Nacional

Crime bárbaro no ABC: Polícia confirma que roubo era objetivo

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Santo André - Uma estudante de 13 anos esperava sozinha o ônibus passar na lateral do Fórum de Praia Grande, na Baixada Santista. Em plena tarde de sexta-feira, nem o movimento de carros e de pedestres em volta do tribunal inibiu dois jovens, de 18 e 19 anos, de se aproximarem e anunciar o roubo.

Foi nesse momento que uma testemunha estranhou aquela movimentação e avisou a polícia. O assalto frustrado aconteceu em novembro de 2015 e motivou o primeiro processo criminal contra Juliano de Oliveira Ramos Júnior, hoje com 22 anos. Preso de "bom comportamento", progrediu para o regime aberto e teve a pena extinta, em agosto de 2019. A liberdade durou pouco. No início deste mês, Juliano voltou à cadeia. Ele é um dos suspeitos de fazer parte da quadrilha que roubou, torturou e matou o casal de empresários Romuyuki e Flaviana Gonçalves, de 43 e 40 anos, e o filho caçula, Juan Victor, de 15, cujos corpos foram encontrados carbonizados em uma estrada de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, no fim de janeiro.

O crime chocou, sobretudo, pela suspeita de participação da filha mais velha do casal, Anaflávia Gonçalves, de 24 anos, e da namorada dela, Carina Ramos, de 26, também presas. Os outros detidos são Jonathan Fagundes Ramos, de 23 anos, irmão de Juliano, e o vizinho deles Guilherme Ramos da Silva, de 19. A Polícia Civil deve indiciar os cinco por homicídio qualificado e já sabe que roubo era mesmo o objetivo inicial dos criminosos.

Juliano era o único do grupo com antecedente criminal. Durante a investigação, foi responsável por delatar Guilherme e apontar o envolvimento direto de Anaflávia e Carina nos crimes.

DISCÓRDIA

Em interrogatório, o suspeito ainda tentou livrar o irmão e indicou um homem inocente no lugar. O depoimento provocou a reação dos demais envolvidos e deu início a trocas mútuas de acusações no inquérito. Para se defender, os outros investigados alegam ter concordado "apenas" em assaltar a família Gonçalves - os assassinatos só deveriam entrar na conta de Juliano e Jonathan.

Antes da investigação, no entanto, o convívio entre os cinco era bem diferente. Todos são vizinhos no Jardim Santo André, favela composta por vielas, ruas íngremes e residências, na maioria das vezes sem revestimento, que, segundo informação de policiais, seria controlada pelo tráfico. Lá, eles costumavam frequentar um a casa do outro e tinham uma relação de amizade. A ponto de, mesmo sem grande experiência no crime, tramarem juntos o plano de roubo.

UNIDAS

Com prisão temporária em vigor, Juliano e Jonathan estão em uma unidade de São Caetano do Sul, no ABC. Já Guilherme está detido no CDP de Pinheiros, na capital, porque também responde por flagrante de receptação. Por sua vez, Anaflávia e Carina eram, na semana passada, as únicas presas na carceragem do 7.º DP de São Bernardo do Campo. O que mais chama atenção no 7º DP, entretanto, é que até agora só os advogados de defesa foram vê-las na cadeia. "Nenhum familiar veio falar com elas", diz um carcereiro.

Comentários

Comentários