Pesca & Lazer

Comissão de recepção - 2


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Naquela corredeira, a pesca do dourado é desembarcada. Do barranco da curva do rio, o pescador lança o anzol atado na linha 60, na montante das águas e segue acompanhando sua descida pela corredeira. O anzol com isca, naquele momento, percorre cerca de 30 metros na velocidade das águas, precisamente a distância necessária para que o peixe ataque a chamariz. Se naquele lugar estiver um cardume de dourados, um deles não resistirá e abocanhará o anzol. A valentia do peixe é observada com exclusividade no exemplar dessa espécie. A cada salto que dá, chacoalhando todo o corpo, é entendido como recurso do dourado na tentativa de livrar-se do anzol e reconquistar a liberdade suprimida pelo pescador. O dourado, quanto mais leve, mais salta. A espécie que possui mais de 4 quilos não tem tanta energia para saltar por muitas vezes por causa do peso. Os menores saltam numa definitiva questão de vida ou morte, agitando-se desesperadamente, exibindo em cada pulo um corpo brilhando pela luz solar num magnífico espetáculo, comemorado pelo pescador com expressão de alegria, gritos e cumprimentos pelos companheiros de barco. O peixe fisgado luta até chegar ao pescador, ainda com reserva de força para resistir ao ato final que o envolve no puçá afim de retira-lo das águas.

A captura de alguns dourados nos levou a conversar sobre o retorno ao rancho. Consideramos que a pescaria já tinha sido realizada com o embarque de alguns dourados e deveríamos na volta parar para o almoço numa pousada e restaurante recém inaugurados no final da enorme baía do tatu. Para lá partimos num percurso de uma hora, pois a baía do tatu fica no meio da viagem entre a corredeira do aeroporto e o rancho. Os dois barcos empurrados por motor de 40 hp entraram na baía e após alguns minutos se vislumbrava ao longe, a pousada. Na aproximação da terra firme, onde os barcos ficariam atracados, alguns jacarés de grande porte, uns 6 ou 7, surgiram nadando até aos barcos provavelmente em busca de alimento eis que a presença deles era pacífica sem alguma demonstração de agressividade. Os barcos encostaram na terra e os jacarés permaneceram junto a eles sem causar atropelo ou receio no desembarque. A chegada na pousada teve a aparência que uma comissão de jacarés nos recepcionou como um comitê de frente, os primeiros a desejar boas vindas, ao modo deles, antes mesmo dos proprietários da pousada, um casal de Campo Grande e o gerente do estabelecimento, a propósito, um nosso conhecido de Porto Esperança. Um dos jacarés chamou logo a atenção em virtude de possuir somente a metade da mandíbula inferior. Faltava a parte dianteira do queixo que o impedia, mercê da mutilação, de atacar peixes e outros pequenos animais garantindo a refeição diária.

Alfredo Enéias Gonçalves d'Abril,

pescador aposentado

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