolada para a perícia para mais esclarecimentos sobre o caso. A unidade está entrando em contato com os familiares do preso para avisá-los do óbito e para que tomem as devidas providências".
À tarde, moradores de Chavantes fizeram um protesto em frente ao Cemitério Municipal para tentar impedir que o corpo de Aguinaldo fosse enterrado no local. A reportagem entrou em contato com a única funerária da cidade, que confirmou que o sepultamento dele ocorreu ontem, após a liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML) de Avaré, mas não divulgou o local por razões de segurança.
INVESTIGAÇÕES
De acordo com o delegado João Beffa, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ourinhos, a morte de Aguinaldo acaba comprometendo o esclarecimento de pontos importantes da investigação. "Com certeza, ele seria reinquirido para esclarecer alguns pontos que ainda estão sem solução. Por exemplo, a motivação do crime", afirma.
"Nós entendemos que aquele argumento utilizado por ele não é verídico. Ele me disse que tinha levado ela em outra oportunidade no local. Nós trabalhamos com a hipótese de crime sexual. O arrebatamento dela da praça e a condução dela até a mata onde ele cometeu o homicídio teriam sido com a intenção de um crime sexual".
O delegado ressalta que não existem dúvidas quanto à autoria do crime. "Com relação à autoria, não há nenhuma dúvida. Eu estava com ele (Aguinaldo), ele fez a confissão para mim da prática do crime e nos conduziu até o lugar onde estava o corpo", diz. "Agora o inquérito será concluído e, logicamente, vai ser arquivado".
RELEMBRE O CASO
Emanuelle Pestana de Castro desapareceu no fim da tarde da última sexta-feira (10) quando saiu para brincar em uma praça perto de sua casa, no bairro Três Cantos.
O sumiço dela mobilizou a cidade de cerca de 12 mil habitantes e moradores se organizaram para tentar localizá-la.
Durante esse período, imagens de câmeras de segurança foram analisadas pela polícia e mostraram a menina a caminho da praça e, depois, brincando no local. O mistério só foi solucionado após a detenção de Agnaldo Guilherme Assunção, 49 anos, vizinho da família da menina.
Câmeras de segurança registraram o suspeito conversando com a vítima na praça, de bicicleta, com uma camiseta vermelha. Em uma segunda imagem obtida pela polícia, que registra um momento anterior, Agnaldo aparece a pé, de camiseta branca, falando com a menina.
Confrontado com as imagens, o lavrador confessou que havia matado a criança a facadas e levou os policiais até onde o corpo estava, uma área de mata ao lado de um canavial na Fazenda Santana Nova, às margens de um córrego.
Segundo o IML, Emanuelle levou 13 facadas - oito nas costas e cinco no peito.
Em seu depoimento, Aguinaldo contou que convenceu a criança a ir até a área rural dizendo que colheriam mangas para presentear a mãe dela e que decidiu matá-la após uma briga entre familiares dele e de Emanuelle. Segundo ele, a mãe da menina não permitia que ela brincasse com seu enteado.
A Polícia Civil não acredita nesta versão e trabalha com a hipótese de crime com motivação sexual. Laudo preliminar não confirmou a conjunção carnal, mas um eventual crime sexual não foi descartado. O caso foi registrado como homicídio qualificado e ocultação de cadáver.